A caverna mais antiga do mundo, localizada na Austrália, pode ter se formado há cerca de 340 milhões de anos, período em que os continentes ainda estavam unidos e os dinossauros sequer existiam, revelando pistas raras da história geológica do planeta
Já imaginou caminhar pela caverna mais antiga do mundo, que já existia quando a Terra tinha um rosto completamente diferente? Sem dinossauros. Sem continentes separados. Apenas um planeta dominado por mares antigos e paisagens em transformação.
Esse cenário ajuda a explicar o impacto causado pelas Jenolan Caves, um sistema de cavernas localizado na Austrália que pode ter surgido há cerca de 340 milhões de anos.
Para muitos geólogos, esse número coloca o local entre os sistemas subterrâneos mais antigos já identificados. A descoberta não apenas surpreendeu pesquisadores, como também mudou completamente a forma como cientistas enxergam a formação de cavernas abertas.
-
Aos 15 anos, a jovem empreendedora Malu Lira saiu de Apuí, publicou 20 livros infantis de educação financeira, faturou R$ 2,6 milhões com o Grupo Malu Finanças e leva o projeto à floresta amazônica
-
“Vim ao velório, mas pensando no pão de queijo”: Andréia transformou cantina de cemitério no Rio em rede que faturou R$ 4,9 milhões, levou a Bomdiqueijo para o metrô e hoje faz quiosques de 8 m² girarem R$ 70 mil por mês enquanto lojas chegam a R$ 80 mil
-
Raposa rara que muitos temiam estar “desaparecida” é encontrada viva em ilha do Caribe após mais de duas décadas sem registros oficiais
-
Caminhões e escavadeiras despejaram uma montanha de cascalho nos rios da Austrália para reconstruir barreiras naturais e recuperar áreas devastadas por 150 anos de erosão
Durante décadas, especialistas acreditaram que essas estruturas eram bem mais jovens. Mas um estudo realizado em 2006 trouxe evidências que mudaram essa história.
O gigantesco labirinto subterrâneo na Austrália que guarda mais de 300 entradas e ambientes geológicos diferentes
As cavernas ficam em uma região montanhosa do estado de Nova Gales do Sul, dentro da área administrativa de Oberon Council.
O que existe ali não é apenas uma caverna isolada. Trata se de um enorme sistema subterrâneo formado por uma rede complexa de galerias naturais.
Pesquisadores já identificaram mais de 300 entradas conhecidas que levam a diferentes câmaras e túneis.
Cada área apresenta características próprias. Algumas cavernas possuem rios subterrâneos ativos que continuam moldando as rochas. Outras guardam piscinas naturais silenciosas formadas ao longo de milhares de anos.
Com o passar do tempo, o sistema ganhou formas variadas e ambientes distintos.
Entre eles aparecem cavernas esculpidas por rios, câmaras cheias de água subterrânea, grandes salões criados pelo colapso de rochas e espaços em formato de cúpula formados pela mistura de águas com temperaturas diferentes no subsolo.
Esse conjunto revela um processo geológico extremamente longo que começou muito antes da era dos grandes répteis.
O detalhe microscópico escondido na rocha que revelou a idade real dessas cavernas gigantes
Por muito tempo acreditou-se que as cavernas tinham sido escavadas recentemente pelos rios da região das Blue Mountains.
A mudança nessa teoria surgiu quando cientistas decidiram investigar algo quase invisível dentro das rochas.
Em vez de analisar apenas as formações calcárias, os pesquisadores estudaram minerais de argila presos no interior das cavernas.
Esses minerais surgiram quando cinzas vulcânicas antigas entraram no sistema subterrâneo e se cristalizaram ao longo do tempo.
A equipe utilizou uma técnica conhecida na geologia chamada datação potássio argônio. O método mede a transformação natural do potássio radioativo em gás argônio ao longo de milhões de anos.
Ao aplicar essa análise, os cientistas encontraram um resultado inesperado.
Os minerais indicaram que as cavernas já existiam há aproximadamente 340 milhões de anos.
