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Brinquedos com IA que conversam, reconhecem rostos e coletam dados entram na mira do Governo por risco à privacidade das crianças no Brasil

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 07/07/2026 às 22:50 Atualizado em 07/07/2026 às 22:52
Robôs inteligentes com inteligência artificial exibidos em ambiente infantil, representando brinquedos conectados que utilizam câmeras, sensores e reconhecimento de voz, tema de alerta do Ministério da Justiça sobre privacidade e coleta de dados de crianças.
Robôs infantis equipados com inteligência artificial ilustram a nota técnica do Ministério da Justiça, que alerta para riscos de coleta de dados, manipulação emocional e necessidade de maior transparência na comercialização desses dispositivos.
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Nota técnica do Ministério da Justiça alerta para manipulação emocional, coleta de dados pessoais e falta de transparência em brinquedos inteligentes vendidos no Brasil

Brinquedos com inteligência artificial vendidos no Brasil entraram no radar do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Neste mês, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais, ligada ao MJSP, publicou uma nota técnica sobre possíveis riscos para crianças.

O documento aponta preocupação com manipulação emocional, coleta de dados pessoais e falta de clareza sobre o funcionamento desses produtos.

A análise recomenda que possíveis irregularidades sejam investigadas pelos órgãos responsáveis.

Nota técnica aponta riscos para crianças

A análise foi feita pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais, com participação de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Segundo o documento, alguns brinquedos podem estar em desacordo com regras previstas no ECA Digital.

Por esse motivo, a Sedigi recomenda fiscalização da Secretaria Nacional do Consumidor e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

A apuração deve verificar se fabricantes e lojas informam corretamente os riscos.

Também deve analisar como ocorre o tratamento dos dados pessoais coletados durante o uso dos brinquedos.

Robô inteligente em ambiente infantil ao lado de tablet, representando brinquedo com IA, sensores e conexão digital.
Robô infantil com inteligência artificial ilustra alerta sobre coleta de dados, sensores e privacidade de crianças.

Seis produtos vendidos no Brasil foram analisados

Para elaborar o estudo, a Sedigi avaliou seis dispositivos vendidos em marketplaces que atuam no Brasil.

Entre eles estão:

  • Loona, pet robótico;
  • EMO, robô de companhia;
  • Miko 3, robô educativo;
  • Aibi, pet robótico de bolso;
  • Amazon Fire HD Kid Pro, tablet para crianças de 6 a 12 anos;
  • Vector, robô autônomo.

Os produtos foram encontrados em plataformas como Amazon, Mercado Livre, Shopee, AliExpress, Magazine Luiza, eBay e Casas Bahia.

Coleta de dados preocupa autoridades

De acordo com a nota técnica, esses brinquedos costumam ter câmeras, microfones e sensores.

Esses recursos podem captar biometria facial, voz e características do ambiente doméstico.

Os dispositivos usam inteligência artificial para conversar, simular emoções e adaptar respostas ao comportamento da criança.

Com isso, segundo o documento, pode ocorrer uma coleta contínua de dados durante a interação.

O Ministério da Justiça também aponta que esse vínculo pode favorecer a manipulação emocional.

O uso excessivo dos brinquedos pode ser incentivado, principalmente quando há respostas personalizadas.

Casos internacionais reforçam alerta

A nota técnica também cita situações internacionais consideradas preocupantes.

Um dos exemplos é a boneca My Friend Cayla, proibida na Alemanha.

Autoridades alemãs concluíram que o brinquedo podia gravar conversas acessadas por terceiros.

Por causa disso, a boneca chegou a ser chamada de instrumento de espionagem.

O documento também menciona casos de vazamento de áudios de crianças envolvendo o robô Miko 3.

Loona usa ChatGPT, câmera e sensores

Entre os aparelhos analisados, o Loona recebeu destaque na nota técnica.

O pet robótico simula um animal de estimação e utiliza processamento de linguagem natural.

O dispositivo tem integração com o ChatGPT.

O brinquedo também usa sensores para mapear a casa e câmera para reconhecer usuários.

Segundo a análise, esse conjunto de recursos aumenta a necessidade de transparência para famílias e responsáveis.

Marketplaces também são citados

O Ministério da Justiça afirma que as plataformas de comércio eletrônico também têm responsabilidade sobre a venda desses produtos.

Segundo a pasta, os sites devem informar claramente quando um brinquedo usa inteligência artificial.

Embalagens e páginas de venda devem trazer avisos sobre acesso à internet.

Também devem indicar riscos à privacidade e necessidade de supervisão parental.

O documento conclui que há indícios de possíveis irregularidades sistêmicas.

Por isso, recomenda apuração formal, já que os fatos podem afetar direitos fundamentais de crianças e adolescentes.

O que dizem as empresas

O AliExpress informou que mantém diálogo aberto com autoridades reguladoras.

A empresa afirmou que trabalha conforme as leis dos países onde atua e exige o mesmo de seus vendedores.

O Mercado Livre declarou que acompanha as diretrizes do ECA Digital.

A empresa também afirmou que adota medidas de proteção para consumidores menores de idade.

Também disse que monitora anúncios e mantém colaboração contínua com autoridades públicas.

Já a Casas Bahia informou que possui uma área dedicada à regulamentação e compliance.

A companhia afirmou que adotou providências para impedir novas vendas dos produtos mencionados.

O que muda para pais e responsáveis?

A nota técnica do Ministério da Justiça reforça um alerta importante para famílias brasileiras.

Brinquedos com IA podem oferecer interação, educação e entretenimento.

No entanto, também podem coletar dados sensíveis e criar vínculos emocionais com crianças.

Por isso, a transparência das empresas e a fiscalização dos órgãos públicos se tornam pontos centrais.

Afinal, a tecnologia deve avançar sem comprometer a privacidade infantil, a segurança digital e os direitos de crianças e adolescentes.

Você acha que brinquedos com inteligência artificial deveriam ter regras mais rígidas antes de serem vendidos para crianças? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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