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O garimpeiro que ouviu sobre o avanço da soja no Maranhão e abriu mercearia em Balsas em 1986 transformou aquela pequena loja no Grupo Mateus terceiro maior supermercado do Brasil com faturamento de R$ 43,5 bilhões e de 490 unidades

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 06/05/2026 às 21:55
Atualizado em 06/05/2026 às 21:57
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O garimpeiro Ilson Mateus Rodrigues fundou o Grupo Mateus a partir de mercearia de 50 metros em Balsas (MA) em 1986 e transformou a loja no terceiro maior supermercado do Brasil com faturamento de R$ 43,5 bilhões em 2025 e mais de 490 unidades em nove estados, segundo o Ranking ABRAS 2026.

A história de como um garimpeiro do interior do Maranhão construiu o terceiro maior supermercado do Brasil começa numa conversa no garimpo em 1986. Ilson Mateus Rodrigues, nascido em Imperatriz em 1963, trabalhava como garimpeiro quando ouviu que o avanço da soja estava transformando Balsas, no sul do Maranhão, na nova fronteira agrícola do país, informação que o levou a abrir uma mercearia de 50 metros quadrados na cidade naquele mesmo ano, aposta que em quatro décadas se tornaria o Grupo Mateus, rede que faturou R$ 43,5 bilhões em 2025 segundo o Ranking ABRAS 2026 e que hoje opera mais de 490 unidades em nove estados brasileiros. Antes de ser empresário, Ilson já havia trabalhado como engraxate e operário em fábrica de cachaça, trajetória que faz do garimpeiro maranhense um dos casos mais improváveis de ascensão empresarial da história do varejo brasileiro.

O Grupo Mateus é hoje o maior supermercado do Maranhão e o terceiro maior do Brasil, ficando atrás apenas do Carrefour e do Assaí segundo dados compilados pela revista Exame. A sede da empresa fica em São Luís, capital do Maranhão, e a rede que o garimpeiro fundou com uma mercearia no interior se expandiu para formatos que incluem supermercados convencionais, o atacarejo Mix Atacarejo criado em 2007, a padaria industrial Bumba Meu Pão e a rede de eletrodomésticos Eletro Mateus, diversificação que transformou o negócio de um único homem em grupo varejista com presença em nove estados do país. O faturamento de R$ 43,5 bilhões em 2025 posiciona o Grupo Mateus entre as maiores empresas do Brasil em receita, resultado construído a partir de estratégia que o garimpeiro desenvolveu observando o mercado nordestino e que combina proximidade com o consumidor de baixa renda com expansão agressiva por cidades de médio porte.

Como o garimpeiro transformou mercearia de 50 metros quadrados em rede de supermercados

A decisão de abrir a mercearia em Balsas não foi impulso: foi leitura de mercado que o garimpeiro fez a partir de informação que circulava entre trabalhadores do garimpo. O avanço da soja pelo cerrado maranhense na década de 1980 trouxe para Balsas produtores rurais, técnicos agrícolas e trabalhadores que precisavam de abastecimento básico, e Ilson identificou que a cidade cresceria antes de a maioria dos comerciantes locais perceber a oportunidade, posicionando sua mercearia como ponto de abastecimento para uma população que aumentava junto com a fronteira agrícola. Dois anos depois da abertura, em 1988, a loja de 50 metros quadrados já havia se transformado em supermercado de médio porte, crescimento que confirmou a visão do garimpeiro e que financiou os passos seguintes.

A criação do Armazém Mateus, voltado para o atacado, marcou a primeira diversificação do negócio que o garimpeiro iniciou em Balsas. Com o atacado, Ilson passou a abastecer não apenas o consumidor final mas também pequenos comerciantes da região, modelo que aumentava o volume de vendas e diluía custos operacionais, estratégia que seria replicada em cada cidade onde o Grupo Mateus se instalaria nas décadas seguintes. A lógica do garimpeiro era simples e eficaz: chegar antes dos grandes concorrentes em mercados que ainda não interessavam a redes nacionais, consolidar presença e fidelizar o consumidor local antes que a concorrência percebesse o potencial daquelas praças.

