Milhares de organismos marinhos gelatinosos e translúcidos passaram a aparecer simultaneamente em praias da Califórnia, formando extensos tapetes azulados na areia e chamando atenção pelo volume incomum, aparência exótica e concentração registrada em curto intervalo de tempo
Milhares de organismos marinhos gelatinosos conhecidos como velellas começaram a encalhar desde 30 de março em praias da Califórnia, especialmente na Baía de San Francisco, impulsionados por ventos, correntes e ressurgência oceânica, fenômeno sazonal que pode ampliar o número de aparições nos próximos dias.
Os animais, chamados cientificamente de Velella velella, acumulam-se em grandes quantidades ao longo de diversas praias do norte da Califórnia, chamando atenção pelo aspecto azulado, translúcido e pela aparência semelhante à de águas-vivas.
Apesar da semelhança visual, as velellas são mais proximamente aparentadas à caravela-portuguesa (Physalia physalis), espécie conhecida por ferroadas mais intensas, segundo especialistas que acompanham o fenômeno observado nesta semana.
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Cada velella pode atingir até 4 polegadas, cerca de 10 centímetros de comprimento, e não é um organismo único, mas sim uma colônia formada por centenas de indivíduos menores, cada um com funções específicas.
Essas colônias possuem uma vela em formato de S que se projeta acima da superfície do mar, permitindo que sejam carregadas pelo vento, enquanto pequenos tentáculos permanecem submersos capturando presas no oceano aberto.

Ressurgência e mudança nos ventos explicam encalhes
De acordo com Jennifer Stock, especialista em educação do Greater Farallones National Marine Sanctuary, a costa oeste entra nesta época na chamada temporada de ressurgência oceânica.
O processo ocorre quando águas frias e ricas em nutrientes sobem das profundezas, alterando correntes e padrões de vento, fatores que influenciam diretamente o deslocamento de organismos que dependem exclusivamente dessas forças naturais.
Segundo Stock, a presença massiva de velellas indica uma mudança nos ventos e nas correntes, direcionando colônias que normalmente vivem em mar aberto diretamente para a costa californiana.
Como esses organismos não conseguem se orientar ou nadar ativamente, acabam ficando presos na faixa de areia até que a maré os leve de volta ao oceano ou morram, fenômeno comum em eventos desse tipo.
Tempestades recentes e novas chegadas previstas
Nas últimas semanas, ventos vindos do norte e sistemas de tempestade transportaram grandes quantidades de velellas para a Baía de San Francisco, cenário que pode se repetir nos próximos dias, segundo oceanógrafos.
Para Raphael Kudela, da University of California, Santa Cruz, períodos de alta pressão associados à ressurgência tendem a concentrar essas colônias logo ao largo da costa.
Uma posterior quebra desse padrão, com a chegada de um sistema de baixa pressão ou enfraquecimento da alta, favorece o deslocamento em massa das velellas para as praias, formando extensos tapetes azulados na areia.
Embora as ferroadas das velellas sejam consideradas relativamente leves em comparação às de espécies mais perigosas, especialistas recomendam evitar tocar o rosto ou os olhos após contato, como medida de precaução basica.
Eventos semelhantes já foram registrados em praias de diferentes regiões do mundo, especialmente durante a primavera e o início do verão, períodos em que condições oceânicas favorecem esses encalhes naturais.

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