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Novo oceano está nascendo: cientistas detectam ruptura no continente africano onde três riftes se encontram, placas se afastam 15 mm por ano e pulsos do manto revelados após análise de 130 rochas indicam transformação geológica em curso

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 18/03/2026 às 15:41
Cientistas detectam lenta separação geológica na África oriental, onde três riftes se afastam 15 mm ao ano e podem dar origem a um novo oceano.
Cientistas detectam lenta separação geológica na África oriental, onde três riftes se afastam 15 mm ao ano e podem dar origem a um novo oceano.
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Região na Etiópia onde três grandes sistemas tectônicos se encontram em formato de Y concentra os estudos mais avançados sobre ruptura continental em curso no planeta, com amostras de rochas vulcânicas revelando que o manto terrestre pulsa de forma organizada e contínua sob o continente africano.

Pesquisadores voltaram a chamar atenção para um fenômeno geológico em andamento no leste da África: na região de Afar, na Etiópia, sinais indicam que a crosta terrestre está se rompendo lentamente, processo que, em milhões de anos, pode resultar na formação de um novo oceano.

A área é considerada um dos pontos mais ativos do planeta para estudar a dinâmica interna da Terra, onde três grandes riftes convergem — Mar Vermelho, Golfo de Áden e Grande Rifte Etíope — formando uma rara junção tectônica tripla em formato de Y.

Essa configuração em Y indica que as placas tectônicas estão sendo esticadas em três direções distintas ao mesmo tempo, criando fissuras profundas na crosta continental e configurando uma estrutura geológica excepcionalmente rara no registro planetário.

O manto que pulsa como um coração

Cientistas detectam lenta separação geológica na África oriental, onde três riftes se afastam 15 mm ao ano e podem dar origem a um novo oceano. Imagem: Pesquisa/Revista Nature
Cientistas detectam lenta separação geológica na África oriental, onde três riftes se afastam 15 mm ao ano e podem dar origem a um novo oceano. Imagem: Pesquisa/Revista Nature

Um estudo publicado na revista Nature Geoscience revelou que o processo é impulsionado por pulsos de material quente vindos do interior da Terra, com o manto sob Afar funcionando como um coração geológico que envia pulsações de rocha derretida em direção à superfície.

Pesquisadores coletaram mais de 130 amostras de rochas vulcânicas na região para analisar a composição química do material, e os resultados revelaram padrões repetidos que indicam uma dinâmica organizada dentro do manto terrestre, com assinaturas químicas distintas acompanhando cada pulso identificado.

“Descobrimos que o manto sob Afar não é uniforme nem estacionário. Ele pulsa, e esses pulsos carregam assinaturas químicas distintas. Essas pulsações ascendentes de manto parcialmente derretido são canalizadas pelas placas em rifte acima delas. Isso é importante para entendermos como o interior da Terra interage com sua superfície”, afirmou Tom Gernon, professor da Universidade de Southampton.

As faixas químicas identificadas nas amostras revelam que a pluma de manto pulsa de forma ritmada, comportando-se de maneira distinta conforme a espessura e a velocidade de movimento das placas acima, sendo mais regulares nos riftes que se expandem com maior rapidez.

Processo lento, mas de escala geológica

Os riftes do Mar Vermelho e do Golfo de Áden se afastam aproximadamente 15 milímetros por ano, velocidade equivalente a cerca de metade do ritmo de crescimento das unhas humanas, o que ilustra o caráter extremamente gradual do processo em curso na região de Afar.

“Isso muitas vezes se perde na comunicação. As pessoas veem isso e pensam: ‘Meu Deus, está se partindo!’ Não, é algo muito, muito lento. Posso repetir isso até ficar rouca, mas as pessoas ainda preferem o título sensacionalista”, afirmou Emma Watts, pesquisadora envolvida nos estudos sobre Afar, em entrevista à CNN.

Apesar do ritmo lento, as consequências em escala geológica são potencialmente notáveis: ao longo de milhões de anos, o processo pode permitir a entrada das águas oceânicas pelas fendas da crosta, formando um novo corpo marítimo que separaria o Chifre da África do continente.

Cientistas detectam lenta separação geológica na África oriental, onde três riftes se afastam 15 mm ao ano e podem dar origem a um novo oceano. Imagem: Pesquisa/Revista Nature
Cientistas detectam lenta separação geológica na África oriental, onde três riftes se afastam 15 mm ao ano e podem dar origem a um novo oceano. Imagem: Pesquisa/Revista Nature

Ao mesmo tempo, os cientistas ressaltam que o estudo de Afar tem implicações práticas para compreender vulcanismo de superfície, atividade sísmica regional e os mecanismos de fragmentação continental, processos que afetam diretamente as populações que habitam essas regiões hoje.

Afar revela pistas sobre a evolução humana

A região de Afar também tem revelado fósseis de grande importância para a compreensão da evolução humana, incluindo exemplares de hominídeos com milhões de anos que ampliam significativamente o conhecimento sobre as origens da espécie no leste do continente africano.

Em janeiro deste ano, pesquisadores anunciaram a descoberta em Afar de um fóssil de aproximadamente 2,6 milhões de anos pertencente ao gênero Paranthropus, popularmente conhecido como “Homem Quebra-Nozes”, exemplar que apresenta uma combinação incomum de características robustas e primitivas ao mesmo tempo.

“O fóssil mostra uma mistura de características. Ele é particularmente robusto e tem dentes grandes semelhantes aos das espécies posteriores de Paranthropus, mas também apresenta algumas características que podem ter sido herdadas de um ancestral menos especializado”, afirmou Fred Spoor, paleontólogo do Natural History Museum de Londres.

Para o pesquisador, o achado sugere que esses hominídeos eram mais adaptáveis e geograficamente dispersos do que se imaginava, revelando lacunas no conhecimento sobre a evolução humana em Afar no período entre 2,5 e 3 milhões de anos atrás.

Emma Watts destaca que Afar é uma janela única para processos normalmente confinados ao fundo oceânico, já que o novo assoalho em formação na região ainda não está submerso, permitindo que os pesquisadores observem diretamente o nascimento de um futuro oceano.

Por fim, Afar oferece uma oportunidade ímpar de observar as transformações mais profundas da geologia planetária e as pistas sobre as origens da humanidade, preservando tanto estruturas tectônicas raras quanto fósseis que reescrevem partes importantes da história evolutiva humana.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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