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Empresa que prometia transformar “pedras em diamantes” vende casas na Itália em ruínas a brasileiros por até 1 euro, some com a reforma prometida pelo Superbônus e deixa as vítimas com dívida no fisco italiano até 2028 e sem imóvel

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 07/07/2026 às 14:42 Atualizado em 07/07/2026 às 14:44
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Empresa vende casas na Itália em ruínas a brasileiros por até 1 euro, some com a reforma do Superbônus e deixa as vítimas com dívida no fisco até 2028; veja
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A reportagem da UOL ouviu 11 compradores, prefeitos e a procuradoria e revelou como o pacote de casas na Itália a preço de banana na Toscana virou um rombo financeiro para brasileiros que colocaram até a aposentadoria no sonho de morar na Europa

Comprar uma casa histórica na Toscana por menos que o preço de um carro popular parecia a chance da vida, mas para dezenas de brasileiros virou dívida e ruína. Segundo o canal UOL, em reportagem publicada em julho de 2026, uma empresa comandada por um brasileiro e um italiano vendia casas na Itália em vilarejos da Toscana por valores baixíssimos, com a promessa de reformá-las de graça por um incentivo fiscal do Estado, mas as obras nunca saíram do papel.

O slogan resumia a isca. A empresa, chamada Sonho It, prometia “transformar pedras em diamantes”, vendendo imóveis em ruínas por 1.000, 5.000 ou 10.000 euros que seriam reformados pelo programa Superbônus 110 do governo italiano, mas os compradores ficaram só com as pedras, porque os imóveis seguem abandonados até hoje, conforme a UOL mostra. A reportagem, fruto de dois meses de apuração das jornalistas Alicia Klein e Janaína César, ouviu 11 clientes lesados.

O sonho de “1 euro” que virou pesadelo

A promessa surfava numa moda real. Segundo a UOL, o pacote se apoiava na fama das casas de 1 euro na Itália, imóveis antigos vendidos por valores simbólicos em cidades que se esvaziavam, oferecidos aqui dentro de uma proposta de compra mais reforma que soava boa demais para ser verdade.

E era, na palavra dos próprios prefeitos das cidades. Um prefeito levou a repórter para conhecer cerca de 10 projetos da empresa, todos com placa da Sonho It e todos abandonados, e afirmou que aquilo era um golpe, um esquema em que os brasileiros caíram atraídos pelo preço irrisório dos imóveis, conforme a UOL registra. Numa só cidade, foram 15 propriedades vendidas a brasileiros, todas sem nenhuma obra feita.

O Superbônus 110 e os créditos que sumiram

Empresa vende casas na Itália em ruínas a brasileiros por até 1 euro, some com a reforma do Superbônus e deixa as vítimas com dívida no fisco até 2028; veja
A reportagem que revelou o esquema das casas vendidas a brasileiros.

O truque estava no mecanismo do incentivo. Segundo a UOL, o Superbônus 110 é um programa do governo da Itália para estimular reformas de imóveis antigos, e o modelo funcionava a partir de procurações que os compradores assinavam, permitindo à empresa acessar os créditos ligados às obras.

E é aí que o dinheiro escapava. Esses créditos fiscais, que valiam pelas reformas que deveriam ser feitas nas casas na Itália, podiam ser revendidos no mercado financeiro para bancos e investidores, e o caso está sob investigação justamente por suspeita de irregularidades na geração e no uso desses créditos, conforme a UOL detalha. Ou seja, o benefício que deveria bancar a obra virou um ativo negociado, enquanto a reforma prometida nunca aconteceu.

Casas em ruínas, dívida no fisco e financiamento até 2028

O prejuízo não parou na casa que não veio. Segundo a UOL, há gente que comprou em 2021 e 2022 e hoje aparece com créditos tomados em seu nome junto ao governo italiano, ou seja, uma dívida com o Estado sem ter a casa, e ainda sob o risco de ser responsabilizada se uma pedra dessas ruínas cair sobre alguém.

O impacto humano é pesado. Uma das vítimas colocou a aposentadoria no negócio, teve um burnout e paga um financiamento que vai até 2028 sem ter realizado o sonho da casa na Itália, e muitas das pessoas ouvidas já dão o dinheiro como perdido e evitam até falar do assunto pelo estresse que ele causa, conforme a UOL relata. O que era investimento virou uma âncora financeira e emocional que muitos carregam caladas.

