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Na China, até quem pede esmola na rua já tem um QR Code, o dinheiro de papel praticamente desapareceu do cotidiano em apenas dez anos e o país inteiro passou a viver de pagamentos invisíveis pelo celular

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 28/05/2026 às 01:35 Atualizado em 28/05/2026 às 01:38
Na China, até quem pede esmola usa QR Code. O dinheiro de papel sumiu em dez anos. Pagamentos digitais dominam o cotidiano de 1,4 bilhão de pessoas.
Na China, até quem pede esmola usa QR Code. O dinheiro de papel sumiu em dez anos. Pagamentos digitais dominam o cotidiano de 1,4 bilhão de pessoas.
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A China eliminou o dinheiro de papel da rotina urbana em menos de uma década. Impulsionado por gigantes de tecnologia como Alipay e WeChat Pay, o sistema de pagamentos digitais via QR Code domina desde grandes varejistas até barracas de comida de rua, gorjetas e doações informais. Segundo informações divulgadas pelo portal da NSC, um empresário chinês de segunda geração radicado na Espanha revelou em entrevista ao programa Fuera de Cobertura que até pessoas em situação de rua na China utilizam QR Code para receber caridade, evidenciando que o dinheiro físico perdeu sua função no cotidiano do país mais digitalizado do mundo.

A China transformou a forma como 1,4 bilhão de pessoas lidam com dinheiro em um período que, para os padrões da história econômica, foi instantâneo. Em apenas dez anos, as cédulas de papel que movimentavam a maior economia da Ásia se tornaram praticamente irrelevantes no cotidiano urbano, substituídas por um sistema de pagamentos digitais via QR Code que funciona em qualquer lugar, de shoppings a mercados de rua. O exemplo mais extremo dessa transformação na China é a presença de QR Codes com pessoas em situação de rua, evidenciando que até a caridade foi absorvida por um ecossistema de pagamentos invisíveis que dispensa completamente o dinheiro físico.

A transição foi tão radical que um empresário chinês de segunda geração, entrevistado pelo programa espanhol Fuera de Cobertura conduzido por Alejandra Andrade, descreveu a China como “uma das nações mais capitalistas da atualidade”, onde a dinâmica social é movida essencialmente por transações financeiras digitais. O conteúdo registrou cenas do cotidiano em que vendedores ambulantes, motoristas de transporte informal e artistas de rua operam exclusivamente com QR Code, sem aceitar cédulas nem moedas.

Como a China eliminou o dinheiro de papel em dez anos

imagens ilustrativa/explicativa
imagens ilustrativa/explicativa

A revolução começou com dois aplicativos que se tornaram infraestrutura nacional: Alipay, do grupo Alibaba, e WeChat Pay, da Tencent. Essas plataformas transformaram o smartphone no único instrumento financeiro necessário para viver na China, permitindo que qualquer pessoa com um celular e uma conta bancária realizasse pagamentos instantâneos escaneando um QR Code.

A velocidade da adoção foi impulsionada por dois fatores. Primeiro, a China tinha uma população com baixa penetração de cartões de crédito, o que significa que o salto foi direto do dinheiro em papel para o pagamento digital, sem passar pela etapa intermediária dos cartões plásticos que dominou o Ocidente. Segundo, o governo chinês incentivou ativamente a digitalização como ferramenta de controle econômico e inclusão financeira, tornando o QR Code tão ubíquo na China que recusar pagamento digital passou a ser exceção, não regra.

O QR Code que chegou até a caridade de rua

O dado mais revelador sobre a profundidade da transformação digital na China é que pessoas em situação de rua passaram a exibir QR Codes para receber doações. Em um país onde quase ninguém carrega cédulas no bolso, pedir esmola com um chapéu ou uma lata se tornou inviável, e até a caridade precisou se adaptar ao sistema digital para continuar funcionando.

Esse fenômeno não é isolado. Músicos de rua, artistas de calçada e vendedores ambulantes em toda a China operam com QR Codes impressos em cartazes ou exibidos em telas de celular. A gorjeta em restaurantes, o pagamento ao taxista informal e até a contribuição para templos religiosos passaram a ser feitos digitalmente. Na prática, o dinheiro físico desapareceu de todas as camadas da economia urbana chinesa, das mais formais às mais informais.

A cidade chinesa que parece a Europa

A produção do programa Fuera de Cobertura visitou Qingtian, na província de Zhejiang, um município que se destaca pelos profundos laços culturais com a Espanha. Apelidada de “Pequena Europa” na China, a cidade exibe construções de estilo ocidental erguidas nas últimas duas décadas e abriga uma comunidade significativa de falantes de espanhol.

Um símbolo curioso dessa fusão cultural é uma escola dedicada à arte de entalhar presuntos, tradição que reforça a herança ibérica na região. Qingtian representa o lado menos conhecido da globalização na China: cidades do interior que absorveram influências europeias por meio de gerações de emigrantes que foram à Europa e voltaram trazendo costumes, arquitetura e hábitos alimentares do Ocidente.

O que a revolução digital da China ensina ao mundo

A eliminação do dinheiro físico na China não aconteceu por decreto governamental, mas por conveniência massiva. O QR Code se impôs porque era mais rápido, mais barato e mais acessível do que qualquer alternativa, e a velocidade com que a população adotou o sistema surpreendeu até os próprios criadores das plataformas.

Para países como o Brasil, onde o Pix já avança rapidamente na substituição do dinheiro em papel, a experiência da China oferece um vislumbre do que pode acontecer em menos de uma década quando a tecnologia certa encontra a escala certa. A diferença é que, na China, o sistema é controlado por empresas privadas sob supervisão estatal, enquanto no Brasil o Pix é operado pelo Banco Central. O resultado final, porém, caminha na mesma direção: um mundo onde o dinheiro de papel existe apenas nos museus.

Você sabia que na China até quem pede esmola na rua usa QR Code? Acha que o Brasil está seguindo o mesmo caminho com o Pix ou ainda estamos longe? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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