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Com presas de 4 metros, dentes adaptados para triturar gramíneas e uma massa que superava 6 toneladas, um mamute-lanoso de 10 mil anos emerge do gelo e obriga arqueólogos e paleontólogos a recontarem a história da última grande megafauna da Idade do Gelo

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 20/01/2026 às 07:26
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Com presas de 4 metros, dentes adaptados para triturar gramíneas e uma massa que superava 6 toneladas, um mamute-lanoso de 10 mil anos emerge do gelo e obriga arqueólogos e paleontólogos a recontarem a história da última grande megafauna da Idade do Gelo
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Um esqueleto de mamute-lanoso de aproximadamente 10 mil anos foi encontrado quase intacto, oferecendo insights sobre a vida animal e humana no Pleistoceno.

Quando um esqueleto fossilizado de mamute-lanoso (Mammuthus primigenius) foi desenterrado recentemente, cientistas ficaram surpresos não apenas pela preservação das ossadas, mas pelo que esse achado pode revelar sobre a megafauna que compartilhou o planeta com os primeiros humanos modernos e sobre as transformações ambientais no fim da última Era do Gelo.

Esse tipo de descoberta — ainda que semelhantes tenham sido registradas em outras partes do mundo — é rara o suficiente para provocar um debate profundo entre paleontólogos, arqueólogos e geneticistas. Os mamutes-lanosos vagaram amplamente pela Eurásia e América do Norte durante o Pleistoceno, período que se estendeu de aproximadamente 2,6 milhões a 11,7 mil anos atrás e testemunhou repetidas glaciações e a expansão de Homo sapiens pelo planeta.

Uma gigante da Era do Gelo, preservada pelo tempo

O mamute-lanoso era um dos maiores mamíferos do seu tempo: os indivíduos adultos podiam pesar mais de 6 toneladas e ter mais de 3 metros de altura no ombro, com presas curvas de até 4 metros de comprimento, adaptadas para raspar vegetação sob a neve e lutar por dominância.

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Esses atributos tornaram a espécie uma figura emblemática da megafauna do Pleistoceno, convivendo tanto com felinos gigantes quanto com humanos que dominavam a arte de fabricar ferramentas de pedra.

O esqueleto recém-descoberto, com aproximadamente 10 mil anos, veio de um contexto ainda dominado pelo permafrost — solo permanentemente congelado que agiu como um conservante natural para ossos, dentes e, em alguns casos, tecidos moles. Isso permite que pesquisadores extraiam informações vitais sobre anatomia, dieta e até aspectos genéticos desses animais extintos.

Pleistoceno tardio: clima, humanos e extinção

O Pleistoceno tardio foi marcado por alterações climáticas dramáticas e contracções de habitats frios que sustentavam grandes herbívoros como o mamute-lanoso. À medida que o clima esquentava e os geleiras recuavam, as pradarias frias — alimento preferido desses animais — diminuíam, resultando em pressões ecológicas crescentes sobre populações inteiras.

Foto: Wikimedia Commons/Divulgação

Ao mesmo tempo, os primeiros humanos modernos — Homo sapiens — já haviam se espalhado por grande parte do Hemisfério Norte e interagiam com esse ambiente megafaunístico. Ferramentas líticas e sítios arqueológicos documentam claramente que humanos e mamutes coexistiram, e em muitos casos humanos se beneficiaram de recursos derivados da própria megafauna, incluindo carne, couro e presas.

Permafrost e preservação: janelas para o passado

Solo congelado como o do Ártico siberiano age como um arquivo natural, retardando a decomposição e preservando ossos em excelente estado. Isso tem permitido aos cientistas não apenas estudar as estruturas esqueléticas, mas também, em alguns casos, recuperar material genético raro que sobrevivia ao longo de dezenas de milhares de anos.

Em descobertas semelhantes, amostras recuperadas em Sibéria permitiram aos pesquisadores extrair RNA antigo, moléculas que normalmente se degradam rapidamente após a morte. No caso de um mamute apelidado de Yuka, por exemplo, traços de RNA preservados no permafrost remontam a cerca de 39 mil anos, abrindo portas para entender quais genes estavam ativos momentos antes do animal morrer — algo que só se torna possível em condições excepcionais de conservação.

Foto: Governo de Yamalo-Nenets/Divulgação

Esses níveis de preservação ajudam não só a mapear a anatomia e a biologia desses gigantes, mas também oferecem perspectivas sobre a variação genética, comportamento e adaptações que permitiram a esses animais sobreviver por milênios em ambientes hostis.

O que o novo achado pode revelar?

A descoberta desse esqueleto de 10 mil anos — datando do fim do Pleistoceno — proporciona uma oportunidade valiosa para:

  • Reexaminar a anatomia comparada de mamutes e elefantes modernos, aprofundando o entendimento evolutivo do grupo;
  • Estudar condições de vida e adaptações fisiológicas a climas frios extremos;
  • Buscar evidências de interação com humanos, como marcas de ferramenta ou padrões de corte nos ossos;
  • Contribuir para debates sobre extinção, que combinam fatores climáticos e pressões antropogênicas no final do período glacial.

Em contraste, descobertas controversas — como fósseis inicialmente atribuídos a mamutes que depois se revelaram restos de baleias — mostram o cuidado necessário na interpretação de registros arqueológicos antigos.

Mamutes e o futuro da paleontologia genética

Com técnicas de sequenciamento cada vez mais precisas, alguns laboratórios chegaram a reconstruir genomas completos de mamutes a partir de fragmentos de DNA preservados. Isso abriu discussões sérias na comunidade científica sobre o que é tecnicamente possível em termos de reviver características extintas, embora a ideia de “desextinção” ainda enfrente obstáculos éticos, práticos e biológicos significativos.

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Esses achados também ajudam a calibrar modelos de evolução e extinção: por que espécies tão bem adaptadas ao frio desapareceram tão rapidamente? As respostas se encontram na interseção entre clima, ecossistemas e impactos humanos, e cada novo fóssil contribui para afinar essa imagem complexa.

Um fóssil, múltiplas histórias

O esqueleto de mamute-lanoso de 10 mil anos não é apenas um conjunto de ossos antigos — é uma janela para a vida no Pleistoceno, um convite para entender como megafauna e humanos se cruzaram e como grandes mudanças climáticas remodelaram a biosfera.

À medida que mais dessas descobertas emergem do permafrost e de sedimentos antigos, a história da vida na Terra no fim da Idade do Gelo ganha novos contornos, mais ricos e surpreendentes do que jamais imaginamos.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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