A pedreira Aparecida Siqueira Lima, conhecida como Cida, deixou restaurante e lanchonete, fez curso municipal de construção civil, trabalhou em projeto ligado a mais de 800 casas e passou a atuar por conta própria em Anastácio, criando a Construcida com obras, clientes e divulgação boca a boca na cidade sul-mato-grossense.
A pedreira Aparecida Siqueira Lima, conhecida como Cida, tinha 43 anos quando entrou na construção civil em Anastácio, município de Mato Grosso do Sul, depois de deixar o ramo de restaurante e lanchonete. A trajetória foi publicada pelo Campo Grande News em 30 de janeiro de 2016, em reportagem assinada por Giselli Figueiredo.
O caso chama atenção não por transformar trabalho pesado em espetáculo, mas por mostrar uma mudança concreta de atuação profissional. Cida buscou qualificação, entrou em um setor majoritariamente masculino, passou por obras na cidade e formalizou a própria marca, chamada Construcida, depois de decidir trabalhar por conta própria.
Da cozinha para o curso de construção civil
Antes de atuar como pedreira, Cida trabalhava como auxiliar de cozinha e vinha do ramo de restaurante e lanchonete. Segundo a reportagem, ela queria mudar de área, inovar e buscar uma forma de trabalhar por conta própria, sem depender do modelo anterior de ocupação.
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A oportunidade apareceu em cursos oferecidos pela Secretaria de Assistência Social de Anastácio. Entre as opções, o projeto “A Mão que Constrói” chamou sua atenção, tanto pelo nome quanto pela ligação direta com uma demanda real de mão de obra na cidade.
Projeto estava ligado a mais de 800 casas

O curso não surgiu isolado. A prefeitura se preparava para iniciar a construção do Residencial Cristo Rei, e a empreiteira precisava de trabalhadores qualificados e certificados para atuar em um projeto com mais de 800 casas, conforme a fonte.
Esse contexto ajuda a entender por que a formação teve efeito prático. A qualificação estava conectada a uma demanda concreta da construção civil, o que abriu caminho para Cida sair do curso e começar a atuar em obras em Anastácio.
Entrada no canteiro exigiu espaço profissional
A reportagem descreve que Cida entrou em um ambiente visto como reduto masculino. Esse dado é importante porque a construção civil ainda é associada, em muitos lugares, a funções ocupadas majoritariamente por homens, principalmente nas atividades de obra.
A presença dela como pedreira não precisa ser tratada como exceção folclórica. O ponto jornalístico está no fato de uma trabalhadora ter buscado formação, entrado no canteiro e construído reputação profissional em uma área na qual sua presença causava curiosidade.
Boca a boca virou ferramenta de trabalho
Depois do curso, Cida passou a buscar clientes sem uma estrutura grande de divulgação. O boca a boca em Anastácio teve papel decisivo para que a pedreira começasse a receber convites para obras residenciais e serviços particulares.
Um dos clientes citados na reportagem é Luiz Carlos Albres Cintra, então com 48 anos. Ele conheceu o trabalho de Cida por indicação de um amigo e a contratou para erguer um muro. A obra abriu caminho para novos serviços na propriedade da família.
Obras ajudaram a consolidar a Construcida

Após o primeiro serviço, Cida também trabalhou em um barracão de bailes da chácara da família de Luiz. Segundo a reportagem, ela colocou piso em uma área de 220 metros quadrados, uma obra que passou a fazer parte do portfólio usado para mostrar sua capacidade técnica.
A marca Construcida nasceu dessa relação entre nome próprio, construção e divulgação local. Mais do que um apelido, a marca virou uma forma de Cida apresentar seus serviços e se diferenciar em uma cidade onde a confiança circulava muito pela indicação direta.
Trabalhar sozinha virou escolha de organização
Cida contou à reportagem que gostava de trabalhar sozinha. Ela se descrevia como detalhista e dizia preferir executar as tarefas do próprio jeito, sem depender de ajudantes quando julgava que isso poderia comprometer o resultado.
