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“Norte do Rio pode virar uma Detroit”, afirma presidente da Petrobras ao criticar nova fórmula dos royalties, que amplia gastos, reduz margens e ameaça campos maduros da companhia

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 22/11/2025 às 15:17
Atualizado em 22/11/2025 às 23:46
Plataforma da Petrobras ao lado de estrutura industrial degradada com o Pão de Açúcar ao fundo, simbolizando o alerta de que o Norte do Rio pode “virar uma Detroit”.
Plataforma moderna da Petrobras contrasta com estrutura industrial abandonada no litoral do Rio de Janeiro, simbolizando o risco econômico citado pela presidente da estatal.
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Petrobras vê pressão financeira crescente enquanto mudança no cálculo dos royalties ameaça obras estratégicas e adia investimentos relevantes

O debate sobre o Preço de Referência do petróleo, aprovado pelo Congresso, intensifica tensões no setor, já que, segundo a presidente Magda Chambriard, a medida compromete diretamente a sustentabilidade de projetos essenciais da Petrobras. Além disso, ela ressaltou que a decisão pode afetar profundamente o futuro da Bacia de Campos, considerada estratégica para o Norte Fluminense.

Contexto regulatório que altera a base de cálculo do setor

A mudança no Preço de Referência foi incluída na Medida Provisória 1.304, e, conforme o texto aprovado, ela ajusta a base para o cálculo de royalties e Participação Especial pagos à União. Entretanto, Magda afirmou que, se não houver veto presidencial, haverá aumento imediato do valor repassado, o que pressiona o caixa da estatal. Ela explicou que o cenário é ainda mais delicado porque o setor enfrenta custos elevados e preços internacionais em patamar reduzido.

Impactos financeiros e operacionais sobre os projetos estratégicos

A presidente explicou que a elevação do Preço de Referência impacta diretamente o orçamento da Petrobras, porque amplia encargos e reduz margens de retorno. Além disso, ela destacou que a medida prejudica especialmente iniciativas de menor rentabilidade, como campos maduros e operações em terra. Conforme explicou, o Plano de Negócios 2026–2030 deve adiar a revitalização da Bacia de Campos e de Sergipe Águas Profundas, possivelmente para depois de 2030, o que compromete a continuidade de investimentos considerados essenciais.

Riscos econômicos para o Norte Fluminense

Magda comparou a situação à crise que atingiu Detroit, destacando que, sem compreensão regulatória, o Norte Fluminense pode enfrentar uma retração severa. Ela afirmou que a Petrobras vem realizando grande esforço para recuperar a Bacia de Campos, mas alertou que decisões desconectadas do cenário real podem provocar perdas socioeconômicas duradouras. Ela observou também que o preço atual do barril está cerca de US$ 20 abaixo do planejado no ciclo anterior.

Instabilidade jurídica e efeito dominó no setor

A executiva enfatizou que a mudança gera instabilidade jurídica, porque o Preço de Referência havia sido atualizado pela ANP menos de seis meses antes, após longo processo técnico. Além disso, ela afirmou que oscilações no mercado podem agravar incertezas: caso o petróleo alcance US$ 50, projetos podem ser cancelados; caso volte a US$ 70, iniciativas podem ser retomadas. Segundo ela, o Brent estava próximo de US$ 62, o que demonstra sensibilidade do planejamento às variações internacionais.

Efeitos sociais e impacto sobre fornecedores e empregos

Ela ressaltou que cada projeto adiado provoca perda de demanda para fornecedores, o que implica redução de atividades e oportunidades de trabalho. Além disso, Magda afirmou que a Petrobras tem buscado proteger a população ao adequar os preços ao mercado nacional, o que reduziu o valor do diesel, da gasolina e do querosene de aviação desde dezembro de 2022. Para ela, essas ações comprovam que a companhia equilibra retorno financeiro e bem-estar social.

Contraste entre refinarias públicas e privatizadas

Magda destacou que refinarias privatizadas na Bahia e no Amazonas têm praticado preços mais altos que as unidades da Petrobras. Além disso, ela afirmou que a desverticalização reduziu sinergias e ampliou custos, contrariando expectativas anteriores de redução de preços. Segundo ela, a estatal mantém valores menores sem comprometer sua saúde financeira.

O que o futuro reserva para a Petrobras e para o Norte Fluminense?

A situação exige equilíbrio regulatório para garantir que projetos estratégicos saiam do papel, porque cada atraso provoca impactos econômicos e sociais significativos. Entretanto, a decisão final dependerá de fatores regulatórios, de mercado e da maturidade de cada iniciativa.

Será que o setor conseguirá conciliar estabilidade regulatória, sustentabilidade econômica e preservação dos empregos na região, garantindo avanços duradouros?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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