11 clientes, 15 imóveis e prédios abandonados

Empresa vende casas na Itália em ruínas a brasileiros por até 1 euro, some com a reforma do Superbônus e deixa as vítimas com dívida no fisco até 2028; veja
A jornalista Alicia Klein detalha o caso no telejornal da UOL.

A dimensão do rombo aparece nos números da apuração. Segundo a UOL, a equipe conversou com 11 clientes, além de autoridades locais, procuradora e prefeitos, e reuniu milhares de documentos, contratos, fotos e vídeos dos imóveis que continuam em ruínas.

Os imóveis vendidos vinham embrulhados em histórias sedutoras. A empresa oferecia “joias” como uma casa que teria pertencido à irmã de Napoleão Bonaparte ou outra que teria hospedado soldados na Segunda Guerra, mas os compradores dizem que as obras jamais foram concluídas e as casas na Itália seguem esquecidas com as placas da empresa na porta, conforme a UOL mostra. Procurado, um dos sócios não respondeu, e o outro chegou a intimar a reportagem a apagar o áudio da entrevista.

A investigação e os 4 milhões de euros bloqueados

O caso agora corre na Justiça italiana. Segundo a UOL, a Procuradoria de Lucca investiga a empresa, com cinco pessoas apuradas e cerca de 4 milhões de euros em bens bloqueados, o que a Justiça conseguiu reter até agora diante de indícios de uma fraude milionária.

Recuperar o dinheiro, porém, é improvável. Como os créditos fiscais foram vendidos adiante para bancos e investidores, rastrear e reaver esse dinheiro é muito difícil, e um dos prefeitos, que se sente corresponsável por ter chancelado o projeto, estuda um programa de recompra para ao menos minimizar a dívida das vítimas, conforme o canal UOL no YouTube informa. Para a maioria, a esperança maior é que os responsáveis sejam punidos e que o alerta evite novas vítimas.

O sentimento de corresponsabilidade do poder público ajuda a explicar por que tanta gente confiou. Segundo a UOL, muitos compradores que ficavam na dúvida se o negócio era legítimo acabaram convencidos ao ver fotos dos empresários apertando a mão de prefeitos, um gesto que funcionava como um selo de aprovação informal e dava ao projeto uma aparência de chancela oficial que ele não tinha.

Por que as vítimas falaram, mesmo com medo

Convencer as vítimas a dar a cara a tapa foi parte do trabalho de dois meses. Segundo a UOL, muitas evitam até tocar no assunto pelo estresse e pela vergonha de terem perdido as economias, e falar publicamente expõe uma ferida ainda aberta para quem colocou a aposentadoria no negócio.

Ainda assim, o relato tem uma função de proteção coletiva. A reportagem destaca que a coragem de quem falou serve para blindar as próximas vítimas, alertando outros brasileiros tentados pelas mesmas ofertas de imóvel barato na Europa antes que percam suas economias no mesmo tipo de armadilha, conforme a UOL reforça. É o raciocínio de que expor o golpe, mesmo doloroso, vale mais do que o silêncio que deixa o esquema livre para achar novos alvos.

O que o caso ensina ao brasileiro que sonha com imóvel barato no exterior

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A história é um manual de precaução para o investidor. O sonho de comprar imóvel barato na Europa cresceu entre brasileiros nos últimos anos, impulsionado pelas campanhas de casas de 1 euro, mas o caso da Toscana mostra que preço simbólico costuma esconder custo alto de reforma, burocracia e, no pior cenário, fraude.

O recado vale para qualquer compra à distância. Antes de fechar um imóvel no exterior, o comprador precisa checar a idoneidade da empresa, entender exatamente como funciona o incentivo fiscal, desconfiar de procurações amplas que dão acesso a créditos em seu nome e nunca colocar a aposentadoria inteira num negócio que não pode visitar de perto, um alerta de consumo consolidado. As casas na Itália a preço de banana provam que, quando a oferta é boa demais para ser verdade, geralmente é mesmo.

O vídeo traz os relatos dos compradores, as imagens das casas na Itália em ruínas na Toscana, a explicação do Superbônus e o andamento da investigação na Procuradoria de Lucca.

O caso da Toscana prova que casa barata no exterior pode custar a paz e a aposentadoria de quem compra sem checar. Conta pra gente nos comentários: tu arriscarias comprar uma casa em ruínas na Itália confiando na reforma prometida?

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Bruno Teles

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