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Navio cargueiro colossal é colocado no mar para aspirar microplásticos de até 5 mm enquanto navega em rotas internacionais e usa sistema de separação por ciclone integrado aos circuitos internos

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 16/02/2026 às 15:45
Assista o vídeoNavio da MOL testa sistema que retém microplásticos de até 5 mm durante viagens e recebe selo de inovação da ClassNK no Japão.
Navio da MOL testa sistema que retém microplásticos de até 5 mm durante viagens e recebe selo de inovação da ClassNK no Japão.
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Tecnologia embarcada permite capturar microplásticos durante viagens comerciais sem interromper operações marítimas, utilizando sistema de separação por ciclone acoplado aos circuitos internos do navio e já reconhecido oficialmente por entidade japonesa de certificação naval.

Um navio mercante de grande porte passou a navegar com um dispositivo capaz de reter microplásticos presentes na água do mar sem interromper a operação, ao aproveitar a água que já circula pelos sistemas internos da embarcação durante viagens internacionais.

O equipamento foi testado a partir de junho de 2022 no porta-carros Emerald Ace, operado pela armadora japonesa Mitsui O.S.K. Lines (MOL), e recebeu em 21 de novembro de 2023 um endosso formal de inovação concedido pela sociedade classificadora ClassNK.

A proposta mira partículas com até 5 milímetros, faixa amplamente usada para definir microplásticos em materiais de referência internacionais, e tenta transformar um navio que já cruza oceanos em plataforma de captura durante o trabalho rotineiro.

Coleta de microplásticos durante a navegação comercial

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Em vez de depender de expedições específicas, barreiras na superfície ou estruturas voltadas para recolher detritos visíveis, o sistema opera enquanto o navio segue sua rota comercial, explorando o fluxo contínuo de água do mar que entra e sai de linhas internas.

Nesse desenho, a embarcação não “varre” uma área ao redor nem persegue objetos flutuantes, porque o recorte da tecnologia está ligado ao que é captado pelos circuitos do próprio navio, o que impõe um alcance definido pelo volume tratado.

Mesmo com esse limite operacional, a ideia chama atenção por atacar um tipo de poluição difícil de conter, já que microplásticos se espalham por regiões costeiras e também em mar aberto, muitas vezes fora do alcance de ações de limpeza visual.

Testes no porta-carros Emerald Ace e parceria japonesa

O desenvolvimento é atribuído à MOL e à Miura Co., Ltd., empresa japonesa de equipamentos industriais, que instalaram o sistema em caráter de demonstração no Emerald Ace, um porta-carros usado em rotas de longa distância e, portanto, adequado para avaliar o desempenho em condições reais.

A escolha desse tipo de navio segue uma lógica de escala e regularidade, porque essas embarcações percorrem trajetos repetidos ao longo do ano, o que permite comparar resultados entre diferentes regiões marítimas e períodos, sem alterar o cronograma comercial.

Os comunicados da empresa indicam que o sistema foi projetado para reduzir interferências na operação, justamente para que a coleta ocorra sem parar a navegação, e a fase de testes serve para confirmar estabilidade, eficiência e compatibilidade com rotinas a bordo.

Sistema de separação por ciclone integrado aos circuitos internos

Navio da MOL testa sistema que retém microplásticos de até 5 mm durante viagens e recebe selo de inovação da ClassNK no Japão.
Navio da MOL testa sistema que retém microplásticos de até 5 mm durante viagens e recebe selo de inovação da ClassNK no Japão.

O mecanismo descrito pelas organizações envolvidas usa separação por ciclone, método que induz um fluxo rotacional para concentrar partículas e facilitar a retenção, com a intenção de manter a operação contínua e reduzir riscos de entupimento em um ambiente de grande vazão.

Na prática, o dispositivo é conectado a uma linha que capta água do mar para resfriamento, aproveitando um circuito que já opera durante as travessias, e então separa os fragmentos para armazenamento, enquanto a água segue o percurso previsto.

O foco em microplásticos, e não em resíduos maiores como garrafas ou redes, marca uma diferença importante em relação a projetos de limpeza mais conhecidos, porque a captura ocorre em um ponto controlado do sistema, e não por recolhimento amplo na superfície.

Certificação da ClassNK e reconhecimento de inovação

A ClassNK, também conhecida como Nippon Kaiji Kyokai, informou ter concedido ao equipamento a certificação de Innovation Endorsement for Products & Solutions, um reconhecimento voltado a iniciativas consideradas inovadoras e avaliadas sob critérios técnicos e de segurança.

O comunicado da entidade cita o dispositivo do tipo ciclone e identifica as versões HQ-100/HQ100B, ressaltando a capacidade de coletar microplásticos enquanto o navio está em movimento, o que, no mercado marítimo, tende a reduzir barreiras para adoção futura.

Esse tipo de endosso não substitui políticas de redução na fonte nem iniciativas em rios e áreas costeiras, mas funciona como sinal de que a integração do equipamento ao navio foi analisada por uma instituição com papel reconhecido na certificação de embarcações.

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Monitoramento ambiental e coleta contínua em alto-mar

A MOL também apresentou a retenção como uma forma de obter material para análise e mapear a presença de microplásticos ao longo de rotas, já que a coleta contínua cria um fluxo regular de amostras, útil para comparar variações entre trechos e temporadas.

Ao mesmo tempo, os próprios comunicados indicam que o sistema trata a água que passa pelo circuito conectado, o que significa que não se trata de uma “aspiração” do oceano inteiro, e sim de uma captura limitada ao volume processado a bordo.

A iniciativa se encaixa em uma tendência de adaptar infraestrutura já existente para incorporar funções ambientais durante a operação, porque, quando um equipamento funciona sem exigir missões especiais, a discussão passa a girar mais em torno de replicação técnica do que de logística.

Se um navio que já atravessa oceanos consegue capturar microplásticos a partir de um circuito interno, que outras estruturas do cotidiano, em escala industrial, poderiam ser adaptadas para reduzir poluentes durante o funcionamento normal, sem depender de operações dedicadas?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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