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Nova lei sancionada no RJ cria botão de pânico em hospitais e clínicas para proteger médicos e enfermeiros

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 23/12/2025 às 08:15
Nova lei do RJ cria botão de pânico em hospitais e clínicas para combater agressões a profissionais da saúde. Saiba como funciona e quem será protegido.
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Nova lei do RJ cria botão de pânico em hospitais e clínicas para combater agressões a profissionais da saúde. Saiba como funciona e quem será protegido.

Trabalhar em hospitais e clínicas do Rio de Janeiro passa a exigir um novo tipo de proteção institucional. Com a sanção de uma lei pelo governador Cláudio Castro, unidades de saúde públicas, privadas e conveniadas serão obrigadas a contar com um botão de pânico.

A norma foi publicada no Diário Oficial na sexta-feira (19) e nasce em meio ao aumento de agressões contra profissionais que atuam diretamente no atendimento à população.

A proposta é simples, mas estratégica: permitir que médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem, vigias e outros trabalhadores acionem rapidamente a polícia em situações de risco.

Assim, o Estado busca reduzir o tempo de resposta diante de ameaças e tornar o ambiente hospitalar mais seguro.

Por que o botão de pânico virou prioridade no Rio?

A criação da nova lei não ocorreu por acaso. Casos de violência dentro de unidades de saúde se tornaram recorrentes e passaram a fazer parte da rotina de muitos profissionais.

De acordo com o deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), autor do projeto que deu origem à norma, a situação ultrapassou o limite do aceitável.

“Infelizmente essas situações não são pontuais. As agressões fazem parte do dia a dia desses profissionais”, afirmou.

Diante desse cenário, o botão de pânico surge como uma resposta direta a um problema estrutural que afeta tanto a saúde física quanto emocional dos trabalhadores.

O que diz a lei do botão de pânico?

A medida foi oficialmente batizada como Lei 11.070/2025, resultado do Projeto de Lei 1.975/2023.

O texto determina que estabelecimentos de saúde instalem um sistema capaz de acionar, de forma imediata, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).

Esse acionamento será feito por meio do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

O alerta enviado pelo botão de pânico deve informar a localização exata da ocorrência, além de notificar a segurança interna da unidade.

Na prática, isso significa que o pedido de ajuda não dependerá de ligações telefônicas ou intermediários.

Que tipos de violência permitem acionar o botão?

A lei adota um conceito amplo de violência contra profissionais da saúde.

São considerados episódios passíveis de acionamento do botão de pânico aqueles que causem morte, lesão corporal ou danos psicológicos e psiquiátricos.

Além disso, prejuízos patrimoniais e ameaças à integridade física ou aos bens do trabalhador também entram nessa definição.

Portanto, o dispositivo pode ser usado tanto em agressões consumadas quanto em situações de risco iminente.

Essa abrangência reconhece que a violência no ambiente de saúde nem sempre começa com contato físico.

Dados que escancaram a urgência da medida

Levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) ajuda a entender a dimensão do problema.

Segundo os dados, um médico é agredido a cada três dias no estado.

Cerca de 67% dessas agressões ocorrem na rede pública de saúde. As mulheres são as principais vítimas, representando 62,5% dos casos registrados no primeiro semestre de 2023.

Nova lei do RJ cria botão de pânico em hospitais e clínicas para combater agressões a profissionais da saúde. Saiba como funciona e quem será protegido.

Esses números reforçam a necessidade de ações preventivas e ajudam a justificar a criação da lei do botão de pânico.

Quem paga pela instalação do botão de pânico

A legislação também esclarece de onde virão os recursos para viabilizar a medida. A implantação do botão de pânico será custeada pelo orçamento anual da Secretaria de Estado de Saúde.

Além disso, o Fundo Estadual de Saúde (FES) poderá ser utilizado para cobrir despesas com instalação e manutenção dos sistemas.

Assim, o governo busca garantir que a exigência legal não fique apenas no papel.

Com a entrada em vigor da nova lei, profissionais da saúde passam a contar com um mecanismo direto de proteção dentro do local de trabalho.

A expectativa é que a resposta mais rápida ajude a conter situações de conflito antes que se agravem.

Além disso, a simples existência do botão de pânico pode funcionar como fator de inibição a comportamentos violentos.

Unidades mais seguras tendem a oferecer um ambiente melhor tanto para quem trabalha quanto para quem busca atendimento.

Dessa forma, a nova lei transforma segurança em política pública permanente, reconhecendo que cuidar de quem cuida também é uma responsabilidade do Estado.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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