O Ministério de Minas e Energia instalou nesta terça-feira (22) o Grupo de Trabalho nº 19, responsável por discutir a infraestrutura necessária para trazer pequenos reatores nucleares modulares ao Brasil. O colegiado reúne órgãos governamentais, reguladores, empresas estatais e academia para definir locais de instalação, modelos de financiamento, gestão de rejeitos e formação de mão de obra qualificada.
O Brasil acaba de colocar oficialmente na mesa a discussão sobre reatores nucleares modulares, tecnologia que vem ganhando espaço no mundo como alternativa para diversificar matrizes energéticas e ampliar a segurança energética. O Ministério de Minas e Energia realizou a primeira reunião ordinária do GT-19, grupo de trabalho criado no âmbito do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro para avaliar os aspectos técnicos, regulatórios e institucionais necessários à inserção de pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla SMR, no país.
A iniciativa marca o início de um processo que pode levar anos, mas cujo primeiro passo é justamente mapear o que o Brasil precisa fazer para estar preparado. Entre os temas prioritários do GT-19 estão a definição de locais para instalação dos reatores, a gestão de rejeitos radioativos, a formação de mão de obra qualificada, os modelos operacionais, o financiamento, a seleção tecnológica e o desenvolvimento da cadeia de suprimentos. O subsecretário de Governança do MME, Dênis Soares, afirmou que a proposta é construir de maneira colaborativa as bases necessárias para a inserção dos SMR no Brasil, alinhando inovação, segurança e desenvolvimento energético.
O que são pequenos reatores nucleares modulares e por que o mundo aposta neles
Segundo informações divulgadas pelo porta Gov.br, os pequenos reatores modulares são usinas nucleares compactas, com potência significativamente menor que as grandes centrais tradicionais como Angra 1 e 2. Eles são projetados para serem fabricados em fábrica e montados no local de operação, o que reduz custos de construção e prazos de entrega em comparação com projetos convencionais que levam décadas para ficarem prontos. A modularidade permite instalar capacidade adicional conforme a demanda cresce, sem a necessidade de construir uma usina inteira de uma vez.
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No cenário internacional, os SMR são considerados alternativa relevante para países que buscam energia limpa e constante, sem depender de condições climáticas como sol e vento. Potências como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e França já avançam em projetos de reatores modulares, e a China inaugurou o primeiro SMR comercial do mundo em 2023. Para o Brasil, que já possui experiência nuclear com as usinas de Angra, a tecnologia representa uma oportunidade de expandir sua capacidade atômica sem repetir o modelo de megaprojetos que historicamente enfrentou atrasos e estouros de orçamento.
O que o GT-19 vai definir e quem participa das discussões
O GT-19 foi instituído pela Resolução CDPNB nº 43, de janeiro de 2026, e reúne representantes de diferentes segmentos do setor nuclear brasileiro. A reunião inaugural contou com participação de órgãos governamentais, da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, de empresas estatais, do setor produtivo e de instituições acadêmicas, configurando uma abordagem integrada que busca cobrir todos os ângulos do desafio.
Os temas que o grupo precisa endereçar são complexos e interdependentes. Definir onde instalar reatores exige estudos de segurança, impacto ambiental e proximidade com centros de consumo. Estabelecer modelos de financiamento requer diálogo com bancos de desenvolvimento e investidores privados. Selecionar a tecnologia mais adequada ao perfil brasileiro envolve comparar projetos de diferentes fornecedores internacionais. E formar mão de obra qualificada para operar reatores nucleares é um processo que leva anos e precisa começar antes que as usinas existam fisicamente.
Por que o Brasil precisa de energia nuclear se já tem sol, vento e água
A pergunta parece óbvia em um país que possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, mas a resposta está na segurança energética. Hidrelétricas dependem de chuva, e o Brasil enfrentou crises hídricas severas em anos recentes que elevaram o custo da energia e forçaram o acionamento de termelétricas a gás e óleo. Energia solar e eólica são intermitentes: geram eletricidade quando há sol e vento, mas não quando o consumo é maior, como no período noturno.
Os reatores nucleares operam 24 horas por dia, independentemente do clima, e podem funcionar por meses sem interrupção para abastecimento de combustível. Essa constância é o que os torna complementares às fontes renováveis, não concorrentes delas. Em uma matriz energética ideal, a nuclear ocupa o papel de base estável sobre a qual solar, eólica e hidrelétrica adicionam capacidade variável. Para o Brasil, que cresce em demanda de energia e precisa manter emissões baixas, os SMR representam uma opção que outros países já estão adotando.
Os desafios que o Brasil precisa superar para operar reatores modulares
Instalar pequenos reatores modulares no Brasil não é apenas uma decisão técnica. O país precisa atualizar seu marco regulatório nuclear, que foi desenhado para grandes usinas e não contempla as especificidades dos SMR. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear terá que desenvolver critérios de licenciamento adaptados à nova tecnologia, processo que envolve análise de segurança, proteção radiológica e planos de emergência diferentes dos aplicados a Angra.
A gestão de rejeitos radioativos é outro ponto sensível. Embora os SMR gerem menos resíduos que usinas convencionais, o Brasil ainda não possui repositório definitivo para lixo nuclear, e qualquer novo programa precisará equacionar essa questão antes de entrar em operação. O financiamento também é desafio: reatores modulares custam menos que grandes usinas, mas ainda exigem investimentos de centenas de milhões de dólares que precisam de garantias governamentais ou parcerias com o setor privado.
O que esperar do grupo de trabalho nos próximos meses
A expectativa é que o GT-19 elabore um documento consolidado com diretrizes e recomendações capazes de subsidiar decisões estratégicas no âmbito do Programa Nuclear Brasileiro. O grupo não vai construir reatores, mas vai definir as condições para que o Brasil possa recebê-los, um trabalho de planejamento que precede qualquer investimento concreto em infraestrutura.
O cronograma não foi divulgado em detalhes, mas o ritmo das reuniões e a complexidade dos temas sugerem que os primeiros resultados devem surgir ao longo de 2026. Para o Brasil, a criação do GT-19 acompanha o movimento internacional de expansão dos SMR e sinaliza que o país não quer ficar de fora de uma tecnologia que pode redefinir o setor de energia nas próximas décadas. A questão que permanece é se a velocidade das discussões será compatível com a urgência da transição energética que o mundo enfrenta.
Você acha que o Brasil deveria investir em reatores nucleares modulares ou concentrar recursos em solar e eólica? Conte nos comentários o que pensa sobre energia nuclear no país e se acredita que os SMR podem ser uma solução para a segurança energética brasileira.

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