Mudança no pedágio da serra altera cobrança, elimina cancelas e redistribui tarifas entre ida e volta, enquanto governo aposta em tecnologia para reduzir filas e melhorar o fluxo em um dos principais corredores rodoviários do país, ligando a capital paulista ao litoral.
O Sistema Anchieta-Imigrantes iniciou a implantação do pedágio eletrônico sem cancela, conhecido como free flow, com a promessa de mudar a cobrança no principal corredor entre a capital paulista e a Baixada Santista.
Pelo modelo anunciado pelo governo de São Paulo e pela concessionária Ecovias, a tarifa dos carros de passeio deixará de ser concentrada apenas na descida e passará a ser dividida entre os dois sentidos, em R$ 19,35 por passagem utilizada, desde que o sistema receba a autorização final para começar a operar.
Hoje, a cobrança para automóveis está concentrada em um único ponto físico e custa R$ 38,70 no trajeto em direção ao litoral.
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Na volta para São Paulo, não há tarifa.
Com a mudança, a lógica será alterada: o motorista pagará somente no sentido em que circular, mas a cobrança passará a existir tanto para quem desce quanto para quem sobe a serra, em valor fracionado.
A implantação começou com a instalação dos pórticos eletrônicos e com a fase de testes dos equipamentos.
Na Via Anchieta, a nova estrutura foi posicionada no km 33, em substituição à praça de pedágio do km 31.
Já na Rodovia dos Imigrantes, o pórtico foi previsto para o km 29, no lugar da praça localizada hoje no km 32.
Enquanto essa transição técnica estiver em andamento, o pagamento continua sendo feito nas cabines tradicionais.
Como funcionará o free flow na Anchieta-Imigrantes
O novo arranjo prevê leitura automática de placas e tags por meio de câmeras, sensores e antenas instalados nos pórticos.
Com isso, o veículo não precisará parar para efetuar o pagamento, como já ocorre em outros trechos concedidos do estado.
A proposta oficial é reduzir filas, encurtar o tempo de viagem e diminuir o efeito de retenção perto das atuais praças, sobretudo em feriados prolongados e períodos de alta temporada no litoral.
Na prática, o motorista que seguir de São Paulo para a Baixada continuará pagando o equivalente à tarifa total atual, mas repartida em duas metades caso também faça o retorno pelo sistema Anchieta-Imigrantes.
Quem utilizar apenas um dos sentidos pagará somente por aquele deslocamento.
Isso pode beneficiar condutores que descem a serra e voltam por outro caminho, sem necessidade de cruzar novamente os pórticos do sistema.
Esse desenho muda, por exemplo, a conta de quem segue para o litoral sul e opta por retornar à capital por uma rota diferente, como a BR-116, sem passar de novo pela Anchieta ou pela Imigrantes.
Nessa hipótese, a despesa com pedágio dentro do sistema concessionado cai, porque o pagamento deixa de ser antecipado e integral em apenas uma direção.
Ainda assim, a economia real dependerá do itinerário efetivamente escolhido e de eventuais tarifas cobradas em outras rodovias.
Fim das praças e transição operacional
Embora o free flow tenha sido anunciado como substituto das praças convencionais, a remoção dessas estruturas não será imediata.
O governo paulista informou que haverá um período de transição para preservar a chamada Operação Comboio, adotada em situações de neblina intensa no trecho de serra.
Por isso, as praças físicas devem permanecer temporariamente, mesmo depois da entrada do sistema eletrônico.
A Artesp analisa um novo formato operacional para esses momentos de baixa visibilidade, com apoio de painéis inteligentes e tecnologia de monitoramento em tempo real.
A ideia é permitir uma condução mais dinâmica e segura, sem depender do bloqueio tradicional associado às cabines.
Só depois da homologação e da implantação desse novo modelo é que as atuais praças poderão ser demolidas.
Além da mudança operacional, a adoção do free flow retira do sistema a condição de concentrar uma das tarifas mais altas do país em uma cobrança única.
O valor total pago pelo automóvel, porém, não desaparece: ele é repartido entre ida e volta, com a cobrança vinculada ao sentido realmente utilizado.
O efeito mais visível para o usuário será a redistribuição da tarifa e o fim da parada obrigatória, não uma redução automática do custo total de uma viagem completa.
Nova pista da Imigrantes e ampliação da capacidade
A modernização do pedágio vem acompanhada de outro projeto de grande porte para o corredor Anchieta-Imigrantes.
A Ecovias desenvolve, a pedido do governo paulista, os estudos da chamada terceira pista da Imigrantes, uma nova ligação entre a Região Metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista voltada a ampliar a capacidade do sistema e a melhorar a logística regional, especialmente para o transporte de carga.
O traçado divulgado prevê 21,5 quilômetros de extensão, com predominância de obras subterrâneas e elevadas.
Desse total, 17 quilômetros devem ser construídos em túneis e 4 quilômetros em viadutos.
Um dos túneis previstos terá cerca de seis quilômetros, o que o colocaria como o maior túnel rodoviário do país.
A nova via terá duas faixas de rolamento e acostamento, com possibilidade de reversão operacional conforme a demanda.
Segundo as informações divulgadas pela concessionária e pelo governo, o empreendimento foi desenhado para aumentar a capacidade do sistema em 25% no conjunto geral e em 145% na descida de veículos pesados.
A proposta também busca criar uma conexão mais eficiente com a região portuária de Santos, o que reforça o peso estratégico do corredor para a circulação de mercadorias entre o planalto e o litoral.
O que muda para o motorista
Para quem usa o Sistema Anchieta-Imigrantes no dia a dia, a principal alteração será a forma de cobrança.
Em vez de encontrar cabines e formar fila para pagar o valor cheio em um único sentido, o usuário passará a ser identificado eletronicamente e cobrará a tarifa de acordo com o trecho percorrido em cada direção.
Motociclistas, pelas regras atualmente vigentes informadas pelo governo, continuam isentos.
A operação com cobrança, porém, ainda depende da conclusão dos testes, das etapas técnicas e da autorização regulatória da Artesp.
Até essa validação, os pórticos permanecem instalados sem tarifação ativa, enquanto as praças físicas seguem em funcionamento.
Esse ponto é central para o usuário, porque a data exata do início da cobrança eletrônica precisa ser confirmada oficialmente antes da mudança definitiva no bolso e na rotina de quem cruza a serra.

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