Nova lei do RJ cria botão de pânico em hospitais e clínicas para combater agressões a profissionais da saúde. Saiba como funciona e quem será protegido.
Trabalhar em hospitais e clínicas do Rio de Janeiro passa a exigir um novo tipo de proteção institucional. Com a sanção de uma lei pelo governador Cláudio Castro, unidades de saúde públicas, privadas e conveniadas serão obrigadas a contar com um botão de pânico.
A norma foi publicada no Diário Oficial na sexta-feira (19) e nasce em meio ao aumento de agressões contra profissionais que atuam diretamente no atendimento à população.
A proposta é simples, mas estratégica: permitir que médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem, vigias e outros trabalhadores acionem rapidamente a polícia em situações de risco.
-
Flórida leva TikTok à Justiça e acusa a gigante chinesa ByteDance de ignorar lei que barra menores de 14 anos, enquanto pais e autoridades cobram mais proteção para crianças nas redes sociais
-
Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos; e agora?
-
Justiça confirma e agora dívidas antigas em execuções fiscais paradas há mais de 15 anos não poderão mais ser cobradas na via judicial nem administrativa
-
Igrejas podem ganhar nova isenção na reforma tributária, mas Fazenda alerta que brasileiros podem pagar mais imposto para compensar a perda de arrecadação
Assim, o Estado busca reduzir o tempo de resposta diante de ameaças e tornar o ambiente hospitalar mais seguro.
Por que o botão de pânico virou prioridade no Rio?
A criação da nova lei não ocorreu por acaso. Casos de violência dentro de unidades de saúde se tornaram recorrentes e passaram a fazer parte da rotina de muitos profissionais.
De acordo com o deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), autor do projeto que deu origem à norma, a situação ultrapassou o limite do aceitável.
“Infelizmente essas situações não são pontuais. As agressões fazem parte do dia a dia desses profissionais”, afirmou.
Diante desse cenário, o botão de pânico surge como uma resposta direta a um problema estrutural que afeta tanto a saúde física quanto emocional dos trabalhadores.
O que diz a lei do botão de pânico?
A medida foi oficialmente batizada como Lei 11.070/2025, resultado do Projeto de Lei 1.975/2023.
O texto determina que estabelecimentos de saúde instalem um sistema capaz de acionar, de forma imediata, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).
Esse acionamento será feito por meio do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
O alerta enviado pelo botão de pânico deve informar a localização exata da ocorrência, além de notificar a segurança interna da unidade.
Na prática, isso significa que o pedido de ajuda não dependerá de ligações telefônicas ou intermediários.
Que tipos de violência permitem acionar o botão?
A lei adota um conceito amplo de violência contra profissionais da saúde.
São considerados episódios passíveis de acionamento do botão de pânico aqueles que causem morte, lesão corporal ou danos psicológicos e psiquiátricos.
Além disso, prejuízos patrimoniais e ameaças à integridade física ou aos bens do trabalhador também entram nessa definição.
Portanto, o dispositivo pode ser usado tanto em agressões consumadas quanto em situações de risco iminente.
Essa abrangência reconhece que a violência no ambiente de saúde nem sempre começa com contato físico.
Dados que escancaram a urgência da medida
Levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) ajuda a entender a dimensão do problema.
Segundo os dados, um médico é agredido a cada três dias no estado.
Cerca de 67% dessas agressões ocorrem na rede pública de saúde. As mulheres são as principais vítimas, representando 62,5% dos casos registrados no primeiro semestre de 2023.

Esses números reforçam a necessidade de ações preventivas e ajudam a justificar a criação da lei do botão de pânico.
Quem paga pela instalação do botão de pânico
A legislação também esclarece de onde virão os recursos para viabilizar a medida. A implantação do botão de pânico será custeada pelo orçamento anual da Secretaria de Estado de Saúde.
Além disso, o Fundo Estadual de Saúde (FES) poderá ser utilizado para cobrir despesas com instalação e manutenção dos sistemas.
Assim, o governo busca garantir que a exigência legal não fique apenas no papel.
Com a entrada em vigor da nova lei, profissionais da saúde passam a contar com um mecanismo direto de proteção dentro do local de trabalho.
A expectativa é que a resposta mais rápida ajude a conter situações de conflito antes que se agravem.
Além disso, a simples existência do botão de pânico pode funcionar como fator de inibição a comportamentos violentos.
Unidades mais seguras tendem a oferecer um ambiente melhor tanto para quem trabalha quanto para quem busca atendimento.
Dessa forma, a nova lei transforma segurança em política pública permanente, reconhecendo que cuidar de quem cuida também é uma responsabilidade do Estado.

Seja o primeiro a reagir!