O gabinete do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador afirmou, na última sexta-feira, 1 de julho, que a nova refinaria que o país está desenvolvendo no Golfo é um sonho para a retomada da economia e geração de empregos para a população. Enquanto isso, o governo vem tentando barrar a entrada de energia solar e renovável no país e negou o pedido da construtora Audi em tornar uma das suas sedes produtoras.
López Obrador divulgou a refinaria de petróleo que está sendo terminada na cidade de Tabasco, em seu estado natal. Ele se gabou de que muitos governos anteriores anunciaram que o petróleo havia acabado, mas que era uma mentira. O refino do petróleo faz com que o país tenha chances de se tornar independente dos demais, o que não acontece com o Brasil, que faz a exportação do brent, ou seja, do petróleo bruto, para recomprar o refino, que é realizado por países com os Estados Unidos. O governo do México vem sendo um dos mais comprometidos com o refino de petróleo na América Latina, no entanto, mostra-se contrário ao esquema privado do uso de energia renovável solar e eólica.
Inclusive, o governo negou a solicitação de uma montadora alemã, a Audi, em relação à instalação de painéis fotovoltaicos em sua empresa, de modo a ter maior garantia energética e fugir dos aumentos repentinos de preços sobre a energia tradicional. De acordo com dados do exterior, o projeto deverá custar, para os cofres públicos, o valor de 9 bilhões de dólares e pode chegar a mais de 12 bilhões dependendo da demora em sua construção, ou seja, de 3 bilhões acima do que foi desejado inicialmente.
México também faz a compra de empresa que trabalham com o petróleo, como a Shell
No ano de 2021, o governo do México comprou metade de sua participação na empresa Shell no país ao investir mais de U $600 milhões. A dúvida sobre o investimento era para saber se valia a pena aplicar o dinheiro em empresas do setor ou na construção de refinarias estatais.
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López Obrador afirma que seu intuito é tornar o país totalmente independente do uso de gasolina do exterior. Desde o ano de 1970, o país estava sem construir refinarias e era dependente do exterior e das variações causadas por conflitos geopolíticos, tendo como exemplo a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que fez o valor do ‘brent’ disparar em, ao menos, US $140.
Apesar dos investimentos mundiais em energia solar e renovável, o governo decidiu investir massivamente no uso de energias não renováveis como o petróleo, para manter a sua matriz energética. O que pode ser, de acordo com analistas, prejudicial a longo prazo, visto que até mesmo os países em desenvolvimento precisam realizar a transição energética.
“Não prestamos atenção aos cantos das sirenes, às vozes que previam, talvez de boa fé, que a era do petróleo havia acabado e que os carros elétricos e as energias renováveis estavam chegando em massa”, disse López Obrador, presidente do México.
No mesmo dia em que houve o anúncio do presidente mexicano, o Departamento de Meio Ambiente afirmou que o pedido da construtora Audi em construir uma das suas usinas apenas voltadas para energia solar foi negado por questões técnicas e que não está relacionado a uma tentativa do país em barrar esta categoria de energia em seu polo energético.
Obrador apoia um projeto onde as empresas privadas poderão produzir uma quantidade totalmente limitada de energia solar para poderem se manter, mas que nem tudo que for produzido possa ser revendido para as companhias.

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