A expansão do Grupo Mateus por nove estados brasileiros

A rede do garimpeiro cresceu cidade a cidade numa trajetória que levou quase duas décadas para sair do interior do Maranhão e chegar à capital. Em 2000, Imperatriz, cidade natal de Ilson, ganhou sua primeira unidade e Balsas inaugurou um hipermercado. Em 2003, o Grupo Mateus chegou a São Luís, a capital maranhense, movimento que representou mudança de escala porque colocou a rede do garimpeiro em competição direta com supermercados de bandeira nacional num mercado urbano de mais de um milhão de habitantes. A chegada à capital não intimidou: o Grupo Mateus conhecia o consumidor nordestino melhor do que as redes do Sudeste que operavam em São Luís, vantagem que se traduziu em crescimento acelerado e na consolidação como maior supermercado do estado.

O atacarejo Mix Atacarejo, lançado em 2007, adicionou formato que impulsionou o crescimento do grupo fundado pelo garimpeiro. O modelo de atacarejo, que combina preços de atacado com acesso direto ao consumidor final, explodia no Brasil naquela época e o Grupo Mateus entrou no segmento com vantagem de já possuir estrutura logística e base de fornecedores construída ao longo de duas décadas no Nordeste. Em 2011, a entrada da família Duarte de Assis, de Minas Gerais, com 30% de participação no capital trouxe recursos e experiência que aceleraram a expansão para outros estados, e em 2020 a oferta pública de ações na B3 (bolsa de valores brasileira) permitiu ao grupo levantar capital no mercado financeiro para financiar o crescimento que o levaria a mais de 490 unidades em nove estados.

O que diferencia o supermercado do garimpeiro dos concorrentes nacionais

O Grupo Mateus se diferencia do Carrefour e do Assaí por ter construído sua base em mercados que os grandes concorrentes historicamente negligenciaram. Enquanto as maiores redes de supermercados do Brasil concentravam operações no Sudeste e no Sul, o garimpeiro expandia pelo Nordeste, pelo Norte e pelo interior de estados onde a concorrência era formada por supermercados regionais menores, estratégia que permitiu ao Grupo Mateus dominar praças antes de enfrentar competição de peso nacional. O conhecimento profundo do consumidor de baixa renda, que Ilson desenvolveu desde os tempos da mercearia em Balsas, se traduziu em sortimento de produtos, política de preços e localização de lojas calibrados para um público que as redes do Sudeste não entendiam com a mesma precisão.

A diversificação em marcas próprias e formatos diferentes fortaleceu a presença do grupo fundado pelo garimpeiro. A padaria industrial Bumba Meu Pão fornece pães para as próprias lojas e para terceiros, o Eletro Mateus opera no segmento de eletrodomésticos que complementa o varejo alimentar, e a combinação entre supermercados convencionais e atacarejo (Mix Atacarejo) permite que o grupo atenda desde o consumidor que compra poucos itens para a semana até o pequeno comerciante que abastece sua própria loja. O faturamento de R$ 43,5 bilhões em 2025 é resultado dessa diversificação que o garimpeiro iniciou quando percebeu que uma mercearia sozinha não seria suficiente para capturar todo o potencial comercial das cidades onde operava.

O que a trajetória do garimpeiro revela sobre o varejo brasileiro

A história de Ilson Mateus Rodrigues é excepcional pela escala do resultado, mas o padrão que ela segue é reconhecível no varejo brasileiro. Fundadores que começaram sem capital, em cidades pequenas, com lojas modestas e que cresceram reinvestindo lucro, expandindo para cidades vizinhas e diversificando formatos construíram algumas das maiores redes de supermercados do país, e o garimpeiro que abriu mercearia em Balsas em 1986 pertence à mesma linhagem de empreendedores que transformaram o varejo alimentar brasileiro nas últimas décadas. O diferencial de Ilson foi a velocidade com que leu o mercado (a conversa no garimpo sobre a soja em Balsas), a disciplina de expansão gradual (14 anos entre a primeira loja e a chegada à capital) e a disposição de abrir capital na B3 em 2020 para financiar crescimento que recursos próprios não sustentariam.

Com mais de 490 unidades em nove estados e faturamento que coloca o Grupo Mateus entre as maiores empresas do país, a rede fundada pelo garimpeiro continua em expansão. A trajetória de engraxate a garimpeiro a dono de supermercado bilionário não é roteiro que se repita com frequência, mas a decisão que Ilson tomou em 1986, de trocar a incerteza do garimpo pela previsibilidade do comércio, foi o ponto em que a história mudou, e os R$ 43,5 bilhões de faturamento em 2025 são medida de quanto rendeu aquela aposta feita numa mercearia de 50 metros quadrados no sul do Maranhão.

E você, conhecia a história do garimpeiro que fundou o Grupo Mateus? Já comprou em alguma loja da rede? Deixe sua experiência nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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