Depósito milionário inesperado transforma rotina de motorista em caso nacional e gera disputa judicial após devolução imediata do valor.
Encontrar uma fortuna ao abrir o aplicativo do banco costuma aparecer apenas em histórias fictícias.
Para o motorista Antônio Pereira do Nascimento, porém, a surpresa foi real: um depósito de mais de R$ 131 milhões apareceu repentinamente em sua conta e, em poucas horas, transformou uma rotina comum em um enredo bancário improvável.
Ainda assim, mesmo devolvendo o valor de imediato, ele relata ter enfrentado cobranças e prejuízos inesperados.
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Segundo reportagem publicada pela TV Anhanguera, divulgada na última sexta-feira (28), Antônio percebeu que o valor milionário não tinha relação com sua vida financeira e procurou o banco para regularizar a situação.
A quantia tinha sido transferida equivocadamente pelo Bradesco, onde ele é correntista há cerca de 25 anos.
O motorista autorizou a devolução imediata do montante, encerrando rapidamente o episódio que poderia parecer um golpe de sorte, mas que acabou se tornando uma dor de cabeça prolongada.
Depósito milionário por engano: como o valor foi parar na conta
Em entrevista concedida à própria TV Anhanguera, ele relatou que o depósito, que ultrapassou R$ 131,8 milhões, havia entrado em uma conta de outro banco.

Ao receber o saldo repentino, aquela instituição teria reclassificado sua conta como “VIP” devido ao movimento atípico.
Depois disso, surgiram tarifas que ele não pagava antes.
De acordo com a apuração do telejornal, a mensalidade, que era de cerca de R$ 36, teria saltado para aproximadamente R$ 70.
Antônio descreveu a indignação com a mudança inesperada.
Em suas palavras, registradas pela emissora, ele questionou: “O dinheiro não era meu. Eu não devolvi para vocês? E vocês ainda me colocam na tarifa mais cara.”
Embora tenha tratado o episódio com bom humor em diversas entrevistas, ressaltou que nunca teve contato com valores que chegassem perto daquela soma.
Ele costuma dizer que quantias assim só apareceriam em sua vida “se ganhasse na Mega-Sena”, embora sequer tenha o hábito de fazer apostas.
Ainda conforme apontado pela TV Anhanguera, o valor depositado por engano pertencia ao próprio banco e não a um cliente específico.
A defesa de Antônio reforça que a conta chegou a ser reclassificada de imediato, mas afirma que as tarifas só foram revistas posteriormente, quando ele já havia arcado com cobranças que considera indevidas.
Tarifas, prejuízo e repercussão após devolução do valor
O impasse levou o motorista a buscar amparo judicial. A ação movida por ele tramita na 6ª Vara Cível de Palmas e foi protocolada em julho de 2024.
No processo, Antônio pede 10% do valor que entrou indevidamente em sua conta, algo em torno de R$ 13 milhões, além de indenização por danos morais.
A defesa utiliza como base o artigo 1.234 do Código Civil, que prevê recompensa para quem devolve coisa achada, em percentual não inferior a 5%.
Em fevereiro de 2025, ocorreu uma audiência de conciliação, mas não houve acordo entre as partes.
Os advogados informam que testemunhas já foram indicadas e que o processo aguarda a audiência de instrução, ainda sem data fixada.
Até o momento, segundo a emissora que revelou os novos desdobramentos na última sexta-feira (28), o banco não apresentou proposta de acordo.
A repercussão do caso ultrapassou o campo jurídico. Logo após o depósito equivocado, a história ganhou espaço em diferentes veículos de comunicação e chegou ao entretenimento.
Quem é o motorista que virou destaque nacional
Em agosto de 2023, Antônio participou do quadro Acredite Em Quem Quiser, no programa Domingão, da TV Globo, onde personagens contam relatos curiosos para que os participantes tentem descobrir quem fala a verdade.
Por trás da curiosidade nacional, o episódio abriu discussões sobre responsabilidade bancária e transparência em erros operacionais.
A legislação brasileira determina que valores creditados indevidamente devem ser devolvidos, mas também prevê mecanismos de recompensa em situações específicas.
Especialistas destacam que reclassificações de contas ou cobranças de tarifas só podem ocorrer com consentimento claro do cliente, ponto que ajuda a explicar a disputa que agora se arrasta na Justiça.
Enquanto o processo segue em curso, o motorista continua trabalhando em Palmas e convivendo com o impacto de um erro que durou pouco tempo no extrato, mas muito mais na vida real.
E você, ao se deparar com um depósito milionário que apareceu sem explicação, tomaria qual atitude antes de procurar o banco?
