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O maior acordo comercial do planeta acaba de entrar em vigor unindo 31 países e 720 milhões de pessoas em uma zona de livre comércio de US$ 22 trilhões, o agronegócio brasileiro celebra bilhões em oportunidades mas a indústria nacional treme diante da avalanche de produtos europeus prontos para invadir o mercado

Publicado em 02/05/2026 às 13:42
Atualizado em 02/05/2026 às 13:46
O maior acordo comercial do planeta entrou em vigor unindo 31 países. O comércio entre Mercosul e UE muda com redução gradual de tarifas.
O maior acordo comercial do planeta entrou em vigor unindo 31 países. O comércio entre Mercosul e UE muda com redução gradual de tarifas.
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O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor nesta sexta-feira (1º) de forma provisória, criando a maior zona de livre comércio do mundo com 720 milhões de habitantes em 31 países e PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões. As negociações começaram em 1999 e duraram 26 anos. Nesta etapa inicial, passa a valer a parte comercial com redução e eliminação gradual de tarifas. A UE deve zerar até 95% das tarifas em 12 anos e o Mercosul eliminará cerca de 91% em 15 anos.

O maior acordo comercial do planeta acaba de entrar em vigor e o Brasil está no centro dele. O tratado entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro de 2026 em Assunção, começou a valer nesta sexta-feira (1º) com a aplicação provisória da parte comercial, que prevê redução e eliminação gradual de tarifas de importação e exportação entre os dois blocos. O presidente Lula assinou o decreto de promulgação na terça-feira (28), após aprovação do Congresso Nacional em 4 de março, permitindo que o Brasil participe desde o primeiro dia.

Mas o acordo que celebra o agronegócio preocupa a indústria. Enquanto exportadores de carne, café, açúcar e suco de laranja comemoram acesso facilitado a um mercado de alto poder aquisitivo, fabricantes nacionais dos setores automotivo e de bens de consumo enfrentam a perspectiva de concorrência com produtos europeus que chegam com tarifas menores e frequentemente com tecnologia superior. O economista Rodrigo Provazzi alerta que o acordo “exige políticas internas para evitar que os ganhos do campo venham acompanhados de uma desindustrialização acelerada”.

O que muda com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

O acordo comercial cria a maior zona de livre comércio do mundo ao reunir os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) com os 27 membros da União Europeia. A UE deve zerar até 95% das tarifas sobre produtos importados do Mercosul em até 12 anos, enquanto o bloco sul-americano eliminará cerca de 91% em até 15 anos. Grande parte dos produtos com tarifa zerada desde o início é industrial, beneficiando setores como máquinas, químicos e metalurgia.

A aplicação nesta etapa é provisória e cobre apenas a parte comercial. A entrada definitiva em vigor depende de ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais dos países europeus, além de análise jurídica pelo Tribunal de Justiça da UE, processo que pode levar até dois anos. Para produtos sensíveis como carne e açúcar, o acordo estabelece cotas de exportação: acima dos limites, as tarifas continuam valendo.

O agronegócio brasileiro como grande vencedor do tratado

Para o Brasil, o acordo comercial tende a impulsionar exportações do agronegócio com acesso facilitado a 450 milhões de consumidores europeus de alto poder aquisitivo. Produtos como carne, café, açúcar e suco de laranja devem ganhar competitividade com a redução de tarifas, criando oportunidades que o setor esperava há mais de duas décadas desde o início das negociações em 1999.

A resistência europeia ao agronegócio sul-americano foi justamente o que travou as negociações por 26 anos. Agricultores da França protestaram contra o risco de concorrência com produtos brasileiros, considerados mais baratos por custos de produção menores, e o presidente Emmanuel Macron se posicionou contra o tratado. O fato de o acordo ter sido finalmente assinado indica que a União Europeia aceitou a competição agrícola em troca de ganhos em setores onde a Europa é mais eficiente.

