O IBGE divulgou nesta sexta-feira que o PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, resultado acima das expectativas e o maior ritmo de expansão em quatro trimestres. O PIB foi sustentado pelo setor de serviços, que representa 70% da economia, pela produção recorde de soja e abate de bovinos na agropecuária e pela indústria extrativa de petróleo, gás e minério de ferro. No entanto, a Tendências Consultoria alerta que o PIB deve perder tração nos próximos trimestres por causa dos juros ainda restritivos, da alta nos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio e dos riscos do El Niño sobre a produção agrícola.
O PIB brasileiro começou 2026 com o pé no acelerador, mas a estrada à frente está cheia de obstáculos. O crescimento de 1,1% no primeiro trimestre confirmou a expectativa de que o início do ano seria o ponto mais forte da economia brasileira em 2026, antes de uma desaceleração que economistas consideram inevitável. Segundo informações do Canal TIMES BRASIL, o resultado do PIB foi impulsionado por uma combinação de safra recorde de soja, crescimento do consumo de serviços e efeitos iniciais de programas anunciados pelo governo, fatores que deram fôlego à atividade econômica mesmo com juros ainda elevados.
Alessandra Ribeiro, sócia diretora da Tendências Consultoria, explicou que a dinâmica entre o primeiro e o segundo semestre será “bastante distinta”. O PIB deve perder tração nos próximos trimestres porque a política monetária restritiva continuará produzindo efeitos, os custos de combustíveis pressionados pela guerra no Oriente Médio vão se espalhar pela cadeia produtiva e o risco de um El Niño forte pode afetar a produção agropecuária já no final de 2026 e em 2027.
O que puxou o PIB para cima no primeiro trimestre

O setor de serviços, que responde por aproximadamente 70% do PIB brasileiro, manteve ritmo de crescimento importante impulsionado pelo consumo das famílias e por investimentos em tecnologia da informação e inteligência artificial. O comércio se destacou entre os segmentos de serviços, beneficiado por programas governamentais que ajudaram a sustentar o consumo mesmo em um ambiente de juros altos.
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Na agropecuária, o PIB registrou resultado histórico de produção de soja e um desempenho sólido no abate de bovinos. Na indústria, apesar da fraqueza da transformação, a extrativa e a construção civil ajudaram o resultado: a produção de petróleo, gás e minério de ferro segue em expansão, e a construção civil já começa a captar efeitos iniciais dos programas de investimento anunciados pelo governo.
Os três fatores que podem frear o PIB no segundo semestre
O primeiro fator é a política monetária. O Banco Central está reduzindo os juros de forma cautelosa, mas a taxa Selic permanece em patamar restritivo que comprime crédito, investimento e consumo. O efeito dos juros altos sobre o PIB não é imediato, ele se acumula ao longo de trimestres, e a parte mais pesada desse impacto deve ser sentida exatamente no segundo semestre.
O segundo fator é o conflito no Oriente Médio. A alta nos preços do petróleo provocada pelas tensões no Estreito de Ormuz pressiona os custos de combustíveis no Brasil, e mesmo com esforços do governo para suavizar o repasse, o efeito se espalha por toda a cadeia produtiva via frete, encarecendo alimentos e produtos industrializados. O terceiro fator é o El Niño, que pode afetar a produção agrícola e comprometer a contribuição do agronegócio ao PIB em 2027.
O Brasil entre as 10 maiores economias do mundo
O resultado do PIB reforça a posição do Brasil entre as dez maiores economias globais. Em 2024, o país foi a nona maior economia do mundo, e o crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026 consolida essa posição. Ribeiro destacou que o resultado tem “muito mérito da própria realidade doméstica”, especialmente a dinâmica expressiva da agropecuária, que atingiu o maior patamar de produção da série histórica, e o peso crescente da indústria extrativa.
O PIB brasileiro não cresce apenas porque outras economias desaceleram. O resultado de 1,1% tem sustentação interna. China e Estados Unidos continuam crescendo, ainda que em ritmo menor, e permanecem nos primeiros lugares do ranking. O diferencial brasileiro está na diversificação: serviços, agropecuária, extrativa e construção civil contribuem simultaneamente para um PIB que se sustenta mesmo quando a indústria de transformação opera abaixo do potencial.
O que esperar do PIB nos próximos trimestres
A expectativa é que o crescimento trimestre a trimestre do PIB diminua ao longo de 2026. A combinação de juros restritivos, pressão inflacionária por combustíveis e riscos climáticos cria um cenário em que a economia brasileira desacelera gradualmente sem necessariamente entrar em recessão, mas com ritmo significativamente menor do que os 1,1% registrados no primeiro trimestre.
A indústria de transformação permanece como o elo mais fraco do PIB, sofrendo diretamente os efeitos dos juros altos e da competição com produtos importados. Serviços devem continuar sustentando a economia, mas com menor vigor à medida que os programas governamentais perdem impulso e o crédito fica mais caro. Para o agronegócio, tudo depende do clima: se o El Niño se confirmar forte, a safra 2026/2027 pode decepcionar e tirar um dos principais motores que impulsionaram o PIB no início do ano.
Você acha que o PIB vai manter o ritmo ou a desaceleração no segundo semestre é inevitável? O que preocupa mais: os juros altos, a guerra no Oriente Médio ou o El Niño? Conta nos comentários.

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