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O maior drama de nascer em Marte não é respirar: biólogo de Rice diz que filhos de colonos podem deixar de ser Homo sapiens, moldados por baixa gravidade, radiação e isolamento que divide a humanidade

Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/04/2026 às 13:39
Atualizado em 04/04/2026 às 13:43
O maior drama de nascer em Marte não é respirar biólogo de Rice diz que filhos de colonos podem deixar de ser Homo sapiens, moldados por baixa gravidade, radiação (1)
Marte: em colônia em Marte, baixa gravidade e radiação podem afastar o Homo sapiens. Entenda riscos e dilemas. Imagem: IA
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Segundo Scott Solomon, filhos de colonos em Marte podem se afastar do Homo sapiens por baixa gravidade, radiação e isolamento, criando dois caminhos evolutivos e um dilema ético difícil de reverter.

O maior problema de viver em Marte pode não ser o oxigênio, nem a construção de abrigos, mas algo muito mais profundo: o que acontece com o corpo humano quando ele passa a evoluir fora da Terra. Para o biólogo evolucionista Scott Solomon, da Universidade Rice, um nascimento em uma colônia marciana pode inaugurar uma ruptura biológica que, com o tempo, separa a humanidade em dois ramos.

Na visão do pesquisador, os primeiros colonos que chegarem a Marte ainda carregam um corpo moldado por milhões de anos de evolução terrestre. Mas os descendentes, nascidos e criados sob outras condições, podem sofrer mudanças anatômicas e fisiológicas tão fortes que, no sentido antropológico, não seriam mais Homo sapiens.

Por que Marte muda as regras do corpo humano

Marte: em colônia em Marte, baixa gravidade e radiação podem afastar o Homo sapiens. Entenda riscos e dilemas.

Marte impõe um pacote de condições radicalmente diferente da Terra. O planeta tem cerca de 38% da gravidade terrestre, recebe duas a três vezes mais radiação, não conta com um campo magnético protetor e também não tem a biosfera microbiana com a qual nosso sistema imunológico evoluiu.

Esses fatores funcionam como forças que empurram a biologia para outro caminho. A seleção natural e a adaptação não param só porque mudamos de planeta, e Solomon argumenta que o novo ambiente pode reescrever parte do “manual” do corpo humano ao longo de gerações.

O conceito que explica a possível divisão da humanidade

A biologia evolutiva já descreve o mecanismo por trás dessa transformação: especiação alopátrica. Isso ocorre quando uma população fica isolada e passa a se desenvolver em um ambiente novo, enquanto seleção natural e deriva genética continuam agindo.

Com o passar do tempo, quem viver em Marte e quem permanecer na Terra pode se tornar tão diferente que a separação deixa de ser apenas cultural ou tecnológica. Seria uma diferença biológica real, com duas populações seguindo trajetórias evolutivas próprias.

Colonos que chegam a Marte não são o mesmo caso de quem nasce lá

Solomon faz uma distinção importante: uma coisa é chegar a Marte vindo da Terra e sobreviver com um corpo já formado em condições terrestres. Outra é nascer em Marte, desenvolver ossos, músculos, sistema nervoso e imunidade sob gravidade menor, radiação elevada e um ambiente fechado.

Nesse cenário, a mudança não é apenas “adaptação”. É desenvolvimento moldado por um mundo diferente, o que pode amplificar efeitos ao longo do tempo.

O que já sabemos sobre o corpo no espaço e por que isso preocupa

O texto lembra que nem é preciso esperar gerações para ver sinais de impacto: há evidências de que astronautas na Estação Espacial Internacional sofrem perda óssea acelerada, atrofia muscular, problemas cardiovasculares, alterações de visão e estresse. Até o sangue pode apresentar mudanças.

A ideia central é simples e inquietante: se adultos já reagem assim, crianças nascidas e criadas em Marte podem ter o corpo estruturado desde o início sob essas condições, com consequências mais profundas.

Mudanças possíveis: ossos, pele e sistema imunológico

Solomon aponta exemplos de transformações que poderiam ser favorecidas em Marte. Entre elas, aparecem ossos mais densos e curtos, e o aumento da produção de eumelanina, um tipo de melanina associado a tons mais escuros de pele, como possível proteção contra radiação.

O sistema imunológico também entra na conta. Em uma colônia marciana, ele poderia ficar calibrado para um ambiente fechado, e isso levanta outra consequência: vulnerabilidade maior a doenças comuns na Terra, caso esse corpo precise enfrentar micróbios para os quais não foi “treinado”.

O ponto mais delicado: reprodução e parto em Marte

A questão mais sensível é a reprodução. O texto ressalta que ainda não sabemos se humanos seriam capazes de conceber, gestar e dar à luz com sucesso em Marte. Experimentos com mamíferos em microgravidade são descritos como preocupantes.

Solomon também prevê que o parto em Marte poderia ser inevitavelmente cirúrgico, e mais arriscado, já que menor densidade óssea e atrofia muscular podem complicar procedimentos e recuperação. É o tipo de detalhe que transforma colonização em um dilema biológico, não só tecnológico.

Dois caminhos: deixar a evolução agir ou intervir com engenharia genética

Para Solomon, existem duas possibilidades gerais. A primeira é permitir que a seleção natural siga seu curso e molde as gerações em Marte. A segunda é recorrer à engenharia genética, antecipando problemas antes de enviar pessoas e tentando adaptar o corpo ao novo ambiente.

Mesmo assim, o resultado macro pode convergir para o mesmo destino: dois ramos da humanidade, vivendo sob condições distintas, em mundos distintos, com identidades e limites físicos diferentes.

O dilema ético que vem junto com a biologia

A discussão não para no corpo. Há um ponto ético direto: se uma criança nascer em Marte e não puder voltar à Terra porque seu organismo não suportaria a mudança, a humanidade terá criado uma decisão irreversível sem o consentimento dessa pessoa.

E isso abre perguntas de direitos, identidade e responsabilidade. Antes de a colonização virar realidade, essas questões precisam ser enfrentadas com seriedade, porque a consequência pode ir muito além de uma base científica no Planeta Vermelho.

Você teria coragem de ter um filho em Marte sabendo que ele talvez nunca consiga voltar para a Terra?

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byEDortasPhotography
byEDortasPhotography
05/04/2026 06:40

Humans on Mars or born on Mars:
If here on Earth humans are so divided, wage wars, and still consider themselves intelligent… they create technology such as drones for photography and video—and soon use them for attacks and bombings. Surely there would soon be a war on planet Mars as well, and even between Earth and Mars. Human intelligence is loaded with greed, anger, and destructive competition… after all, they were created in the likeness of their creator(s)—the scientists.
@byEDortasPhotography

byEDortasPhotography
byEDortasPhotography
05/04/2026 06:36

Humanos em Marte ou nascidos em Marte:
Se aqui os humanos são tão divididos e se enfrentam em guerras e se acham ainda inteligentes…criam tecnologia como drone para fotografia, video, e logo usam para atacar, bombardear. Com certeza logo haveria uma guerra no planeta Marte e mesmo entre a Terra e Marte. A inteligência dos humanos esta carregada de ganância, raiva, concorrência negativa…bem foram criados à semelhança do(s) criador(es) cientistas. @byEDortasPhotography

DBMx
DBMx
05/04/2026 06:11

E a ficção de star Trek se tornará realidade daqui uns 10 mil anos a própria espécie humano se tornará os extraterrestre que procuramos.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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