O navio quebra-gelo Arktika opera no Ártico russo com dois reatores nucleares e 80.000 HP. Veja como ele mantém a Rota do Mar do Norte navegável.
O navio quebra-gelo Arktika se consolidou como uma das principais peças da estratégia russa para manter ativa a navegação no Ártico ao longo de todo o ano. Construído para operar em temperaturas de até -50 °C e em regiões de escuridão polar, o gigante nuclear lidera o Projeto 22220 e atua na abertura de corredores marítimos na chamada Rota do Mar do Norte, ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico pelo litoral ártico da Rússia.
Com 173,3 metros de comprimento, deslocamento de 33.540 toneladas e capacidade de romper camadas de gelo de até 3 metros de espessura, o Arktika foi projetado para permitir a passagem contínua de cargueiros, navios de minério e petroleiros de gás natural liquefeito que operam nos portos da Sibéria. A embarcação entrou em operação em outubro de 2020 e integra uma série de seis unidades administradas pela Rosatomflot.
Navio quebra-gelo Arktika foi criado para manter a rota ativa no inverno
A principal função do Arktika é garantir que a Rota do Mar do Norte permaneça navegável mesmo nos períodos mais severos do inverno polar. O trajeto é considerado estratégico porque reduz em até 40% a distância entre Europa e Ásia quando comparado ao percurso tradicional pelo Canal de Suez.
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Para transformar essa vantagem em operação prática, a Rússia precisou investir em embarcações capazes de enfrentar condições extremas. O Arktika foi desenvolvido justamente para abrir canais largos o suficiente para navios mercantes de grande porte atravessarem áreas congeladas do Ártico.
Além disso, o navio consegue operar continuamente em cenários de baixa visibilidade e gelo espesso, mantendo o fluxo logístico da região durante todas as estações do ano.
Dimensões e desempenho chamam atenção
Os dados técnicos do quebra-gelo colocam o Arktika entre os maiores e mais potentes navios de sua categoria. Em águas abertas, a embarcação pode atingir velocidade de até 22 nós, equivalente a aproximadamente 40,7 km/h.
Quando está operando sobre o gelo, o desempenho muda de acordo com a espessura da camada congelada. Em velocidade de cruzeiro, o navio consegue avançar sobre gelo de 2,8 metros. Já em velocidade reduzida, entre 1,5 e 2 nós, a capacidade chega a 3 metros.
Outro diferencial é o sistema de calado duplo, que permite adaptação a diferentes profundidades:
- 10,5 metros em mar aberto
- 9,03 metros em estuários rasos
Essa característica amplia a área de atuação do navio e facilita operações em regiões próximas aos portos do norte russo.
Reatores nucleares são o coração do navio
A força do Arktika vem de dois reatores nucleares RITM-200. Cada unidade produz 175 MW térmicos, somando 350 MW. Essa energia é convertida em 60 MW nos eixos do navio, potência equivalente a cerca de 80 mil cavalos.
O projeto do sistema nuclear foi desenvolvido para ocupar menos espaço e aumentar a eficiência operacional. Segundo informações da página do RITM-200, componentes como gerador de vapor, bombas do circuito primário e pressurizador ficam integrados ao próprio vaso do reator.

Essa configuração reduz peso, elimina tubulações externas e torna o conjunto mais compacto para aplicação naval.
Entre os principais detalhes do sistema estão:
- Cada reator possui 7,3 metros de altura
- O diâmetro chega a 3,3 metros
- O reabastecimento ocorre apenas a cada 7 anos
- O modelo é mais leve e mais potente que versões anteriores usadas em navios soviéticos
Além disso, o 11º reator RITM-200 foi concluído em 13 de maio de 2026 e será destinado ao futuro quebra-gelo Leningrad.
Frota do Projeto 22220 amplia presença russa no Ártico
O Arktika não atua sozinho. Ele lidera uma série de embarcações do Projeto 22220 construídas no Estaleiro Báltico, localizado em São Petersburgo.
A expansão da frota mostra o interesse russo em fortalecer sua estrutura marítima no Ártico em escala industrial.
Confira a situação das unidades até maio de 2026:
| Navio | Comissionamento | Status |
| Arktika | Outubro de 2020 | Em operação ativa |
| Sibir | Janeiro de 2022 | Em operação ativa |
| Ural | Novembro de 2022 | Em operação ativa |
| Yakutia | Dezembro de 2024 | Em operação ativa |
| Chukotka | Previsto para 2026 | Em construção |
| Leningrad | Previsto para 2028 | Em construção |
Enquanto isso, os novos navios em construção devem ampliar ainda mais a capacidade de escolta e abertura de rotas na região polar.
Navio quebra-gelo Arktika sustenta transporte de cargas estratégicas
O funcionamento contínuo da Rota do Mar do Norte depende diretamente da atuação dos quebra-gelos nucleares. Sem eles, grandes áreas marítimas permanecem bloqueadas durante boa parte do ano.
Na prática, o Arktika mantém ativos os corredores utilizados por:
- cargueiros
- navios de minério
- petroleiros de gás natural liquefeito (GNL)
Portanto, a embarcação desempenha um papel central na logística marítima do extremo norte russo.
Ao combinar autonomia elevada, grande potência e capacidade de operar em ambientes severos, o navio quebra-gelo Arktika se tornou um dos pilares da infraestrutura marítima construída pela Rússia para garantir presença constante no Ártico.
Com informações da Revista Forum


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