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No Brasil, presídio de segurança máxima numa ilha a 700 metros do continente virou palco de massacre em 1952 com 9 guardas mortos e 129 presos fugindo pelas praias até ser desativado em 1955 em Ubatuba

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 25/02/2026 às 13:40
Presídio, Rebelião
Ruínas do presídio da Ilha Anchieta atualmente — Foto: Reprodução/ Parque Estadual da Ilha Anchieta
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Rebelião na Ilha Anchieta em 20 de junho de 1952 deixou 9 guardas mortos, 129 presos fugidos e marcou o primeiro grande massacre em prisão do Brasil a 700 metros do continente

No dia 20 de junho de 1952, o massacre em presídio ocorrido no Instituto Correcional da Ilha Anchieta, em Ubatuba, resultou na morte de 9 guardas, fuga de 129 detentos e impacto direto no sistema carcerário paulista, marcando a história penal brasileira.

Instalado a 700 metros do continente, em terreno íngreme, o Instituto Correcional da Ilha Anchieta funcionava como presídio de segurança máxima no litoral norte de São Paulo.

O local entrou para a história pelo primeiro grande massacre em presídio registrado no país.

Na manhã de 20 de junho de 1952, aproveitando expediente reduzido, presos assumiram o controle da unidade.

As festividades de São João deixaram apenas 17 funcionários civis e 28 militares em serviço, número insuficiente para conter 453 detentos.

Rebelião resultou em mortes, fugas e destruição da penitenciária

Durante a ação, presos libertaram companheiros, saquearam cofres, destruíram edificações e queimaram prontuários.

Nove guardas foram executados. O episódio consolidou-se como marco de massacre em presídio na história brasileira.

Ao todo, 129 detentos alcançaram as praias de Ubatuba. Outros 108 foram recapturados, 15 morreram e seis desapareceram. A rebelião evidenciou falhas estruturais e gerou repercussão imediata no sistema carcerário paulista.

Impacto no sistema prisional paulista após o massacre em presídio

O ocorrido acelerou projetos que já estavam em pauta. O episódio contribuiu para mudanças no sistema penitenciário do estado, diante da repercussão do massacre em presídio e de suas consequências institucionais.

Três anos depois, em 3 de setembro de 1955, o Instituto Correcional da Ilha Anchieta foi desativado. Uma semana mais tarde, o fato histórico foi retratado no filme Mãos Sangrentas, dirigido por Carlos Hugo Christensen, exibido no Festival de Veneza.

Carandiru superou números da Ilha Anchieta como maior massacre em presídio

Embora marcante, o episódio da Ilha Anchieta não foi o mais letal massacre em presídio do país. O caso mais sangrento ocorreu em 2 de outubro de 1992, no pavilhão 9 do Carandiru, em São Paulo.

Na ocasião, 111 presos foram mortos às vésperas das eleições municipais. O cenário incluía superlotação, violações de direitos e ausência de políticas estruturais.

Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães foi condenado a 632 anos, mas absolvido em 2006 pelo TJ-SP sob justificativa de estrito cumprimento do dever legal.

Com informações de Diário da Região.

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Romário Pereira de Carvalho

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