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Minerador de 42 anos ficou 14 dias preso a 300 metros de profundidade em mina de ouro inundada no México — quando mergulhadores o encontraram com água na cintura, ele disse: ‘Eu não perdi a fé’

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 23/04/2026 às 06:00 Atualizado em 23/04/2026 às 06:03
Francisco Zapata sendo resgatado após 14 dias preso em mina inundada no México
Francisco Zapata é resgatado após 14 dias preso a 300 metros em mina de ouro inundada em Sinaloa, México. Foto: AP via ABC7
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O resgate do minerador no México mobilizou 300 pessoas e durou 14 dias — Francisco Zapata sobreviveu a 300 metros de profundidade em uma mina de ouro inundada em Sinaloa, com água na cintura e sem luz

No dia 25 de março de 2026, o minerador no México Francisco Zapata Nájera, de 42 anos, trabalhava no interior da mina de ouro Santa Fe, no município de El Rosario, estado de Sinaloa.

Naquele momento, uma barragem de rejeitos rompeu. Em questão de minutos, água, lama e sedimentos invadiram os túneis a 300 metros de profundidade.

Dos 25 mineradores que estavam na mina, 21 conseguiram escapar por conta própria. Porém, quatro ficaram presos.

Ou seja, Francisco Zapata era um deles — e passaria quase 14 dias no escuro total, sem saber se alguém viria buscá-lo.

Como 300 resgatistas tentaram alcançar o minerador no México por mais de 300 horas

A operação de resgate mobilizou cerca de 300 pessoas, incluindo mergulhadores do Exército Mexicano (Sedena), equipes da Proteção Civil e voluntários da região.

Além disso, os resgatistas instalaram 3 quilômetros de cabos elétricos para iluminar os túneis inundados e posicionaram bombas de alta capacidade para drenar a água.

Na prática, cada metro avançado representava um risco: as paredes podiam desabar a qualquer momento, e a lama tornava a visibilidade quase nula.

Mesmo assim, câmeras e cães de busca foram enviados para dentro dos túneis, tentando localizar os quatro homens desaparecidos.

Dessa forma, cinco dias após o colapso, a equipe encontrou e resgatou o primeiro dos quatro mineradores presos. Dessa forma, a esperança de encontrar os demais aumentou.

Contudo, Francisco Zapata continuava desaparecido. A cada dia que passava, as chances diminuíam.

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O sinal de lanterna que salvou o minerador no México após 13 dias

Por fim, treze dias depois do colapso, mergulhadores militares avançaram pelos túneis ainda parcialmente inundados.

Na escuridão total, a 300 metros abaixo da superfície, algo chamou a atenção: uma luz piscando.

De fato, era uma lanterna. Francisco Zapata acendia e apagava repetidamente — o único sinal que conseguia enviar para dizer que ainda estava vivo.

Quando os mergulhadores chegaram até ele, encontraram o minerador no México de pé, com água até a cintura, na escuridão completa.

Então, o primeiro militar disse: “Viemos te resgatar, somos do Exército Mexicano.”

Em resposta, a primeira pergunta de Zapata não tinha nada a ver com ele mesmo: “Como está minha família?”

Consequentemente, a frase que ele repetiu diversas vezes se tornou símbolo do resgate: “Yo no perdí la fe” — eu não perdi a fé.

Essa situação lembra outros trabalhadores que enfrentam condições extremas em profundidades semelhantes, como os operários que removem 800 mil toneladas de rocha a 1.520 metros de profundidade em Dakota do Sul.

A equipe levou mais 21 horas para tirar o minerador no México com segurança

No entanto, encontrar Zapata representou apenas o começo da operação. Tirá-lo vivo exigiu mais 21 horas de trabalho ininterrupto.

Para isso, os resgatistas drenaram ainda mais água dos túneis e criaram um caminho seguro de extração. Além do mais, reforçaram estruturas que ameaçavam desabar a qualquer momento.

Assim, na noite de 8 de abril, Francisco Zapata finalmente saiu da mina.

O minerador no México emergiu envolto em uma manta térmica, sentado em um carrinho elétrico, sob aplausos de centenas de pessoas na entrada da Rampa Tortugas.

Em seguida, a equipe o evacuou de helicóptero para um hospital em Mazatlán. Zapata estava desidratado e fraco, porém consciente e estável.

