O NAM “Atlântico” é o maior navio da Marinha do Brasil e atua em missões militares e humanitárias. Saiba sua origem, capacidades e importância para o país.
O maior navio da Marinha do Brasil, batizado como NAM “Atlântico”, foi oficialmente incorporado à frota brasileira no dia 29 de junho de 2018. A cerimônia de armamento ocorreu na Base Naval de Sua Majestade, em Plymouth, na Inglaterra. O navio, adquirido do Reino Unido, foi originalmente construído nos anos 1990 e operou por décadas na Marinha Real Britânica sob o nome HMS Ocean.
O processo de transferência envolveu treinamentos intensivos para os militares brasileiros, reformas estruturais e modernizações antes da chegada definitiva ao Brasil.
Mas a importância dessa aquisição vai muito além da estratégia militar: o navio tem papel fundamental em missões de paz, apoio a desastres naturais e operações humanitárias.
-
Enquanto navios gigantes ainda queimam combustível pesado e o setor marítimo corre contra metas climáticas, Maersk e Vale começam a apostar no etanol como nova rota para reduzir emissões no mar
-
China inicia construção do maior navio de GNL do mundo, gigante de 344 metros capaz de abastecer 4,7 milhões de casas por um mês, levar 271 mil m³ de gás e colocar QatarEnergy na maior encomenda naval já registrada na história mundial
-
A China está projetando um navio porta-contêineres com reator nuclear de tório que vai funcionar por 40 anos sem reabastecer, e o gigante de 25.000 contêineres do Jiangnan Shipyard vai cruzar oceanos sem emitir carbono numa indústria que queima 300 milhões de toneladas de combustível por ano
-
Um barco inteiro saiu da impressora 3D sem molde e sem emenda: robô gigante da CEAD cria cascos de até 12 metros em peça única, troca meses de estaleiro por código e coloca a construção naval diante de uma virada que parece ficção científica
O que é o NAM “Atlântico” e qual sua função na Marinha do Brasil?
O NAM “Atlântico” (Navio-Aeródromo Multipropósito) é atualmente o maior e mais versátil navio da Marinha do Brasil.
Além de ser a capitânia da Esquadra, ele foi projetado para cumprir uma ampla variedade de tarefas, entre elas:
- Controle de áreas marítimas estratégicas
- Projeção de poder pelo mar, terra e ar
- Operações anfíbias com helicópteros e tropas
- Apoio logístico e transporte de militares
- Missões humanitárias e auxílio em desastres naturais
- Suporte a operações de manutenção da paz
Seu nome remete à importância histórica do Oceano Atlântico para a formação e segurança do Brasil, além de homenagear as grandes navegações portuguesas que culminaram no descobrimento do país.
Origem britânica: décadas de serviço internacional antes de vir ao Brasil
Antes de se tornar o NAM “Atlântico”, o navio foi comissionado em setembro de 1998 como HMS Ocean.
Construído pela Kvaerner Govan e pela VSEL, operou por quase 20 anos a partir da base naval de Devonport, no Reino Unido.
Durante esse período, participou de importantes missões:
- Apoio humanitário no Kosovo e América Central
- Operação Palliser em Serra Leoa, no ano 2000
- Ações no Oriente Médio durante a Guerra do Iraque
- Operação Unified Protector, na Líbia, em 2011
- Operação Ruman, em 2017, socorrendo vítimas do furacão Irma no Caribe
Esse histórico reforça a vocação do navio para ações humanitárias e operacionais em áreas de conflito ou desastre.
Características técnicas do NAM “Atlântico” impressionam
O NAM “Atlântico” apresenta capacidades que ampliam consideravelmente o poder de projeção da Marinha do Brasil. Suas especificações são:
- Capacidade para transportar 806 Fuzileiros Navais
- Comprimento: 203,43 metros
- Convés com capacidade de operar até 7 aeronaves simultaneamente
- Deslocamento: 21.578 toneladas
- Hangar para 18 helicópteros
- Raio de ação: 8.000 milhas náuticas
- Velocidade máxima: 18 nós
O navio pode operar todos os helicópteros da frota da Marinha, como o Seahawk (SH-16), Cougar (UH-15), Lynx (AH-11B), Esquilo (UH-12/13), Bell Jet Ranger III (IH-6B) e o Super Puma (UH-14).
Importância geopolítica e humanitária para o Brasil
O contrato de aquisição foi assinado em fevereiro de 2018 pelo Almirante de Esquadra Luiz Henrique Caroli, representando a Marinha do Brasil, junto ao Ministério da Defesa britânico.
Desde então, a tripulação brasileira passou por treinamentos com especialistas britânicos e fabricantes dos sistemas embarcados.

Durante o período de transição, o navio também passou por manutenção e docagem em estaleiro britânico, garantindo que chegasse ao Brasil em plenas condições de uso.
Mais do que uma aquisição militar, o NAM “Atlântico” representa uma peça-chave na estratégia geopolítica do Brasil.
Sua capacidade de atuação em zonas de conflito, apoio a vítimas e participação em missões internacionais fortalece a imagem do país como agente ativo na cooperação internacional e na promoção da paz.
Além disso, em tempos de tragédias ambientais e desastres naturais, o navio serve como base flutuante de atendimento e transporte de recursos, ampliando a capacidade de resposta do Estado brasileiro.

Seja o primeiro a reagir!