Programa Tolerância Zero promete mudar a realidade da orla carioca
A exploração do comércio ambulante por facções criminosas voltou ao centro das discussões no Rio de Janeiro após a prefeitura anunciar um amplo pacote de fiscalização para as praias da Zona Sul.Segundo informações divulgadas na terça-feira, 8 de julho de 2026, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou o Programa Tolerância Zero para combater a ocupação irregular do espaço público e a atuação do crime organizado na orla da cidade.
A informação foi divulgada pelo jornal O GLOBO em reportagem publicada em 8 de julho de 2026, com informações da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), da Secretaria Estadual de Segurança Pública e de representantes do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA). Conforme as autoridades, algumas facções criminosas chegam a cobrar entre R$ 200 e R$ 300 por dia de ambulantes para permitir que eles comercializem produtos na orla. Além disso, toda essa estrutura criminosa movimentaria aproximadamente R$ 100 milhões por ano.
Diante desse cenário, a prefeitura decidiu ampliar as ações de fiscalização. Ao mesmo tempo, pretende reforçar a presença das forças de segurança em áreas consideradas estratégicas. O objetivo é proteger moradores, turistas e trabalhadores que atuam dentro da legalidade.
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Segundo o município, o programa começará a funcionar no próximo dia 16 de julho. Além disso, as equipes atuarão 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Fiscalização terá atuação permanente nas praias da Zona Sul

O Programa Tolerância Zero reunirá diferentes órgãos municipais em uma operação contínua. Além disso, policiais civis e militares atuarão em conjunto com a Seop para ampliar a fiscalização.
Entre as principais medidas anunciadas estão:
- Patrulhamento ostensivo durante 24 horas;
- Implantação de pontos de controle de acesso;
- Ações preventivas em toda a orla;
- Apreensão de mercadorias sem comprovação de origem;
- Combate aos depósitos clandestinos utilizados pelo comércio irregular.
Segundo a prefeitura, as equipes já identificaram 22 depósitos clandestinos utilizados para armazenar mercadorias destinadas ao comércio irregular.
Por esse motivo, um decreto publicado no Diário Oficial determinou a desapropriação de dois imóveis, sendo um localizado em Copacabana e outro em Ipanema. Posteriormente, esses imóveis passarão a funcionar como depósitos oficiais de apoio às operações.
Além disso, as autoridades pretendem dificultar toda a logística utilizada pelas organizações criminosas para abastecer vendedores irregulares.
Cobrança diária movimentaria cerca de R$ 100 milhões por ano
Durante a apresentação do programa, o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, detalhou como funciona parte da exploração praticada por organizações criminosas.
Segundo ele, algumas facções exigem pagamentos entre R$ 200 e R$ 300 por dia dos ambulantes que desejam ocupar determinados pontos do calçadão e da faixa de areia.
Entretanto, essa cobrança representa apenas uma parte da atividade ilegal.
Além das taxas impostas aos vendedores, grupos criminosos também controlariam depósitos clandestinos, aluguel de equipamentos e outros serviços ligados ao comércio irregular.
Como consequência, toda essa estrutura movimentaria aproximadamente R$ 100 milhões por ano, conforme estimativas apresentadas pela prefeitura.
Durante o anúncio, o secretário estadual de Segurança Pública, Victor César Santos, afirmou que combater essas organizações é fundamental para preservar a segurança da população.
Além disso, ele destacou que a operação também busca proteger a imagem internacional do Rio de Janeiro.
Segundo o secretário, milhões de turistas visitam anualmente a orla carioca. Portanto, permitir que organizações criminosas explorem economicamente esse espaço compromete tanto a segurança pública quanto a atividade turística.
Ainda de acordo com Victor Santos, o crime organizado não pode transformar uma das regiões mais conhecidas do Brasil em uma fonte permanente de arrecadação ilegal.
