Mansão histórica em Highgate reúne metragem acima da Casa Branca, reforma subterrânea, estrutura protegida e ligação atribuída a um bilionário russo, em um caso que envolve mercado imobiliário de alto padrão, empresas offshore e imóveis de grande valor em Londres.
A residência privada Witanhurst, localizada em Highgate, no norte de Londres, voltou a ser citada em reportagens internacionais por sua dimensão, pelo histórico de propriedade pouco transparente e pela ligação atribuída ao empresário russo Andrey Guryev, fundador da PhosAgro e alvo de sanções dos Estados Unidos.
Após reformas descritas pela revista The New Yorker, a mansão passou a reunir cerca de 90 mil pés quadrados de área interna, o equivalente a aproximadamente 8,3 mil metros quadrados, dimensão que a coloca entre os maiores imóveis residenciais privados da capital britânica.
A metragem supera a área da residência principal da Casa Branca, em Washington, estimada em cerca de 55 mil pés quadrados pela White House Historical Association, referência usada para dimensionar a escala da construção londrina.
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Essa comparação considera apenas a residência histórica norte-americana, sem incluir as alas Leste e Oeste, e não transforma Witanhurst em equivalente funcional de um prédio governamental, já que se trata de uma propriedade privada.
Witanhurst supera a Casa Branca em área interna
Além da metragem, a configuração interna da propriedade ajuda a explicar o interesse público em torno do endereço, já que a casa reúne 65 cômodos, incluindo 25 quartos, salão de festas, sala de jantar, salão chinês, sala de bilhar e galeria.
Parte da área adicional foi criada em uma expansão abaixo do terreno, com espaços de lazer, serviço e circulação que ampliaram a residência sem alterar de forma proporcional a fachada visível a partir da rua.
Segundo a The New Yorker, os proprietários construíram sob a área frontal da casa uma estrutura de mais de 40 mil pés quadrados, descrita pela revista como uma “vila subterrânea”.
Essa área inclui piscina de 70 pés de comprimento, cinema com mezanino, salas de massagem, sauna, academia, dependências para funcionários e garagem com capacidade para 25 veículos, conforme informações publicadas pela reportagem.
Vila subterrânea amplia mansão histórica em Londres

