1. Início
  2. / Economia
  3. / Mais de 230 empresas brasileiras levam produção ao Paraguai, pagam carga próxima de 12%, contra cerca de 80% no Brasil, e usam o Mercosul para vender de volta ao mercado nacional sem imposto de importação
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

Mais de 230 empresas brasileiras levam produção ao Paraguai, pagam carga próxima de 12%, contra cerca de 80% no Brasil, e usam o Mercosul para vender de volta ao mercado nacional sem imposto de importação

Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/05/2026 às 18:37
Atualizado em 29/05/2026 às 18:42
Assista o vídeoMais de 230 empresas brasileiras levam produção ao Paraguai, pagam carga próxima de 12%, contra cerca de 80% no Brasil, e usam o Mercosul para vender de volta ao mercado nacional sem
Paraguai atrai empresas brasileiras pelo regime de maquila, usa Mercosul e permite venda ao Brasil sem imposto de importação. Imagem: Ilustrativa
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Mais de 230 empresas brasileiras já levaram parte da produção ao Paraguai pelo regime de maquila, que combina carga próxima de 12%, energia mais barata e encargos reduzidos. Como o país integra o Mercosul, grande parte da produção volta ao Brasil sem imposto de importação, acendendo debate sobre competitividade industrial regional.

O Paraguai virou destino de mais de 230 empresas brasileiras que transferiram parte da produção para o país vizinho em busca de impostos menores, custos trabalhistas reduzidos, energia mais barata e acesso ao mercado brasileiro pelo Mercosul. O movimento ocorre dentro do regime de maquila, criado para atrair indústrias voltadas à exportação.

A diferença de custo é o ponto que mais chama atenção. No modelo apresentado, a carga de impostos e encargos trabalhistas fica em torno de 12% no Paraguai, contra cerca de 80% no Brasil. A combinação tem levado companhias nacionais a produzir fora e vender de volta ao mercado brasileiro sem imposto de importação.

Paraguai usa maquila para atrair empresas brasileiras

O regime de maquila é um modelo criado pelo governo paraguaio para atrair indústrias interessadas em produzir no país e exportar. Na prática, empresas instalam parte da operação no Paraguai, aproveitam custos menores e direcionam a produção para outros mercados.

O Brasil aparece como destino central dessa produção. Como Paraguai e Brasil fazem parte do Mercosul, os produtos fabricados no país vizinho podem entrar no mercado brasileiro sem cobrança de imposto de importação, desde que atendam às regras do bloco.

Esse arranjo cria uma situação estratégica para empresas brasileiras. Elas conseguem reduzir parte dos custos produtivos, manter proximidade geográfica com o consumidor brasileiro e operar dentro de um acordo comercial regional.

O resultado é uma espécie de reorganização industrial na fronteira econômica. Em vez de apenas importar de países distantes, empresas brasileiras passam a usar o Paraguai como plataforma produtiva próxima e integrada ao próprio mercado nacional.

Mais de 230 empresas já levaram produção ao país vizinho

Os dados citados pelo governo paraguaio e pela Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai indicam que mais de 230 empresas brasileiras já transferiram parte da produção para o país.

Essas companhias representam cerca de 70% das indústrias instaladas no Paraguai dentro do regime de maquila. O peso brasileiro no modelo mostra que a estratégia paraguaia tem forte dependência do capital, das marcas e da demanda do Brasil.

O número também revela que não se trata de movimento isolado. A ida de empresas brasileiras ao Paraguai virou uma tendência industrial ligada a custo, tributação, encargos e competitividade.

Entre as companhias citadas estão Lupo, Carsten, JBS, Kid, M. Dias Branco e Grupo Dass, responsável pela fabricação de produtos ligados a marcas como Nike e Adidas.

Carga próxima de 12% pesa na decisão das empresas

O principal atrativo é a diferença de carga sobre a produção. No regime citado, impostos e encargos trabalhistas ficam em torno de 12% no Paraguai, enquanto o comparativo apresentado para o Brasil chega a cerca de 80%.

Essa diferença muda a conta de competitividade. Em setores industriais pressionados por margem, mão de obra, energia e logística, uma redução relevante de encargos pode definir onde a empresa decide ampliar ou deslocar produção.

Além da carga menor, o Paraguai oferece energia mais barata e crédito com juros menores. Esses fatores completam o pacote de atração e ajudam a explicar por que empresas brasileiras olham para o país vizinho.

O tema também expõe um incômodo recorrente no debate empresarial brasileiro: quando produzir no exterior próximo parece mais vantajoso do que ampliar a operação dentro do próprio país.

Encargos trabalhistas menores entram no pacote

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube
Paraguai atrai empresas brasileiras pelo regime de maquila, usa Mercosul e permite venda ao Brasil sem imposto de importação.

O custo do trabalho é outro componente importante. No Paraguai, não existe FGTS e a jornada semanal de trabalho é de 48 horas, conforme os dados apresentados.

Essas regras ajudam a reduzir o custo operacional para as empresas, mas também levantam debate sobre diferenças entre modelos trabalhistas. Para empresários, o argumento é competitividade; para críticos, a questão pode envolver proteção social e qualidade do emprego.

