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Com pneus, guarda-chuvas quebrados e tecido de paraquedas, gaúchos transformaram lixo urbano em moda vegana, desviaram quase 1 tonelada de resíduos e faturaram R$ 2,2 milhões em 2024

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 06/07/2026 às 13:15
Com pneus, guarda-chuvas quebrados e tecido de paraquedas, gaúchos transformaram lixo urbano em moda vegana, desviaram quase 1 tonelada de resíduos e faturaram R$ 2,2 milhões em 2024
Com pneus, guarda-chuvas quebrados e tecido de paraquedas, gaúchos transformaram lixo urbano em moda vegana.
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Empresa criada no Rio Grande do Sul reaproveitou pneus, guarda-chuvas e tecidos descartados, evitou quase 1 tonelada de resíduos e alcançou faturamento de R$ 2,2 milhões.

Em uma indústria frequentemente associada ao desperdício, descarte acelerado e produção em massa, uma empresa do Rio Grande do Sul decidiu seguir pelo caminho contrário. Em vez de comprar matérias-primas novas, os fundadores passaram a procurar aquilo que já havia sido descartado. Pneus de bicicleta inutilizados, guarda-chuvas quebrados, tecidos rejeitados pela indústria, redes de pesca retiradas do mar e até paraquedas aposentados passaram a integrar uma cadeia produtiva baseada em reaproveitamento.

Mais de dez anos depois, a iniciativa criada em Campo Bom, no Vale dos Sinos, tornou-se um negócio consolidado. Segundo a Exame, em 2024, a empresa registrou R$ 2,2 milhões em faturamento, enquanto reaproveitava centenas de materiais que normalmente acabariam em aterros sanitários. A empresa é a Urban Flowers, fundada em 2013 por Cecília Weiler, que iniciou o negócio ainda adolescente, apostando em um conceito que anos depois se tornaria tendência mundial: a economia circular aplicada à moda.

Tudo começou com uma adolescente do Rio Grande do Sul que queria criar uma marca alinhada ao veganismo

A Urban Flowers nasceu inicialmente como uma pequena loja virtual de roupas revendidas pela internet. Cecília Weiler já tinha contato com temas ligados ao vegetarianismo, consumo consciente e sustentabilidade. Aproveitando o ambiente industrial do Vale dos Sinos, um dos maiores polos calçadistas do Brasil, começou a desenvolver coleções próprias em pequenos ateliês locais.

Em 2017, Patrick Lenz ingressou na empresa como sócio e ajudou a estruturar o negócio. Na época, unir sustentabilidade ambiental, produção ética e viabilidade financeira ainda era visto como algo extremamente difícil dentro da indústria da moda. Segundo Lenz, a proposta sempre foi trabalhar com uma cadeia produtiva justa, sem recorrer a materiais de origem animal e evitando a exploração da mão de obra, problema frequentemente associado ao setor.

Guarda-chuvas quebrados viraram ecobags resistentes e reutilizáveis

Entre os primeiros experimentos da empresa estava o reaproveitamento de guarda-chuvas descartados. Patrick Lenz explica que esse material costuma apresentar desafios para reciclagem porque combina diversos componentes em uma única estrutura, incluindo tecido impermeável, plástico, metais e mecanismos de abertura.

A solução encontrada foi desmontar completamente cada peça. A empresa passou a trabalhar com cooperativas e catadores da região para coletar os materiais descartados. O tecido impermeável, altamente resistente, passou a ser utilizado na fabricação de ecobags e acessórios. Em apenas um ano, a Urban Flowers reaproveitou 343 guarda-chuvas, transformando o que antes seria lixo em novos produtos comercializados pela marca.

Pneus descartados se transformaram em alguns dos itens mais vendidos da empresa

Outro material incorporado ao catálogo foram pneus usados de bicicleta. A resistência da borracha chamou atenção dos fundadores, que passaram a utilizá-la na fabricação de cintos e carteiras. Com o tempo, esses produtos se tornaram alguns dos itens mais procurados pelos consumidores.

Segundo a Exame, a empresa reutilizou 439 pneus de bicicleta ao longo de 2024, retirando esse material do fluxo tradicional de descarte. Além da durabilidade, o reaproveitamento dos pneus também reduz a necessidade de utilização de couro animal e outros materiais convencionais utilizados na indústria de acessórios.

Redes de pesca retiradas do litoral e paraquedas aposentados ganharam nova vida

A criatividade da Urban Flowers não ficou restrita aos resíduos urbanos. A marca também desenvolveu peças utilizando redes de pesca recolhidas em praias de Florianópolis. Em parceria com pescadores locais, o material passou por reciclagem e foi incorporado ao desenvolvimento de calçados.

Outro projeto que chamou atenção dos consumidores foi uma coleção produzida com tecidos de paraquedas descartados. Esses equipamentos deixam de ser utilizados em operações aéreas por questões de segurança, mas ainda mantêm grande resistência estrutural.

A Urban Flowers transformou esse material em jaquetas. Segundo Patrick Lenz, o lançamento foi realizado em pequena escala, mas o estoque esgotou rapidamente, tornando-se um dos produtos mais procurados da empresa.

Quase 1 tonelada de materiais reaproveitados ajudou a impulsionar faturamento milionário

A estratégia baseada em economia circular trouxe resultados financeiros relevantes. Em 2024, a Urban Flowers alcançou R$ 2,2 milhões em faturamento, consolidando-se como uma das referências brasileiras em moda vegana e reaproveitamento de resíduos. No mesmo período, a empresa reutilizou:

  • 439 pneus de bicicleta;
  • 343 guarda-chuvas descartados;
  • 1.834 metros quadrados de tecidos rejeitados pela indústria;
  • aproximadamente 800 quilos de materiais reciclados incorporados à produção de calçados e acessórios.

Os números ajudaram a empresa a atingir quase uma tonelada de materiais reaproveitados em apenas um ano, reforçando a ideia de que resíduos podem se transformar em produtos de maior valor agregado.

Marca aposta em crescimento físico e ampliação da produção sustentável

Atualmente, a Urban Flowers possui mais de 170 mil seguidores nas redes sociais e mantém operação baseada principalmente em vendas online. A empresa também busca ampliar a produção sustentável para outras marcas interessadas em incorporar materiais reciclados e processos mais responsáveis em suas coleções. Além disso, a estratégia para os próximos anos envolve maior presença física em lojas colaborativas espalhadas pelo Brasil, aproximando a marca de consumidores que desejam conhecer os produtos pessoalmente.

Para os fundadores, a principal matéria-prima continua sendo aquela que já existe. Pneus, guarda-chuvas, tecidos descartados e materiais considerados sem valor econômico passaram a representar não apenas uma solução ambiental, mas também um negócio capaz de gerar milhões de reais em receita.

Em um mercado acostumado a lançar coleções novas a cada estação, a Urban Flowers apostou justamente no caminho inverso: transformar resíduos esquecidos em produtos desejados, funcionais e comercialmente viáveis.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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