Em Highgate, bairro tradicional situado ao norte do centro londrino, Witanhurst ocupa um terreno associado a residências históricas, ruas arborizadas e vista para Hampstead Heath, uma das áreas verdes mais conhecidas da capital britânica.
A construção atual foi erguida entre 1913 e 1920 para Arthur Crosfield, empresário inglês do setor de sabões, em um projeto assinado pelo arquiteto George Hubbard e concebido dentro dos padrões das grandes residências urbanas da época.
Projetado em estilo Queen Anne, o imóvel preserva elementos arquitetônicos ligados ao início do século XX e mantém ambientes característicos de casas destinadas a recepções, encontros sociais e eventos privados de grande porte.
O salão de festas, com cerca de 70 pés de comprimento, está entre os principais espaços internos da mansão e evidencia a função original da propriedade como local voltado a eventos sociais da elite britânica.
Passado aristocrático marcou endereço em Highgate
Ao longo do século XX, Witanhurst recebeu convidados de destaque na vida pública britânica, segundo registros citados pela The New Yorker em reportagem sobre a história e a propriedade do imóvel.
A revista informou que festas realizadas no endereço reuniram autoridades e integrantes da realeza britânica, incluindo Elizabeth em 1951, antes de sua coroação como rainha do Reino Unido.
Esse histórico levou a mansão a ser associada à elite londrina décadas antes das reformas recentes, quando a propriedade ainda era usada como espaço para recepções e eventos sociais.
Depois desse período, a trajetória do imóvel passou por uma fase de abandono e deterioração, com ocupação irregular a partir dos anos 1970, segundo a reportagem da revista norte-americana.
A casa chegou a apresentar problemas estruturais e sinais de desgaste, como infiltrações, danos nos pisos e ambientes vazios, em um período no qual a preservação do imóvel deixou de acompanhar sua importância arquitetônica.
Compra por empresa offshore aumentou o mistério
Em 2008, Witanhurst foi vendida por 50 milhões de libras para a Safran Holdings Limited, empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com informações publicadas pela The New Yorker.
A compra por uma companhia offshore dificultou a identificação pública imediata dos beneficiários finais e levou moradores, jornalistas e agentes do mercado imobiliário a questionarem quem controlava a propriedade.
O interesse aumentou porque a reforma envolvia uma ampliação incomum para uma área residencial tradicional, com movimentação prolongada de obras e escavações associadas à criação dos espaços subterrâneos.
A The New Yorker ligou a propriedade à família de Andrey Guryev, empresário russo associado à PhosAgro, companhia do setor de fertilizantes que se tornou uma das maiores do segmento na Rússia.
Na reportagem, a revista citou conexões documentais e empresariais envolvendo pessoas próximas ao círculo familiar do bilionário, embora a estrutura offshore tenha dificultado, durante anos, a identificação direta dos proprietários perante o público.
Ligação com Andrey Guryev aparece em registro dos EUA
A associação entre Guryev e o endereço também aparece em registros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por meio da base de sanções mantida pela agência norte-americana.
A lista do órgão identifica Andrey Grigoryevich Guryev como cidadão russo sancionado no programa relacionado à Rússia e inclui Witanhurst, em Londres, além do endereço 41 Highgate West Hill entre os dados associados a ele.
No mercado imobiliário britânico, a compra de imóveis por empresas registradas fora do Reino Unido tornou-se tema de debate público, especialmente quando envolve propriedades de alto valor e beneficiários finais de difícil identificação.
A reportagem da The New Yorker apontou Witanhurst como exemplo desse debate, ao tratar de transparência patrimonial, capital estrangeiro e imóveis de alto padrão adquiridos por meio de estruturas empresariais pouco acessíveis ao público.
Reforma gerou reclamações em Highgate
Durante a reforma, moradores de Highgate relataram incômodo com a movimentação de caminhões, operários, ruídos e escavações prolongadas, conforme informou a reportagem da The New Yorker.
A obra chamou atenção porque ocorria em uma região residencial conhecida por construções históricas e ruas arborizadas, enquanto a propriedade mantinha uma fachada preservada e ampliava sua área abaixo do nível da rua.
Esse tipo de ampliação é conhecido no Reino Unido como “iceberg home”, expressão usada para descrever imóveis em que parte relevante da área construída fica escondida sob a superfície.
Em cidades com terrenos escassos e regras de preservação, como Londres, reformas subterrâneas passaram a ser adotadas por proprietários de imóveis de alto padrão que buscam ampliar áreas internas sem modificar intensamente a fachada.

Mansão iceberg virou exemplo do luxo subterrâneo
No caso de Witanhurst, a expansão subterrânea ganhou repercussão por envolver uma casa histórica, um terreno amplo, ambientes ornamentados, valor estimado elevado e uma estrutura de propriedade marcada por empresas registradas fora do Reino Unido.
A combinação desses fatores fez com que a mansão passasse a aparecer em reportagens internacionais sobre o mercado imobiliário de luxo em Londres, sobretudo em pautas sobre imóveis subterrâneos e transparência patrimonial.
A The New Yorker informou que agentes imobiliários estimavam o valor da casa concluída em cerca de 300 milhões de libras, patamar que colocaria Witanhurst entre as propriedades residenciais mais caras da capital britânica.
Mesmo sem ser aberta à visitação, a residência continua citada por causa de sua metragem, de sua reforma subterrânea e da dificuldade histórica de identificar publicamente a cadeia completa de propriedade.
Patrimônio protegido exige cuidados na reforma
Witanhurst é classificada pela Historic England como construção de interesse arquitetônico e histórico, condição que impõe exigências específicas para intervenções, reformas e preservação de elementos originais.
Essa proteção ajuda a explicar a complexidade da obra, que precisou conciliar a restauração de partes antigas com a criação de novos espaços abaixo do terreno, mantendo a aparência externa do palacete.
A propriedade permanece como um caso de destaque no mercado imobiliário londrino por reunir residência histórica, metragem superior à da Casa Branca, área subterrânea extensa, registros ligados a Andrey Guryev e debates sobre transparência em imóveis de alto valor.


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