Navio MV Haidar segue submerso no porto de Vila do Conde, em Barcarena, dez anos após naufrágio com cinco mil bois e 700 toneladas de óleo, enquanto comunidades ainda relatam prejuízos econômicos
Dez anos após afundar no porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará, o MV Haidar permanece submerso com cinco mil bois mortos e 700 toneladas de óleo, deixando impactos ambientais e sociais.
MV Haidar segue no mesmo ponto do naufrágio
O navio de origem libanesa naufragou no porto de Vila do Conde quando tinha como destino a Venezuela. Até o fim de 2025, a embarcação continuava no mesmo local onde afundou.
O porto integra a rota marítima e está entre os principais do país, conectando a região Norte ao exterior. Mesmo assim, o caso permanece sem solução uma década depois.
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Desde 2015, várias tentativas foram feitas para retirar a embarcação do fundo do rio. Todas fracassaram, e o MV Haidar segue monitorado.
O Ministério de Portos e Aeroportos informou que avalia qual tipo de contrato é mais adequado. A pasta não apresentou prazo.
Praia perdeu turismo e comércio
Com o naufrágio, os animais mortos chegaram à praia de Vila do Conde, a 4 quilômetros do ponto onde o navio afundou. A cena marcou a comunidade.
Antes do acidente, a praia vivia do turismo e recebia de 600 a 800 visitantes por final de semana. Também chegavam ribeirinhos para vender peixe, camarão e açaí.
O medo da contaminação afastou o público, e a econômica da área nunca se reergueu. Uma década depois, a praia é descrita como fantasma do que já foi.
Henrique Carvalho, presidente da Associação dos Barraqueiros da Praia e Comerciantes de Vila do Conde, lembra que havia cerca de 15 barracas funcionando na região.
Comunidades sentiram perda de renda
Famílias impactadas receberam indenização após acordo com a empresa dona do navio. Para os moradores, o valor não compensou as perdas provocadas pelo naufrágio.
Henrique Carvalho afirma que cada pessoa de Vila do Conde recebeu R$ 3.290. Nas comunidades mais distantes, o valor foi menor. Para ele, a renda dos comerciantes era superior.
A agricultora Maria Andreia dos Santos conta que sobrevivia do comércio na praia. Ela fornecia coco aos barraqueiros, e compradores iam até a comunidade.
O ex-produtor rural João Dias dos Santos, presidente da comunidade de Acuí, lembra que moradores retiravam do igarapé peixe e camarão usados na própria alimentação. Com a contaminaçã, essa rotina foi afetada.
Danos sociais e ambientais
Laudos de órgãos ambientais comprovaram prejuízos ambientais e sociais. Comunidades tradicionais que dependiam da agricultura e da pesca foram atingidas diretamente pelo naufrágio do MV Haidar.
O Ministério Público Federal afirma que o navio não oferece mais risco de contaminação. Ainda assim, o caso mantém em discussão a falta de licenciamento ambiental no município.
O procurador da República Bruno Araújo Valente afirma que o distrito industrial de Barcarena ainda não tem licenciamento ambiental. Ele também cita ausência de programa mais amplo para monitorar ar e água.
Autoridades falam em monitoramento
A Companhia Docas do Pará informou que o naufrágio não comprometeu a continuidade da operação do Porto de Vila do Conde, que segue funcionando normalmente, apesar do berço interditado.
A CDP declarou que adotou medidas de gestão operacional para manter a atividade portuária e reduzir impactos econômicos. A companhia diz que o navio permanece monitorado e sem risco ambiental ativo.
Sobre a remoção, a CDP afirma que o tema segue em tratativas com órgãos competentes, considerando aspectos técnicos, jurídicos e ambientais.
A Secretaria de Meio Ambiente de Barcarena informou que realiza fiscalização, monitoramento e diálogo com autoridades para garantir proteção ambiental.
A Semas-PA declarou que faz fiscalizações constantes, aplica autos de infração quando identifica irregularidade e valida relatórios enviados por empresas do Distrito Industrial.
Com informações de G1.


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