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Manchas, mau cheiro e pesca sob alerta em praia de Salvador levaram a Bahia a reconhecer emergência por 90 dias após contaminação química

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 26/06/2026 às 17:51 Atualizado em 26/06/2026 às 17:53
Governo da Bahia reconhece emergência em Salvador por 90 dias após contaminação química na praia de São Tomé de Paripe
Governo da Bahia reconhece emergência em Salvador por 90 dias após contaminação química na praia de São Tomé de Paripe (Foto: Denisse Salazar | AG. A TARDE)
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A homologação estadual colocou São Tomé de Paripe em situação de emergência por 90 dias, após a identificação de compostos químicos na praia e a aplicação de multa de R$ 50 milhões à Gerdau Aços Longos. O caso atinge uma das áreas mais tradicionais do Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde moradores, pescadores e comerciantes dependem diretamente do mar.

O Governo da Bahia homologou, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, a situação de emergência em Salvador por causa da contaminação química na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário. A medida valida o decreto publicado pela Prefeitura de Salvador e reconhece oficialmente a gravidade do problema ambiental.

Segundo A TARDE, a homologação foi publicada no Diário Oficial do Estado com base em informações da Superintendência de Proteção e Defesa Civil do Estado. O decreto tem efeito retroativo a 8 de junho de 2026 e vale por 90 dias nas áreas comprovadamente afetadas.

A contaminação ganhou novo peso depois da multa de R$ 50 milhões aplicada à Gerdau Aços Longos, dentro do processo administrativo ligado ao derramamento de produtos químicos. O auto de infração aponta presença de compostos em águas intersticiais, águas subterrâneas, sedimentos, água do mar e organismos da região.

Decreto de emergência muda a resposta pública em São Tomé de Paripe

O Decreto Municipal nº 41.834, de 8 de junho de 2026, declarou situação de emergência nas áreas litorâneas de São Tomé de Paripe afetadas por substâncias químicas em ambientes lacustres, fluviais, marinhos e aquíferos. Com a homologação estadual, a Prefeitura passa a ter respaldo institucional maior para mobilizar órgãos públicos e adotar medidas emergenciais.

Na prática, a situação de emergência permite acelerar ações de assistência, atendimento às famílias afetadas, levantamento de danos e recuperação ambiental. Também facilita a articulação com governos estadual e federal para obtenção de recursos e execução de planos de resposta.

O decreto cita a necessidade de preservar o bem-estar da população e adotar medidas necessárias diante do risco ambiental. O reconhecimento não resolve a contaminação por si só, mas cria uma base formal para ações públicas mais rápidas e cobranças de reparação.

Multa de R$ 50 milhões coloca a Gerdau no centro da apuração

A decisão estadual ocorre no mesmo contexto da autuação contra a Gerdau Aços Longos. Segundo o Metro1, o valor de R$ 50 milhões corresponde à multa máxima prevista pelo Inema para esse tipo de caso, aplicada após laudos e estudos relacionados à contaminação em São Tomé de Paripe.

O auto de infração, aplicado em junho, afirma que a empresa colaborou para a contaminação química em diferentes matrizes ambientais da praia. Isso inclui sedimentos, água do mar, água subterrânea e biota, termo usado para organismos vivos presentes no ecossistema atingido.

A autuação não encerra o caso. A empresa ainda pode apresentar defesa nos ritos administrativos, enquanto os órgãos ambientais e o Ministério Público seguem acompanhando a extensão dos danos e as medidas de reparação.

O ponto mais sensível é que a contaminação não afeta apenas a aparência da praia. Quando substâncias químicas chegam ao sedimento, à água e aos organismos marinhos, o risco pode atingir a pesca, o consumo de alimentos retirados da região, o banho de mar e a saúde de quem mora perto.

Laudos apontam metais e aumentam preocupação com pesca e mariscagem

De acordo com a Câmara Municipal de Salvador, relatórios técnicos do Inema identificaram concentrações elevadas de metais pesados, especialmente ferro, cobre e zinco, em organismos marinhos coletados na região. A informação aumenta a preocupação com moluscos, crustáceos e peixes que circulam na área afetada.

São Tomé de Paripe tem relação direta com a pesca artesanal, a mariscagem, o comércio de praia e a economia de pequenas barracas. Quando a praia é interditada ou passa a ser considerada imprópria, a perda aparece no prato, na renda e na rotina de centenas de famílias.

A Agência Brasil informou que a suspeita de contaminação afetava cerca de 18 mil pessoas na comunidade, com pelo menos 10,7 mil diretamente impactadas, segundo estimativa citada pelo Ministério Público da Bahia. A reportagem também registrou relatos de moradores sobre odor forte, líquido esverdeado na areia e interrupção de atividades ligadas ao mar.

O Inema recomendou que a população evite o trecho com ocorrência de material contaminante, incluindo banho, pesca e contato direto com água e sedimentos. A medida é preventiva, mas tem efeito imediato sobre quem dependia da praia para trabalhar.

O que ainda precisa ser respondido sobre a contaminação

A emergência abre uma etapa decisiva. A primeira pergunta é até onde a contaminação avançou, já que o caso envolve água subterrânea, sedimento e organismos marinhos. A segunda é quem pagará pelas medidas de contenção, limpeza, monitoramento e compensação das famílias afetadas.

Também será necessário acompanhar se haverá barreiras de contenção, novos estudos de qualidade da água, análise periódica da biota e um plano de remediação com prazos públicos. Sem esse tipo de acompanhamento, a emergência pode virar apenas um ato administrativo, sem efeito direto para moradores e trabalhadores.

Outro ponto é o cadastro das famílias prejudicadas. Pescadores, marisqueiras, barraqueiros e comerciantes precisam ser identificados com precisão para que a assistência não dependa só de ações pontuais. Em áreas onde a renda vem do mar, semanas sem pesca ou sem movimento na praia já significam perda de comida e de dinheiro.

A contaminação em São Tomé de Paripe também reforça a pressão por fiscalização contínua em áreas portuárias e industriais próximas a comunidades costeiras. O caso mostra que a resposta pública precisa ir além da multa, porque a praia contaminada continua no mesmo lugar, diante das casas e do trabalho de quem mora ali.

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Geovane Souza

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