Astrônomos descobrem uma super-Terra a apenas 20 anos-luz da Terra, com água e temperatura semelhante à terrestre, um dos candidatos mais promissores à vida fora do Sistema Solar.
Um novo e promissor candidato na busca por vida fora da Terra acaba de ser identificado por astrônomos da Penn State University (EUA) e confirmado por observatórios da NASA e da ESA. O planeta, apelidado temporariamente de “Super-Terra HD 45652 b”, foi detectado no final de 2024 a uma distância de apenas 20 anos-luz do Sistema Solar, uma das menores distâncias já registradas para um exoplaneta com características potencialmente habitáveis.
Os resultados, publicados no Astrophysical Journal Letters e divulgados pela própria NASA, apontam que este corpo celeste possui cerca de quatro vezes a massa da Terra e uma composição predominantemente rochosa, com atmosfera densa e sinais de atividade geológica. Mas o que mais chamou atenção dos cientistas foi a sua localização: ele orbita uma estrela anã vermelha estável, dentro da chamada “zona habitável”, a faixa orbital onde a temperatura permite a existência de água líquida — ingrediente essencial para a vida como conhecemos.
A nova fronteira da astrobiologia
O HD 45652 b é classificado como uma super-Terra, termo usado para descrever planetas com massa entre 1 e 10 vezes a da Terra.
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A descoberta foi possível graças a uma combinação de dados do James Webb Space Telescope (JWST) e da missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), que identificou variações periódicas no brilho da estrela-mãe, indicando a passagem do planeta em sua órbita.
Segundo o astrônomo Dr. David Charbonneau, da Universidade de Harvard e colaborador do estudo, “a estabilidade da órbita e a radiação moderada da estrela fazem deste planeta um dos alvos mais promissores para observação direta com o Webb nos próximos anos”.
O período orbital é de 38 dias, e a temperatura estimada na superfície pode variar entre –10 °C e 40 °C, condições semelhantes às de regiões temperadas da Terra.
Possibilidade de vida e composição atmosférica
Usando espectroscopia de alta resolução, os cientistas detectaram indícios de dióxido de carbono e vapor d’água na atmosfera, o que aumenta significativamente o interesse no estudo do planeta.
Embora não haja confirmação da presença de oxigênio livre, o principal marcador biológico, o padrão de absorção detectado lembra o de planetas com intensa atividade vulcânica e oceânica.
“Se confirmada a presença de oceanos, poderemos estar diante do planeta mais parecido com a Terra já encontrado até hoje”, explicou Lisa Kaltenegger, diretora do Carl Sagan Institute (Cornell University).
A pesquisadora defende que este mundo pode se tornar “o principal alvo da próxima geração de telescópios habitacionais”, como o HabEx e o LUVOIR, missões planejadas pela NASA para a década de 2030.
Corrida por novos mundos habitáveis
A descoberta reforça o momento de efervescência da astronomia planetária. Desde 1995, quando o primeiro exoplaneta foi confirmado, mais de 5.600 mundos fora do Sistema Solar já foram catalogados, mas apenas uma fração está na zona habitável.
Nos últimos cinco anos, telescópios espaciais de nova geração têm permitido detectar planetas menores e mais próximos, inaugurando uma fase em que a busca por vida extraterrestre sai do campo da ficção e entra na precisão dos dados.
O planeta HD 45652 b agora integra o grupo restrito de mundos prioritários da NASA para observação contínua. Caso futuras medições confirmem a presença de oxigênio, metano ou clorofila, o achado poderá se tornar um dos marcos mais importantes da história científica contemporânea, redefinindo o entendimento sobre o nosso lugar no cosmos.

