Montadora Mercedes-Benz altera processo de montagem, abandona cola industrial e adota parafusos para reduzir custos de conserto e facilitar reciclagem de veículos.
A Mercedes-Benz anunciou uma revisão profunda em sua engenharia de produção ao decidir eliminar o uso de cola industrial na fixação de peças e adotar parafusos convencionais.
A mudança começa pelos faróis, afeta diretamente o custo de manutenção dos veículos e integra uma política global da montadora voltada à economia circular, com foco em reparabilidade, reaproveitamento de materiais e redução de impactos ambientais.
Um problema invisível para quem compra o carro
Para o consumidor, a forma como um veículo é montado raramente chama atenção no momento da compra.
-
Volkswagen vai deixar de fabricar esses modelos e cortar 1 milhão de carros da produção até 2030, enquanto elimina 50 mil empregos, reduz plataformas e aposta em veículos que realmente dão lucro no mercado
-
Toyota estreia no Brasil seu primeiro carro 100% elétrico com 343 cv, tração integral, autonomia de 361 km e preço de R$ 419.990, mas apenas 99 compradores poderão levar o bZ4X para casa
-
SUV chinês faz 24,4 km/l, supera o Toyota Yaris Cross nos testes reais, entrega 224 cv com sistema híbrido, tem tanque de 51 litros para maior autonomia e ainda custa até R$ 5 mil menos.
-
Uber Black passa por grande mudança, exclui dez modelos de carros e determina prazo final para o elétrico BYD Dolphin
No entanto, essa decisão técnica pode se transformar em dor de cabeça anos depois.
Em modelos mais recentes, a colagem definitiva de componentes impede desmontagens simples.
Como resultado, danos pontuais levam à troca completa de conjuntos inteiros, mesmo quando grande parte da peça continua em perfeito funcionamento.
A Mercedes decidiu enfrentar esse problema de frente.
O retorno dos parafusos muda a lógica na oficina da Mercedes-Benz
Ao substituir a cola por fixações mecânicas, a montadora permite que componentes sejam removidos sem causar danos estruturais.
Isso muda completamente a dinâmica dos reparos.
Nos faróis, por exemplo, oficinas poderão intervir apenas na parte afetada, preservando módulos eletrônicos e sistemas internos.
O resultado direto é a redução do valor cobrado no conserto e menor descarte de peças.
Esse novo padrão também tende a ampliar a vida útil dos componentes.
A decisão não foi tomada apenas por questões econômicas. A Mercedes-Benz também apontou ganhos ambientais relevantes.
A cola industrial dificulta a separação de materiais durante a reciclagem.
Com parafusos, a desmontagem ocorre de forma limpa, permitindo que plástico, vidro e metal sigam para reaproveitamento adequado.
A fabricante estima que essa alteração no projeto pode reduzir pela metade as emissões de CO₂ associadas a determinadas peças, além de elevar o índice de recuperação de materiais.
Circularidade deixa de ser conceito e vira prática
A mudança faz parte da estratégia chamada Design para a Circularidade, que orienta os projetos da marca desde a concepção até o descarte do veículo.
Nesse modelo, cada peça precisa ser fácil de desmontar, reutilizar ou reciclar.
A ideia é romper com a lógica linear de produzir, usar e descartar, adotando um ciclo contínuo de reaproveitamento.
Esse conceito vem sendo expandido gradualmente para diferentes áreas do carro.
Além da troca na fixação, a Mercedes também trabalha para reduzir o uso de materiais compostos, que misturam diferentes tipos de plástico e dificultam a reciclagem.
A preferência agora é por monomateriais, que podem ser reciclados com mais eficiência e reaplicados sem perda de qualidade.
Hoje, alguns reservatórios de veículos da marca já são produzidos com plástico totalmente reciclado, enquanto partes externas, como para-choques, incorporam porcentagens de 25% de material reaproveitado.
Uma decisão técnica com efeito prático para o consumidor da Mercedes-Benz
Embora pareça um detalhe de engenharia, a troca da cola por parafusos traz reflexos diretos para quem dirige.
Reparos mais simples, custos menores e menor impacto ambiental passam a fazer parte da equação.
Ao rever práticas consolidadas da indústria, a Mercedes-Benz sinaliza uma mudança de mentalidade.
Em vez de soluções definitivas e pouco flexíveis, a marca aposta em projetos mais inteligentes, que consideram manutenção, reciclagem e sustentabilidade desde o início.
Com informações do site AutoPapo.