Segundo o geólogo Dr Armstrong Osborne, da Universidade de Sydney na época da pesquisa, mesmo para padrões geológicos esse número é extraordinário.
Para entender a escala dessa idade, alguns marcos ajudam na comparação.
As Blue Mountains começaram a se formar cerca de 100 milhões de anos atrás.
A extinção dos dinossauros ocorreu há aproximadamente 65 milhões de anos. A ilha da Tasmânia se separou do continente australiano há cerca de 10 mil anos.
Esse contraste mostra por que o resultado surpreendeu até especialistas.

Sedimentos antigos mostram que a caverna mais antiga do mundo ficou enterrada durante longos períodos da história geológica
A pesquisa também revelou pistas sobre como as cavernas evoluíram ao longo do tempo.
Dentro do sistema foram encontrados sedimentos com diferentes idades.
Algumas dessas camadas apresentam registros geológicos estimados em cerca de 303 milhões de anos, 258 milhões de anos e 240 milhões de anos.
Esses dados indicam que o sistema subterrâneo ficou enterrado sob camadas de sedimentos da Bacia de Sydney durante grandes períodos da história do planeta.
Com o passar de milhões de anos, processos naturais removeram parte dessas camadas e permitiram que os espaços subterrâneos voltassem a se expandir.
Outro elemento importante nesse processo foi o rio Jenolan, cuja origem ultrapassa 200 milhões de anos.
Esse rio ajudou a escavar passagens subterrâneas e contribuiu para a formação de vales próximos, incluindo a região conhecida como McKeown Valley.
Fósseis marinhos preservados nas paredes revelam que o local já esteve coberto por um antigo oceano
Outro detalhe curioso aparece nas próprias paredes das cavernas.
Mesmo estando hoje a mais de 100 quilômetros do litoral atual, pesquisadores encontraram fósseis marinhos preservados nas rochas.
Entre eles aparecem vestígios de corais antigos, conchas, organismos semelhantes a caracóis chamados gastrópodes e estruturas associadas a esponjas marinhas conhecidas como stromatoporoides.
Esses registros mostram que a região já esteve coberta pelo mar em um passado muito distante.
Segundo especialistas, o ambiente provavelmente era um recife marinho tranquilo, habitado por diferentes formas de vida que prosperavam naquele oceano antigo.
Com as mudanças geológicas e a movimentação das placas tectônicas, o mar recuou e a paisagem começou a se transformar no sistema subterrâneo que existe hoje.
Muito antes da ciência moderna, povos indígenas já conheciam o significado dessas cavernas
A história das Jenolan Caves, a caverna mais antiga do mundo, também passa pela cultura dos povos originários da região.
O local fica dentro das terras ancestrais do povo Burra Burra, um clã da nação Gundungurra.
Para essa comunidade, as cavernas são chamadas Binoomeal, expressão que significa lugares escuros.
Existe ainda uma narrativa tradicional que explica a origem espiritual da região.
Segundo essa história, duas criaturas espirituais travaram uma batalha gigantesca pela paisagem local.
Uma delas era Gurangatch, descrita como um espírito semelhante a uma enguia. A outra era Mirragan, associada a um animal parecido com um quoll.
Após o confronto, Gurangatch teria procurado abrigo nas profundezas das cavernas para descansar e se recuperar.
Essa relação espiritual com o local atravessou gerações.
Relatos históricos indicam que até o século vinte alguns grupos indígenas levavam pessoas doentes até as cavernas para banhos nas águas subterrâneas, consideradas especiais para recuperação.
Hoje, as Jenolan Caves continuam chamando a atenção de cientistas e visitantes. O motivo é simples. Esse sistema subterrâneo preserva pistas raras sobre um planeta que existia centenas de milhões de anos antes da vida moderna surgir.
Se esse tipo de descoberta geológica te impressiona, deixe sua opinião nos comentários. Você visitaria uma caverna que começou a se formar centenas de milhões de anos antes dos dinossauros?
