Estudo no Japão mostra que salas com teto acústico reduzem ruídos, melhoram a comunicação e diminuem o estresse em crianças da pré-escola.
Quando uma criança entra pela primeira vez em uma creche ou pré-escola, o desafio vai além do emocional. Um novo estudo feito no Japão aponta que a arquitetura da sala, especialmente a acústica, pode influenciar diretamente no bem-estar dos pequenos.
Ruído pode atrapalhar o aprendizado
No Japão, a maioria das salas de aula não possui nenhuma estrutura para absorver o som.
Isso gera ambientes com muita reverberação, o que dificulta a comunicação verbal entre professores e crianças.
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A situação é ainda mais crítica para os pequenos que estão em processo de aprender a falar e escutar.
Crianças pequenas têm dificuldade para filtrar sons. Quando não entendem o que está sendo dito, tendem a aumentar o tom de voz.
Isso cria um ciclo ruidoso que eleva o estresse de todos na sala, podendo resultar até em crises de choro.
“Esperamos que crianças em idade pré-escolar que ingressam na escola pela primeira vez normalmente se sintam estressadas pela dificuldade de comunicação verbal”, afirmou Ikuri Matsuoka, estudante de mestrado da Universidade Kumamoto.
Teste em duas salas diferentes
Para investigar o impacto da acústica, Matsuoka realizou um experimento de seis meses. Duas salas de aula foram comparadas: uma padrão e outra com teto adaptado com painéis de poliéster que absorvem o som.
O objetivo era avaliar se essa adaptação ajudaria a reduzir o barulho e melhorar a interação verbal.
Durante o estudo, foram feitas entrevistas com quatro professores e registradas imagens em áudio e vídeo.
Três dos professores disseram que perceberam mudança na reverberação. Uma professora com 25 anos de experiência relatou sentir-se mais à vontade para conversar com as crianças.
Para tornar a análise ainda mais precisa, Matsuoka e seu professor orientador utilizaram inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Com isso, criaram um sistema para detectar automaticamente episódios de choro, o que permitiu monitorar a evolução do comportamento infantil com mais eficiência.
Mais atenção à acústica escolar
Matsuoka defende que os resultados do estudo sirvam de alerta para educadores, arquitetos e responsáveis por políticas públicas.
A ausência de padrões acústicos em salas de aula pode afetar o desenvolvimento infantil, algo que ainda passa despercebido por muitos.
As conclusões serão apresentadas oficialmente nesta sexta-feira, 23 de maio, às 13h40 (horário central), na 188ª Reunião da Sociedade Acústica da América e no 25º Congresso Internacional de Acústica.