Ambulantes protestam contra novas regras anunciadas pela prefeitura
Enquanto a prefeitura apresentava o novo programa de fiscalização, vendedores ambulantes organizaram uma manifestação em frente ao Centro Administrativo São Sebastião, sede do governo municipal, localizada na Cidade Nova. O protesto ocorreu na quarta-feira, 9 de julho de 2026, um dia após o anúncio oficial do programa pela prefeitura.
O ato foi organizado pelo Movimento Unido dos Camelôs (MUCA). Os manifestantes levaram cartazes, faixas, bandeiras e panelas. Além disso, ocuparam parte da Avenida Presidente Vargas e chegaram a se sentar no asfalto sob a passarela do metrô.
Como consequência, o trânsito apresentou lentidão para motoristas que seguiam em direção ao Centro pela Praça da Bandeira e pela Leopoldina.
Segundo Maria dos Camelôs, coordenadora-geral do MUCA, os trabalhadores defendem a regularização da categoria. Ao mesmo tempo, apoiam uma fiscalização eficiente contra criminosos. Entretanto, ela afirma que não é correto tratar todos os ambulantes como participantes de atividades ilegais.
De acordo com a representante do movimento, a prefeitura e os vendedores já mantêm negociações desde o início deste ano. Durante esse período, ambos discutem a criação de pontos autorizados para ambulantes na Zona Sul.
Além disso, outra reivindicação envolve a região da Escadaria Selarón, na Lapa. O local receberá um projeto de revitalização anunciado recentemente pelo município.
Maria também afirmou que casos de roubo, tráfico ou participação de criminosos devem ser investigados pelas autoridades competentes. Contudo, segundo ela, isso não justifica responsabilizar toda a categoria.
Regularização pode reduzir a atuação das facções
Durante o protesto, representantes do MUCA citaram a experiência realizada na região da Uruguaiana, no Centro do Rio de Janeiro.
Na ocasião, a prefeitura cadastrou 198 ambulantes que trabalhavam no local. Depois da análise, 75 vendedores receberam autorização para permanecer exercendo suas atividades.
Segundo o movimento, a medida trouxe resultados positivos.
Além da organização do espaço público, a fiscalização reduziu a cobrança ilegal realizada por grupos que exploravam financeiramente os trabalhadores.
Por esse motivo, representantes dos camelôs defendem que o mesmo modelo seja adotado em outras regiões da cidade.
Enquanto isso, a prefeitura afirma que o novo programa possui um objetivo mais amplo. A administração municipal pretende combater toda a estrutura econômica utilizada pelas facções criminosas na orla carioca.
Disputa entre facções reforçou necessidade da operação
Nos últimos dias, reportagens publicadas por O GLOBO mostraram que o chamado pacto de não agressão entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) deixou de existir em trechos das praias de Leme e Copacabana.
Segundo as informações divulgadas, a disputa pelo controle da região passou a envolver perseguições, revistas em celulares, homens armados circulando pelo calçadão e pela faixa de areia, além de conflitos relacionados ao tráfico de drogas e ao comércio ambulante.
Diante desse cenário, a prefeitura decidiu intensificar a presença das equipes de fiscalização.
Além disso, policiais civis e militares atuarão em conjunto para combater organizações criminosas que exploram economicamente vendedores informais.
Consequentemente, o município espera reduzir a cobrança ilegal de taxas, eliminar depósitos clandestinos e recuperar o controle dos espaços públicos.
O Programa Tolerância Zero começará oficialmente em 16 de julho de 2026. A operação funcionará de forma permanente nas praias de Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.
Segundo a prefeitura, o objetivo é fortalecer a fiscalização, ampliar a segurança e impedir que facções continuem lucrando com atividades ilegais em um dos principais cartões-postais do Brasil.
Na sua opinião, uma fiscalização mais rígida conseguirá enfraquecer a atuação das facções sem prejudicar os ambulantes que trabalham de forma regular?
