A repercussão da estreia do primeiro caça Gripen produzido no Brasil ultrapassou fronteiras e provocou uma onda de comentários de argentinos, que reconheceram o avanço tecnológico e industrial brasileiro enquanto lamentaram a perda de capacidade estratégica do próprio país
A apresentação do primeiro caça F-39 Gripen produzido no Brasil marcou, nesta quarta-feira (25/03), uma nova etapa para a indústria de defesa nacional e para a Força Aérea Brasileira. A cerimônia foi realizada na unidade da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou do evento e batizou a aeronave.
O caça apresentado é o primeiro modelo supersônico do tipo fabricado em território brasileiro dentro da parceria entre a Embraer e a empresa sueca Saab. O programa prevê a aquisição de 36 aeronaves pela FAB, com parte delas sendo produzida no país, em um acordo firmado em 2014.
Entrega do primeiro caça F-39 Gripen produzido no Brasil
A entrega do primeiro caça F-39 Gripen montado no Brasil foi tratada como um marco para a soberania e para a indústria de defesa do país. A solenidade reuniu o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno.
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A apresentação ocorreu na manhã de quarta-feira (25), no aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto (SP). O evento marcou a exibição do primeiro caça supersônico F-39E Gripen produzido no país, dentro da nova fase do programa conduzido em parceria com a Saab.
Segundo as informações apresentadas durante a cerimônia, o modelo nacional é desenvolvido pela Embraer em cooperação com a empresa sueca. A iniciativa integra o programa de modernização da FAB e inclui transferência de tecnologia sueca e participação direta de engenheiros brasileiros na produção.
Ao todo, 15 das 36 aeronaves adquiridas pela Força Aérea Brasileira terão a montagem final realizada na planta da Embraer em território nacional. Outros 14 caças previstos no contrato atual com a FAB seguirão esse mesmo modelo de produção.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, afirmou que o cronograma do projeto FX-2 já previa que 2026 contemplaria as primeiras aeronaves produzidas no Brasil. Em sua declaração, ele disse que a entrega se tornou realidade e que o momento representa um feito histórico que emociona e permite sentimento de orgulho pela responsabilidade cumprida.
O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, destacou o peso estratégico da entrega do caça. Em seu discurso, ele afirmou que o roll out da aeronave FAB 4109 simboliza a transição do planejamento à execução e da expectativa à realidade.
Damasceno também declarou que a aeronave representa a plataforma de combate mais poderosa já incorporada à Força Aérea em toda a sua história. Segundo ele, a produção do Gripen em território nacional é uma conquista de toda a nação e a expressão real de um “Brasil Supersônico”, que avança rumo a voos cada vez mais elevados.
Capacidade operacional e modernização da FAB
O F-39 Gripen é descrito como um caça equipado com sistemas avançados de combate e alta capacidade de operação em diferentes cenários. A aeronave passa a ocupar um papel central no processo de modernização da Força Aérea Brasileira, substituindo os antigos caças F-5, de origem americana, que estavam em operação havia décadas.
De acordo com as informações divulgadas, o caça pode atingir velocidades de até 2,4 mil quilômetros por hora. Esse desempenho corresponde a cerca de duas vezes a velocidade do som e reforça o salto operacional representado pelo novo vetor.
A aeronave também possui autonomia de até duas horas e meia de voo. Além disso, conta com capacidade de reabastecimento em pleno ar, característica que amplia seu alcance operacional.
Em fevereiro deste ano, o caça foi colocado pela primeira vez em alerta de defesa aérea no país. Isso significa que a aeronave já pode ser empregada em missões reais e passou a assumir a responsabilidade pela proteção do espaço aéreo da capital federal.
A incorporação do modelo é tratada pela FAB como parte de uma nova etapa da defesa aérea brasileira. Para a instituição, a chegada do F-39 representa a incorporação de um vetor de última geração, com capacidade de elevar o nível operacional na proteção do espaço aéreo nacional.
Transferência de tecnologia, empregos e participação da indústria
A produção do Gripen no Brasil é apontada como uma estratégia de absorção de conhecimento técnico avançado. Esse processo abrange etapas ligadas à produção, ao suporte logístico e a futuras modernizações da aeronave.
Na prática, a iniciativa busca assegurar a internalização de tecnologia e fortalecer a Base Industrial de Defesa. O programa também amplia a autonomia estratégica do Brasil em um setor considerado de alta complexidade.