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Nem todos os mineradores tiveram a mesma sorte

No mesmo dia em que os resgatistas tiraram Zapata com vida, às 19h43, a equipe recuperou o corpo sem vida do terceiro minerador.

Posteriormente, as autoridades transferiram o corpo à Fiscalía de Sinaloa para identificação.

Entretanto, o quarto minerador continua desaparecido até hoje. As buscas seguem em andamento, mas as chances diminuem a cada hora.

No total, dos 25 homens que estavam na mina quando a barragem rompeu, 22 sobreviveram. Por outro lado, dois morreram e um ainda não apareceu.

  • Data do colapso: 25 de março de 2026, por volta das 13h
  • Local: mina de ouro Santa Fe, El Rosario, Sinaloa, México
  • Profundidade: 300 metros
  • Mineradores na mina: 25 (21 escaparam, 4 ficaram presos)
  • Tempo de aprisionamento de Zapata: quase 14 dias (~300+ horas)
  • Equipe de resgate: 300 pessoas, 3 km de cabos elétricos
  • Resultado: 2 resgatados vivos, 1 morto confirmado, 1 desaparecido

O que provocou a tragédia na mina Santa Fe

O colapso que prendeu os quatro mineradores aconteceu por causa da ruptura de uma barragem de rejeitos próxima à mina.

Para entender a gravidade, barragens de rejeitos contêm os resíduos sólidos e líquidos gerados durante a extração mineral — uma mistura de água, lama, químicos e fragmentos de rocha.

Quando uma dessas estruturas rompe, o material invade galerias, bloqueia saídas e transforma túneis secos em armadilhas subaquáticas em questão de minutos.

O Brasil conhece bem esse tipo de tragédia. As rupturas de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) mataram centenas de pessoas e devastaram comunidades inteiras.

Na mina Santa Fe, a escala da destruição foi menor. No entanto, para os quatro homens presos a 300 metros de profundidade, a diferença entre uma grande barragem e uma pequena é irrelevante quando a água sobe.

A causa exata do rompimento ainda está sob investigação pelas autoridades mexicanas. A mina opera com concessões privadas, e o nível de fiscalização em operações menores costuma ser limitado.

Da mesma forma que acontece no setor de petróleo, onde empresas furam quilômetros de rocha em condições extremas, a mineração exige protocolos de segurança que nem sempre os operadores cumprem.

A presidente do México chamou o resgate de “assombroso”

A presidente Claudia Sheinbaum classificou o resgate do minerador no México como “incrível” e “assombroso”.

Em declaração pública, Sheinbaum elogiou a resistência de Zapata e o trabalho do Exército Mexicano.

Porém, o caso também reacendeu o debate sobre segurança em minas no país. A mina Santa Fe opera com cinco concessões para extração de ouro e prata, em uma região onde a mineração informal e sem fiscalização adequada é comum.

Acidentes em minas mexicanas acontecem com frequência — e raramente terminam com alguém saindo vivo depois de 14 dias.

Por que sobreviver 14 dias a 300 metros é tão raro na mineração mundial

Sobreviver quase duas semanas a 300 metros de profundidade em um túnel parcialmente inundado, sem luz e com suprimentos mínimos, representa um feito excepcionalmente raro na história da mineração.

Em comparação, o caso mais emblemático de sobrevivência prolongada aconteceu com os 33 mineradores chilenos em 2010, que ficaram presos por 69 dias na mina San José, em Copiapó. Entretanto, eles tinham acesso a um abrigo seco com suprimentos de emergência.

Zapata, por sua vez, não tinha nenhum abrigo preparado. Ficou em pé, com água na cintura, na escuridão absoluta.

Segundo a NPR, a diferença entre Zapata e os outros dois mineradores que não sobreviveram pode ter sido questão de metros — a posição no túnel, o nível da água, o acesso a uma bolsa de ar.

De acordo com a Mexico News Daily, a ONU considera a mineração a profissão mais arriscada do mundo. Na legislação brasileira, ela é classificada como atividade de “insalubridade em grau máximo”.

Ainda assim, milhões de trabalhadores descem todos os dias a centenas de metros abaixo da terra para extrair os minerais que sustentam a economia global.

Francisco Zapata provou que, às vezes, a diferença entre viver e morrer no fundo de uma mina depende de uma lanterna, da posição no túnel — e de não perder a fé.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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