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O governo argentino celebra a menor taxa de pobreza em 7 anos mas especialistas alertam que a metodologia mudou, os salários caíram em termos reais, o desemprego subiu e o número de pessoas nas ruas de Buenos Aires cresceu 57% desde que Milei assumiu

Publicado em 02/04/2026 às 00:13
Atualizado em 02/04/2026 às 00:16
Assista o vídeoA pobreza na Argentina caiu para 28,2%, mas salários caíram, o desemprego subiu e 57% mais pessoas vivem nas ruas desde que Milei assumiu.
A pobreza na Argentina caiu para 28,2%, mas salários caíram, o desemprego subiu e 57% mais pessoas vivem nas ruas desde que Milei assumiu.
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A pobreza na Argentina caiu oficialmente para 28,2% no segundo semestre de 2025 o menor índice em sete anos, mas analistas questionam a metodologia de medição, apontam que os salários caíram em termos reais, que o desemprego subiu de 6,1% para 7,5% e que o número de pessoas morando nas ruas de Buenos Aires aumentou 57% desde o início do governo Milei.

Segundo a reportagem da DW Espanõl, a pobreza na Argentina atingiu 28,2% no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC). O número representa uma queda de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre e consolida uma tendência de redução da pobreza após o pico de mais de 50% registrado no início de 2024, quando a desvalorização cambial promovida pelo governo de Javier Milei corroeu brutalmente o poder de compra dos argentinos. O governo celebrou o dado como prova de que seu programa econômico está funcionando.

Mas os números oficiais de pobreza contam apenas parte da história. Especialistas alertam que a metodologia de medição da pobreza foi alterada no final de 2024, que os salários caíram em termos reais desde o início do governo Milei, que o desemprego subiu de 6,1% para 7,5% e que o número de pessoas morando nas ruas de Buenos Aires cresceu 57%. Enquanto o presidente posta nas redes que “os fatos se sobrepõem às narrativas”, filas de centenas de pessoas se formam semanalmente em refeitórios populares de bairros como Villa Fiorito o mesmo onde nasceu Diego Maradona.

De 50% para 28%: como a pobreza na Argentina caiu tão rápido nos números oficiais

A queda da pobreza nos dados oficiais tem uma explicação principal: a desaceleração da inflação. O governo atribui a redução da pobreza ao crescimento econômico, à queda nos preços dos alimentos e à manutenção de subsídios diretos, especialmente o chamado subsídio universal para crianças.

A lógica é que, com a inflação mais controlada, o poder de compra dos argentinos mais pobres deixou de se deteriorar no ritmo acelerado de 2024.

O pico de pobreza acima de 50% aconteceu logo após a posse de Milei, quando o governo promoveu uma desvalorização cambial agressiva que provocou um salto nos preços e empurrou milhões de argentinos para baixo da linha da pobreza de uma só vez.

A queda da pobreza desde então reflete, em grande medida, a normalização parcial após aquele choque e não necessariamente uma melhora estrutural na qualidade de vida da população. É a diferença entre “melhorar” e “parar de piorar”.

A mudança metodológica que faz a pobreza parecer menor do que é

No final de 2024, o Instituto de Estatística argentino implementou uma mudança metodológica na forma como mede a pobreza.

A nova metodologia passou a incluir certos auxílios estatais na contagem de renda das famílias o que, por definição, reduz o número de pessoas classificadas como pobres, mesmo que a situação real dessas famílias não tenha mudado. Analistas especializados em pobreza consideram que essa alteração exagera a queda nos índices.

Além disso, a medição oficial da pobreza na Argentina se baseia na comparação da renda familiar com uma cesta de consumo cujos parâmetros têm mais de duas décadas.

Críticos apontam que nem as estatísticas de pobreza nem as de inflação levam em conta o peso dos aumentos de tarifas de serviços públicos, energia e aluguéis despesas que cresceram substancialmente durante o governo Milei e que comprimem o orçamento real das famílias. Em outras palavras: a pobreza pode estar menor no papel, mas a vida não ficou mais barata.

Desemprego em alta, salários em queda e 57% mais pessoas nas ruas: o que os dados de pobreza não mostram

Enquanto a pobreza cai nos números oficiais, outros indicadores apontam na direção oposta. O desemprego na Argentina subiu de 6,1% para 7,5%, os salários caíram em termos reais quando ajustados pela inflação, o consumo está em queda, a indústria está em retração e os setores que crescem estão gerando poucos empregos.

As medidas de austeridade de Milei atingiram especialmente os funcionários públicos, que perderam postos em grande escala.

O dado mais revelador talvez seja este: segundo estatísticas oficiais da cidade de Buenos Aires, o número de pessoas morando nas ruas aumentou 57% desde o início do governo Milei.

Nos refeitórios populares, voluntários relatam que a demanda cresceu cerca de 300% e que pessoas que antes nunca haviam recorrido a esse tipo de assistência agora fazem fila por horas para garantir um prato de comida. A contradição entre a queda oficial da pobreza e o aumento visível da miséria nas ruas é o centro do debate econômico na Argentina.

Na casa onde Maradona nasceu, centenas fazem fila toda semana por um prato de comida

Em Villa Fiorito, bairro pobre de Buenos Aires onde nasceu a lenda do futebol Diego Maradona, centenas de pessoas fazem fila todas as semanas para receber um prato de comida em refeitórios mantidos por voluntários.

O proprietário da casa onde Maradona nasceu disponibiliza seu pátio para que trabalhadores humanitários cozinhem para os moradores do bairro uma cena que se tornou símbolo da contradição entre os números oficiais de pobreza e a realidade nas ruas.

María Torres, voluntária que prepara ensopados no local, relatou que a demanda explodiu: “Ultimamente a pobreza tem aumentado muito, porque vemos cada vez mais pessoas que antes nunca viriam a um refeitório”.

Segundo ela, há pessoas que chegam e esperam horas pelo prato de comida muitas delas recém-desempregadas que, envergonhadas, aparecem pela primeira vez em filas de assistência. “É algo que nunca nos tinha acontecido antes”, resumiu.

A pobreza caiu no papel, mas a Argentina ainda não sabe se melhorou de verdade

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A pobreza de 28,2% é a menor em sete anos na Argentina isso é fato. Mas também é fato que a metodologia mudou, que os salários caíram em termos reais, que o desemprego subiu, que o consumo e a indústria encolheram e que 57% mais pessoas estão vivendo nas ruas de Buenos Aires desde que Milei assumiu. A questão não é se a pobreza caiu ou não no papel é se a vida dos argentinos ficou de fato melhor.

Milei diz que está tornando a Argentina grande novamente. A oposição diz que as estatísticas mascaram a realidade.

E nas filas dos refeitórios de Villa Fiorito, as pessoas que esperam horas por um prato de comida provavelmente não estão consultando os dados do INDEC para saber se são oficialmente pobres ou não.

O que você acha: a queda da pobreza na Argentina é real ou é resultado de mudanças na forma de medir? E o modelo de austeridade de Milei pode funcionar no longo prazo? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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