O impacto do Projeto F-X2 também foi destacado no campo socioeconômico. O programa é descrito como um dos principais projetos de transferência de tecnologia já realizados no país e possibilitou o treinamento de cerca de 350 engenheiros brasileiros na Suécia.
Além da qualificação profissional, o ecossistema criado em torno do projeto resultou na geração de mais de 12 mil empregos. Desse total, dois mil são diretos e 10 mil são indiretos.
Segundo as informações apresentadas, esse ambiente contribui para a retenção de talentos formados em instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica. O processo também reduz a dependência externa em setores estratégicos relacionados à indústria de defesa e tecnologia.
Com a fabricação em série do F-39 Gripen, o Brasil passa a ser o único país a produzir a aeronave fora da Suécia. Empresas nacionais e internacionais como AEL Sistemas, Atech e Akaer já participam da produção de sistemas aviônicos, estruturas e componentes estratégicos.
A cerimônia contou ainda com a presença de autoridades civis e militares, integrantes do Alto-Comando da Aeronáutica e representantes da indústria de defesa. Também participaram especialistas da Academia da Força Aérea, responsáveis por áreas que vão da manutenção aeronáutica à logística, comunicações e apoio operacional.
A participação desses profissionais ocorreu no mesmo dia em que se celebra o Dia do Especialista de Aeronáutica. A presença deles no evento reforçou o reconhecimento à dedicação, à competência e ao compromisso desses militares no funcionamento da Força Aérea Brasileira.
Repercussão em países vizinhos ao Brasil
A apresentação do primeiro caça F-39 Gripen produzido no Brasil também repercutiu em outros países da América Latina. Uma das manifestações descreveu o feito como histórico para toda a região e destacou que o primeiro Saab Gripen E fabricado no Brasil já voa e chegou a escoltar o avião presidencial.
Na mesma repercussão, o avanço foi relacionado ao fortalecimento da autonomia tecnológica brasileira e ao crescimento da indústria de defesa do país. O comentário ressaltou que o projeto, desenvolvido com a Saab, busca impulsionar a autonomia tecnológica e fortalecer a indústria de defesa brasileira.
Em Honduras, a repercussão foi apresentada em tom de destaque para o alcance regional da entrega. O registro classificou o episódio como a apresentação do primeiro caça supersônico produzido na América Latina e ressaltou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ato.
Nesse relato, o presidente brasileiro definiu o momento como um acontecimento histórico e simbólico. A declaração atribuída a Lula afirma que o episódio demonstra que o Brasil é um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania.
A Força Aérea Brasileira também apareceu na repercussão internacional ao afirmar que o desenvolvimento do avião de combate F-39 marca uma nova era na defesa aérea. O destaque recaiu sobre o fato de o contrato prever transferência de tecnologia e formação de profissionais brasileiros.
Outro ponto repercutido fora do Brasil foi a informação de que, das 36 aeronaves adquiridas pela FAB, 15 terão montagem final na planta da Embraer. A avaliação reproduzida em veículos estrangeiros sustenta que esse marco coloca o Brasil entre um grupo seleto de nações capazes de desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade, em um feito apontado como sem precedentes na América Latina.
Entre comentários de sul-americanos, a apresentação do caça brasileiro também provocou comparações com outros países da região. Um dos registros afirma que o Brasil superou a Argentina tecnologicamente e militarmente desde a década de 1970 e atribui esse quadro às decisões políticas argentinas.
Outro comentário menciona que, enquanto a Argentina vende em partes a engenharia construída ao longo de anos no projeto do reator CAREM, o Brasil continua apostando no desenvolvimento tecnológico dentro do próprio país. A mesma manifestação sustenta que a soberania industrial é uma das mais importantes que uma nação pode ter e conclui que, sem indústria, não há nação.
A repercussão regional se concentrou, portanto, em dois pontos principais. De um lado, o feito foi tratado como um marco industrial e tecnológico brasileiro; de outro, foi visto como um acontecimento com impacto para toda a América Latina.
Com a apresentação do primeiro caça F-39 Gripen produzido em território nacional, o Brasil inicia uma nova fase do programa de modernização da Força Aérea Brasileira. O avanço combina produção local, transferência de tecnologia, formação de profissionais e ampliação da participação da indústria nacional em um projeto estratégico de defesa.