A comparação com o Brasil aparece justamente nesse ponto. O país tem uma estrutura trabalhista mais pesada, com encargos, obrigações e custos que impactam a folha de pagamento.

No Paraguai, a proposta é atrair produção e gerar empregos por meio de um ambiente mais simples e menos oneroso. O desafio é equilibrar crescimento industrial, direitos dos trabalhadores e arrecadação pública.

Produção volta ao Brasil sem imposto de importação

A maior parte da produção dessas empresas tem como destino o próprio mercado brasileiro. Esse é o ponto que torna o movimento mais sensível.

As companhias saem do Brasil para produzir no Paraguai, mas continuam vendendo para consumidores brasileiros. Como o Paraguai integra o Mercosul, os produtos podem voltar sem imposto de importação, criando vantagem dentro do próprio bloco regional.

Para as empresas, o modelo reduz custos e mantém acesso ao maior mercado da região. Para o Brasil, a questão é mais complexa: o país continua consumindo, mas parte da produção, dos empregos e dos investimentos industriais migra para fora.

Esse fenômeno pressiona o debate sobre competitividade nacional. Se o custo interno é muito maior, empresas tendem a buscar alternativas onde o capital consegue se reproduzir com menos barreiras.

Paraguai gera empregos com empresas brasileiras

A presença de companhias brasileiras no regime de maquila também gera efeito direto no emprego paraguaio. Os dados citados apontam cerca de 25 mil postos de trabalho ligados a essas indústrias.

Para o Paraguai, o modelo é uma forma de atrair produção, criar vagas e aumentar atividade econômica. O país usa impostos menores como ferramenta de desenvolvimento industrial.

Essa estratégia lembra experiências de países que se posicionaram como plataformas de exportação, atraindo empresas estrangeiras para produzir localmente e vender a outros mercados.

No caso paraguaio, a proximidade com o Brasil torna o arranjo ainda mais atrativo. A logística regional, os acordos do Mercosul e o menor custo operacional formam uma combinação difícil de ignorar para parte da indústria.

Brasil perde competitividade na comparação de custos

O movimento das empresas brasileiras para o Paraguai acende uma pergunta direta: por que produzir fora fica mais atraente do que produzir dentro do Brasil?

A resposta passa por carga tributária, encargos trabalhistas, energia, crédito e segurança regulatória. Quando o custo de produzir internamente sobe demais, a empresa busca o lugar onde consegue competir melhor.

Isso não significa que toda indústria brasileira vá migrar. Mas mostra que setores mais sensíveis a custo podem reavaliar suas operações, principalmente quando conseguem manter acesso ao mercado nacional via Mercosul.

O risco para o Brasil é assistir parte da cadeia produtiva se deslocar para países vizinhos, enquanto o consumo permanece dentro das fronteiras brasileiras.

Mercosul vira peça central da estratégia

O Mercosul é um dos elementos que tornam o modelo viável. Sem o acordo regional, vender de volta ao Brasil poderia envolver barreiras e custos de importação capazes de reduzir a vantagem.

Com o bloco, o Paraguai se transforma em plataforma de produção integrada ao mercado brasileiro. A regra comercial, criada para aproximar economias, passa a ser usada também como estratégia de redução de custo empresarial.

Essa dinâmica não é ilegal nem inesperada dentro de blocos econômicos. Empresas costumam buscar o país com melhor combinação de custo, acesso, energia, mão de obra e estabilidade.

O problema aparece quando a diferença entre os ambientes produtivos se torna grande demais. Nesse caso, o bloco regional pode acelerar a migração de investimentos para o país mais competitivo.

Debate vai além de imposto baixo

A ida de empresas brasileiras ao Paraguai não pode ser explicada apenas por impostos menores. O pacote inclui energia, crédito, encargos, regras trabalhistas, proximidade logística e acesso ao mercado brasileiro.

É a soma desses fatores que torna o país vizinho competitivo. Reduzir tudo a um único ponto simplifica demais uma decisão empresarial que envolve custo total, previsibilidade e escala.

Ao mesmo tempo, o movimento reforça uma mensagem para o Brasil: empresas respondem a incentivos. Quando o ambiente local pesa demais sobre a produção, o capital procura alternativas mais eficientes.

O debate, portanto, não é apenas sobre o Paraguai. É sobre o modelo brasileiro de produção, tributação, trabalho e competitividade industrial.

Paraguai vira espelho incômodo para o Brasil

O avanço de empresas brasileiras no Paraguai mostra como diferenças de custo podem redesenhar a indústria regional. Mais de 230 companhias já levaram parte da produção ao país vizinho, atraídas por carga próxima de 12%, energia mais barata e acesso ao Brasil pelo Mercosul.

Para o Paraguai, a estratégia gera empregos e fortalece sua base industrial. Para o Brasil, o movimento funciona como alerta sobre o peso de impostos, encargos e custos que dificultam competir dentro do próprio território.

A questão central é saber até quando empresas brasileiras vão preferir produzir fora para vender de volta ao mercado nacional. Se a tendência crescer, o debate sobre reforma tributária, ambiente de negócios e custo do trabalho tende a ficar ainda mais urgente.

E você, acha que o Paraguai está apenas aproveitando melhor suas regras para atrair empresas, ou o Brasil está empurrando sua própria indústria para fora com custos altos demais? Comente sua opinião.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x