A indústria nacional diante da concorrência europeia

Se o agronegócio ganha, a indústria brasileira entra em território mais incerto. A entrada de produtos europeus com maior tecnologia pode pressionar setores como o automotivo e o de bens de consumo, onde fabricantes europeus possuem vantagens de escala, inovação e reputação que concorrentes brasileiros dificilmente igualam no curto prazo. A redução de tarifas significa que carros, máquinas e produtos manufaturados da Europa chegam mais baratos ao mercado brasileiro.

O acordo prevê salvaguardas comerciais que permitem reintroduzir tarifas temporariamente caso haja prejuízo relevante a setores locais. Essa válvula de segurança existe para evitar o colapso de cadeias produtivas inteiras, mas sua ativação depende de processos burocráticos que podem demorar a ser implementados quando a concorrência já está instalada. A indústria que investir em produtividade e inovação terá condições de competir; a que depender exclusivamente de proteção tarifária sentirá o impacto.

O que muda no bolso do consumidor brasileiro

No bolso do consumidor, o efeito será gradual. Produtos como vinhos, queijos e carros europeus podem ficar mais baratos no Brasil, mas isso depende de fatores como câmbio, impostos internos e logística. A redução de tarifas de importação, sozinha, não garante queda imediata de preços na prateleira do supermercado ou na concessionária.

Provazzi explica que “o valor final vai depender muito mais do ambiente macroeconômico do que apenas da tarifa”. A redução ajuda, mas não garante preços baixos se o real estiver desvalorizado, se os impostos estaduais forem altos ou se a cadeia logística acrescentar custos. Para o consumidor, a expectativa realista é de barateamento progressivo ao longo dos 12 a 15 anos de implementação, não de quedas abruptas nos primeiros meses.

As exigências ambientais que podem limitar o agronegócio

O acordo comercial inclui compromissos ambientais que exigem respeito ao Acordo de Paris, com possibilidade de sanções em caso de descumprimento. Produtos como soja, carne e madeira não podem estar ligados a desmatamento ilegal, especialmente na Amazônia, cláusula que pode limitar exportações de produtores que não comprovem conformidade ambiental. As regras sanitárias da União Europeia também mantêm padrões elevados sobre limites de agrotóxicos, hormônios e antibióticos.

Ambientalistas europeus apontam riscos de que o aumento do comércio incentive práticas menos sustentáveis, apesar das cláusulas previstas no tratado. Para o agronegócio brasileiro, as exigências representam tanto barreira quanto oportunidade: quem já opera com certificações ambientais e rastreabilidade terá vantagem competitiva; quem depende de práticas incompatíveis com os padrões europeus ficará de fora do mercado mais lucrativo do mundo.

A resistência europeia e o que falta para o acordo ser definitivo

O tratado enfrentou forte oposição em países europeus, sobretudo na França, onde agricultores denunciam concorrência desleal e descumprimento de regras sanitárias. Macron alegou falta de garantias suficientes para proteger o setor agrícola europeu, e o tema gerou pressão política que dividiu os membros da União Europeia entre defensores do livre comércio e protecionistas que temem a competitividade do agronegócio sul-americano.

Para entrar em vigor de forma definitiva, o acordo comercial ainda precisa de aprovação do Parlamento Europeu, que solicitou análise jurídica, e de ratificação pelos parlamentos nacionais. O processo pode levar até dois anos, período em que o tratado funciona de forma provisória e qualquer das partes pode, em tese, suspender a aplicação se surgirem problemas graves. Para o Brasil, a fase provisória é a oportunidade de demonstrar que consegue exportar com qualidade, sustentabilidade e volume.

Você acha que o acordo Mercosul-UE vai beneficiar mais o seu bolso com produtos europeus mais baratos ou prejudicar com a perda de empregos na indústria? Conte nos comentários se espera ver vinhos e queijos com preços menores e o que pensa sobre a concorrência europeia no mercado brasileiro.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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