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Os ursos polares no sul da Groenlândia estão “usando genes saltadores para reescrever rapidamente seu próprio DNA” para sobreviver ao derretimento do gelo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 20/12/2025 às 13:46
Atualizado em 20/12/2025 às 23:11
Estudo aponta que ursos polares do sul da Groenlândia ativam genes saltadores para alterar o DNA diante do derretimento do gelo marinho.
Estudo aponta que ursos polares do sul da Groenlândia ativam genes saltadores para alterar o DNA diante do derretimento do gelo marinho.
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Estudo com 17 ursos polares no sul da Groenlândia identifica aumento da atividade de genes saltadores associado ao estresse térmico, ao derretimento do gelo marinho e a mudanças genéticas ligadas a metabolismo, envelhecimento e adaptação climática em regiões mais quentes

Um estudo científico revelou que ursos polares do sul da Groenlândia estão ativando genes saltadores para alterar rapidamente seu DNA, em resposta ao aumento das temperaturas e à perda do gelo marinho, fenômeno associado à mudança climática global e ao estresse térmico crescente.

Pesquisadores identificaram que essa população específica de Ursus maritimus vive sob pressão ambiental intensa, em uma região onde o gelo marinho diminui rapidamente, afetando diretamente a caça, a locomoção e a sobrevivência da espécie no Ártico.

A pesquisa foi publicada em 12 de dezembro na revista científica Mobile DNA e analisou como o aumento da temperatura pode estar ligado a mutações genéticas aceleradas em ursos polares do sudeste da Groenlândia.

Estudo aponta que ursos polares do sul da Groenlândia ativam genes saltadores para alterar o DNA diante do derretimento do gelo marinho.

Genes saltadores e reescrita do genoma

O estudo aponta que os chamados genes saltadores, ou transposons, são segmentos de DNA capazes de se mover dentro do genoma, alterando a forma como outros genes são expressos conforme o local onde se inserem.

Mais de um terço do genoma do urso polar é composto por elementos transponíveis, proporção inferior à de plantas, que pode chegar a 70%, mas semelhante à do genoma humano, no qual esses elementos representam cerca de 45%.

Segundo a autora principal do estudo, Alice Godden, pesquisadora sênior da University of Anglia, essa ativação pode representar um mecanismo extremo de sobrevivência frente ao rápido derretimento do gelo.

Comparação entre populações e dados climáticos

Os cientistas analisaram o DNA de 17 ursos polares adultos na Groenlândia, sendo 12 da região nordeste, mais fria, e cinco do sudeste, área mais quente e com menor cobertura de gelo marinho.

A equipe comparou a atividade dos transposons entre os dois grupos e relacionou esses dados genéticos com informações climáticas locais, identificando padrões distintos de resposta genética ao ambiente.

Na população do sudeste, foram observadas alterações em genes ligados ao estresse térmico, envelhecimento, metabolismo e processamento de gordura, fator crucial em períodos de escassez alimentar, segundo os resultados apresentados.

Essas mudanças sugerem que os ursos podem estar se ajustando geneticamente às condições mais quentes, com diferentes partes do DNA sendo modificadas em ritmos distintos conforme o ambiente específico de cada grupo.

Relação com estudos anteriores

A nova pesquisa amplia achados de um estudo publicado em 2022 na revista Science, que descreveu uma população isolada de ursos polares no sul da Groenlândia menos dependente do gelo marinho.

Esse grupo teria se separado de uma população do norte da Groenlândia há cerca de 200 anos, apresentando diferenças genéticas relevantes, agora associadas à atividade elevada de genes saltadores.

Alerta sobre riscos e limites da adaptação

Apesar de indicar uma possível capacidade de adaptação genética, Godden ressaltou que os resultados não reduzem os riscos enfrentados pelos ursos polares diante da mudança climática global acelerada.

Segundo a pesquisadora, ainda que exista algum nível de adaptação, a espécie continua ameaçada, e a redução das emissões globais de carbono segue sendo essencial para conter o aumento das temperaturas e a perda contínua do gelo marinho.

Os autores destacam que a ativação intensa de transposons pode representar uma resposta desesperada ao estresse ambiental, não uma garantia de sobrevivência a longo prazo, reforçando a gravidade do cenário climático atual, mesmo com sinais de resiliência genética observados.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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