Num laboratório no interior da Austrália, um pequeno filhote listrado deu os seus primeiros passos e, com eles, devolveu ao mundo um animal que estava extinto há quase um século, num feito que parecia impossível e reacende um sonho antigo da ciência.
Poucos animais carregam tanta carga simbólica quanto o tigre-da-Tasmânia, ou tilacino. Esse marsupial carnívoro listrado, que lembrava um misto de cachorro e tigre, foi caçado até desaparecer, e o último exemplar conhecido morreu num zoológico em 1936. Desde então, ele virou o retrato mais doloroso de uma espécie que o ser humano apagou da face da Terra, lembrado em fotos antigas em preto e branco e em alguns poucos segundos de filme que ainda emocionam quem os assiste.
Agora, num laboratório na Austrália, cientistas anunciaram o nascimento do primeiro filhote considerado um substituto do tilacino, fruto de técnicas avançadas de genética que buscam recriar o animal. Ver aquele pequeno ser listrado dando os primeiros passos é, para muita gente, como assistir a um morto voltar à vida, e marca um dos capítulos mais surpreendentes da chamada de-extinção.
Trazer de volta o que parecia perdido para sempre
A ideia de ressuscitar uma espécie extinta sempre soou como pura ficção científica, daquelas de filme com dinossauros. Mas a de-extinção deixou de ser fantasia e virou um campo real da ciência, que mistura genética, edição de DNA e biologia reprodutiva. A estratégia não é clonar exatamente o animal antigo, e sim usar parentes vivos como base para recriar uma versão muito próxima do que se perdeu.
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Confesso que sinto uma mistura de encantamento e vertigem diante disso. Há algo de profundamente emocionante em corrigir, ao menos em parte, um erro que cometemos ao extinguir uma espécie. Mas também há um peso enorme nessa ideia de que agora temos o poder de decidir quem volta e quem fica para trás. O nascimento desse filhote de tigre-da-Tasmânia coloca esse poder, antes impensável, diretamente nas mãos da humanidade.

Como se recria um animal extinto
O processo por trás desse feito é tão complexo quanto fascinante. Os cientistas partem do DNA preservado do animal extinto, recuperado de exemplares guardados em museus, e o comparam com o de um parente vivo próximo. Em seguida, editam o genoma desse parente para que ele se aproxime o máximo possível do tilacino, recriando aos poucos as características que definiam a espécie perdida.
O resultado não é uma cópia perfeita do animal de 1936, mas um substituto muito parecido, que cumpre boa parte do papel que o original tinha na natureza. Esse tipo de abordagem é o que torna a de-extinção possível na prática, contornando o fato de que nenhum tilacino vivo restou para ser clonado. É genética de ponta a serviço de um sonho antigo, o de desfazer um desaparecimento.
Vale entender por que o tigre-da-Tasmânia foi escolhido como candidato a esse retorno, e não outro animal qualquer. Ele desapareceu há relativamente pouco tempo, o que significa que existe DNA bem preservado dele em coleções de museus, um ingrediente essencial para o trabalho. Além disso, ainda existe na Austrália um marsupial parente próximo que pode servir de base genética e até de mãe substituta para gerar os filhotes. Sem esses dois fatores, a empreitada seria praticamente impossível, e é por isso que nem toda espécie extinta é candidata realista à de-extinção: a ciência depende tanto do que sobrou guardado em frascos quanto do que ainda vive na natureza.

O debate que vem junto com o milagre
Por mais emocionante que seja, trazer espécies de volta levanta perguntas difíceis. Faz sentido gastar tanto esforço e dinheiro para reviver um animal extinto enquanto tantas espécies vivas hoje correm risco de sumir? O tigre-da-Tasmânia recriado vai encontrar um ambiente onde possa de fato viver, ou voltará a um mundo que já não tem mais lugar para ele? São questões que não têm resposta fácil.
Há também quem tema que a de-extinção passe uma mensagem perigosa, a de que extinguir não é tão grave assim, já que poderíamos simplesmente trazer os animais de volta depois. Os cientistas que defendem a técnica respondem que ela é uma ferramenta a mais para a conservação, e não uma desculpa para descuidar da natureza. Esse equilíbrio delicado entre esperança e responsabilidade está no coração de todo o debate.

Um filhote que carrega um século de história
Fico imaginando o silêncio emocionado no laboratório quando aquele filhote listrado se mexeu pela primeira vez, carregando nos seus passos quase um século de ausência e o peso de um erro humano sendo, de alguma forma, revisitado. É o tipo de cena que mistura ciência, emoção e um pouco de assombro diante do que nos tornamos capazes de fazer, um momento em que décadas de pesquisa se condensam no movimento frágil de um único bichinho.
O retorno do tigre-da-Tasmânia, ainda que como um substituto recriado, é um marco que vai muito além de um único animal. Ele anuncia uma era em que a extinção talvez deixe de ser necessariamente definitiva, abrindo possibilidades extraordinárias e dilemas igualmente grandes. Aquele pequeno filhote dando os primeiros passos não traz de volta só uma espécie, mas uma pergunta enorme sobre o tipo de poder que a humanidade agora segura nas mãos, e sobre a responsabilidade gigantesca que vem junto com a capacidade de desfazer a morte de toda uma espécie.
Trazer de volta um animal extinto é corrigir um erro do passado ou mexer demais com a natureza?

Emocionante, até agora estou chorando de felicidade, pois desde de quando vi a notícia de trazê-lo de volta, venho a implantado e torcendo pelo sucesso do projeto. Eu já quero ver é o vídeo dessa criatura tão esperada. E não existe reparo só grande erro pelo erro por parte dos indivíduos que os ex terminá-los.
Bravos humanos que se empenharam na busca de trazê-los de volta.
Parabéns aos investidores das pesquisas e aos biólogos do projeto.
Não estão corrigindo nenhum erro pois é uma nova espécie, pode ser bastante parecida? Sim, mas ainda assim é uma nova espécie.
No final o Tigre da Tasmania continua extinto, é triste pensar que uma espécie foi extinta tão “atualmente” mas ao invés de tentar trazer dos mortos algo que já se foi deveriam tentar preservar com mais vigor as espécies que continuam aqui mas que estão em terrível risco de extinção.
Cientificamente não existe “desextinção” o **** que nascer será um híbrido com alguma espécie…..será um mestiço.
Só seria possível se fossem encontrados embriões viáveis de uma fêmea da espécie, inseminados por um macho da espécie….