Esse ponto mostra uma estratégia de organização do trabalho. Em vez de apresentar a escolha como “sacrifício”, a matéria deve ser lida como um exemplo de autonomia prática: a pedreira estruturou sua rotina, assumiu serviços compatíveis com sua capacidade e soube reconhecer limites técnicos quando necessário.
Casa própria na obra e limites técnicos reconhecidos
Entre as obras mostradas ao Campo Grande News, Cida destacou uma casa que ergueu praticamente sozinha. Segundo a fonte, ela afirmou que não executou o telhado nem a fiação elétrica, por entender que essas etapas exigiam profissional especializado.
Esse detalhe é relevante porque evita uma leitura exagerada da história. A construção civil envolve diferentes competências e responsabilidades técnicas. Ao reconhecer onde podia atuar e onde precisava de outro profissional, Cida demonstrou noção de limite profissional dentro da obra.
Formalização como microempreendedora
A reportagem informa que Cida formalizou a pequena empresa Construcida e se tornou microempreendedora individual. Esse passo ajudou a transformar a atuação informal em uma marca de prestação de serviços dentro da construção civil local.
A formalização também dialoga com o objetivo inicial dela: trabalhar por conta própria. Ao criar a Construcida, a pedreira passou a associar seu nome a obras, materiais, deslocamento, atendimento e reputação na cidade.
O carro entrou como ferramenta de trabalho
A fonte menciona que Cida comprou uma pick-up usada, descrita por ela como completa e útil para passeio e transporte de ferramentas. O dado não precisa ser tratado como prêmio simbólico, mas como parte da estrutura de trabalho de quem atua em obras.
Para uma profissional da construção civil, deslocamento e transporte de material fazem diferença. A pick-up aparece, portanto, como ferramenta operacional, ligada à rotina de atender clientes e levar os equipamentos necessários para cada serviço.
Plano de montar equipe feminina
Outro ponto citado na reportagem é o desejo de Cida formar uma equipe composta por mulheres. A ideia se conecta ao espaço que ela conquistou na construção civil e à possibilidade de ampliar a presença feminina em atividades de obra.
Esse plano, porém, deve ser apresentado com cautela. A fonte informa a intenção, mas não detalha se a equipe foi efetivamente formada depois. Por isso, o dado entra como projeto declarado por Cida na época da reportagem, não como fato confirmado posteriormente.
Anastácio aparece como cenário central
A história se passa em Anastácio, cidade onde Cida fez curso, recebeu indicações, executou obras e consolidou a Construcida. O município não é apenas pano de fundo; ele explica a importância do boca a boca e da rede local de clientes.
Em cidades menores, a reputação profissional pode circular rapidamente entre conhecidos, vizinhos e famílias. No caso da pedreira, a indicação direta foi um elemento decisivo para transformar o primeiro serviço em novas oportunidades de obra.
Uma mudança profissional sem enfeitar a dificuldade
A trajetória de Cida mostra mudança de área, formação profissional e entrada em um mercado onde mulheres ainda enfrentam desconfiança. Mas isso não exige romantizar trabalho pesado nem apresentar precariedade como se fosse atalho natural para reconhecimento.
O que a reportagem permite afirmar é mais objetivo: Cida deixou restaurante e lanchonete, fez um curso municipal, entrou na construção civil, trabalhou em obras de Anastácio, formalizou a Construcida e passou a usar tijolo, cimento, piso e indicação de clientes como base da própria atividade.
Uma marca construída obra por obra
A história da Construcida revela como uma marca local pode nascer de uma atuação direta no canteiro. Antes de grandes campanhas ou estrutura empresarial, houve curso, obras executadas, clientes atendidos e reputação criada no contato cotidiano com a cidade.
A pergunta que fica é menos sobre “superação” e mais sobre mercado, qualificação e oportunidade: quantas mulheres poderiam entrar na construção civil se tivessem curso acessível, demanda real, respeito profissional e chance de mostrar serviço sem serem tratadas como curiosidade? Deixe sua opinião nos comentários.
