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Reino Unido escolhe uma ilha nuclear abandonada para receber três reatores Rolls-Royce, gerar energia por 60 anos e tentar provar que miniusinas podem substituir megaprojetos travados

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 06/07/2026 às 12:24
Reino Unido escolhe uma ilha nuclear abandonada para receber três reatores Rolls-Royce
Reino Unido escolhe uma ilha nuclear abandonada para receber três reatores Rolls-Royce.
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Reino Unido escolheu Wylfa para instalar três reatores nucleares Rolls-Royce capazes de abastecer milhões de residências por mais de 60 anos.

Durante décadas, a ilha de Anglesey, no norte do País de Gales, foi associada ao passado nuclear britânico. A antiga usina de Wylfa, inaugurada nos anos 1970 e desativada em 2015, permaneceu como um símbolo de projetos interrompidos e investimentos abandonados.

Agora, o local foi escolhido para liderar uma nova fase da energia nuclear no Reino Unido. De acordo com informações divulgadas pela Rolls-Royce SMR, o governo britânico decidiu transformar Wylfa na casa dos primeiros pequenos reatores modulares, uma tecnologia que promete reduzir custos, acelerar obras e inaugurar uma nova geração de usinas nucleares menores, produzidas parcialmente em fábrica e montadas no local.

Reino Unido quer transformar Wylfa em vitrine mundial para pequenos reatores nucleares

Segundo a Great British Energy – Nuclear, Wylfa foi selecionada em novembro de 2025 como o primeiro local do Reino Unido destinado à implantação da tecnologia da Rolls-Royce SMR. O projeto inicial prevê a instalação de três pequenos reatores modulares, mas estudos governamentais indicam que a área possui potencial para receber até oito unidades no futuro. A escolha representa uma mudança importante na estratégia energética britânica.

Em vez de apostar exclusivamente em grandes usinas nucleares, que exigem décadas de construção e investimentos gigantescos, Londres pretende testar um modelo baseado em unidades menores, replicáveis e potencialmente mais rápidas de implantar. Segundo a Rolls-Royce SMR, a iniciativa deverá ajudar o Reino Unido a criar uma indústria nacional de exportação de pequenos reatores, posicionando o país entre os líderes globais do setor.

Três reatores podem produzir mais de 1,4 GW de energia limpa para milhões de residências

De acordo com informações divulgadas pela Rolls-Royce SMR, os três reatores previstos para Wylfa deverão gerar pelo menos 1,4 gigawatt de eletricidade, quantidade suficiente para abastecer aproximadamente 3 milhões de residências britânicas.

Cada unidade da Rolls-Royce foi projetada para produzir cerca de 470 MW, capacidade significativamente inferior à de grandes usinas convencionais, mas compensada pela possibilidade de construção em série.

Segundo o governo galês, cada reator deverá operar durante cerca de 60 anos, fornecendo energia estável independentemente das condições climáticas, característica considerada estratégica diante da crescente participação de fontes intermitentes, como solar e eólica, na matriz energética europeia.

Antiga usina nuclear abandonada ganha uma segunda chance após fracassos bilionários

Wylfa já foi considerada um dos principais polos nucleares britânicos. A antiga central de Wylfa Magnox encerrou suas operações em 2015, deixando uma infraestrutura parcialmente ociosa e uma região que aguardava novos investimentos energéticos.

Nos anos seguintes, a japonesa Hitachi chegou a planejar uma grande usina no local, mas abandonou o empreendimento após registrar perdas bilionárias e suspender definitivamente o projeto em 2020. O governo britânico assumiu posteriormente o controle da área por meio da Great British Energy – Nuclear, permitindo que o local voltasse ao centro das discussões sobre o futuro da geração elétrica no país.

Pequenos reatores prometem acelerar obras e reduzir custos da energia nuclear

Os chamados SMRs, sigla em inglês para Small Modular Reactors, são vistos por diversos governos como uma possível resposta para os atrasos recorrentes observados em grandes projetos nucleares. Segundo a Rolls-Royce SMR, boa parte dos componentes poderá ser fabricada em ambiente industrial e posteriormente transportada para o local de instalação, reduzindo riscos de atrasos e diminuindo a complexidade das obras civis.

A expectativa britânica é que a nova geração de miniusinas permita ampliar a produção de energia de baixa emissão de carbono sem repetir os cronogramas prolongados e os custos crescentes registrados em projetos nucleares tradicionais.

Especialistas do setor apontam, entretanto, que a tecnologia ainda não foi implantada comercialmente em larga escala no Ocidente, o que significa que os primeiros projetos funcionarão também como um grande teste industrial.

Wylfa pode se tornar o laboratório da próxima geração nuclear europeia

O projeto ultrapassa a questão energética. Segundo o governo britânico, a construção dos primeiros reatores poderá gerar milhares de empregos altamente especializados, fortalecer cadeias industriais e abrir caminho para exportações futuras da tecnologia desenvolvida pela Rolls-Royce.

A aposta é ambiciosa: transformar uma antiga ilha nuclear praticamente abandonada em um dos centros mais importantes da nova indústria atômica europeia. Se o plano funcionar, Wylfa poderá deixar de ser lembrada como um símbolo de projetos fracassados para se tornar o local onde o Reino Unido tentou reinventar a energia nuclear para o século XXI.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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