Projeto de lei prevê até 3 anos de bônus por filho para mães de baixa renda. Medida pode antecipar aposentadoria e revisar benefícios no INSS.
No Brasil, a luta por uma aposentadoria justa sempre esteve no centro dos debates sociais. Para as mulheres, que historicamente acumulam jornadas duplas e muitas vezes sacrificam a carreira para cuidar dos filhos, esse desafio é ainda maior. Agora, um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional pode transformar radicalmente essa realidade: ele prevê que o tempo dedicado à maternidade passe a contar como bônus no cálculo da aposentadoria.
A proposta garante que cada filho possa render até 3 anos de acréscimo no tempo de contribuição, acelerando a aposentadoria de mães de baixa renda. Se aprovada, a medida poderá beneficiar milhões de mulheres, principalmente aquelas que dedicaram parte da vida ao cuidado familiar e tiveram dificuldades para manter contribuições contínuas ao INSS.
O que diz o PLP 122/2021
O projeto em questão é o Projeto de Lei Complementar (PLP) 122/2021, já aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
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O texto propõe que o período de maternidade seja reconhecido como tempo extra para fins previdenciários, estabelecendo critérios de bônus por filho:
- 1 ano de acréscimo por filho;
- 2 anos em caso de adoção ou filho com deficiência;
- 3 anos quando a mãe de baixa renda comprovar que recebeu benefícios sociais por pelo menos 12 meses.
Essa fórmula cria uma compensação para mulheres que tiveram suas trajetórias profissionais interrompidas ou reduzidas em razão da maternidade.
Por que essa regra é necessária?
As estatísticas mostram que as mulheres ainda enfrentam enormes desigualdades no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, as brasileiras recebem, em média, 20% menos que os homens e são as principais responsáveis por tarefas de cuidado dentro do lar.
Além disso, o tempo fora do mercado para cuidar dos filhos faz com que muitas mães acabem com lacunas em suas contribuições ao INSS, o que atrasa a aposentadoria ou reduz o valor do benefício.
O projeto de lei vem justamente para corrigir essa distorção: reconhecer o cuidado com os filhos como trabalho de valor social e dar às mães condições mais justas de acesso à previdência.
Impacto na aposentadoria das mulheres
Se aprovado, o PLP 122/2021 pode representar uma revolução silenciosa. Imagine uma mãe de três filhos de baixa renda: com a nova regra, ela poderia ter até 9 anos de acréscimo no tempo de contribuição.
Isso significa que uma aposentadoria que antes seria alcançada apenas aos 62 anos poderia chegar bem antes, mudando a perspectiva de vida de milhões de famílias brasileiras.
Além disso, o projeto prevê que esses bônus sejam aplicados inclusive de forma retroativa, permitindo que mulheres que já contribuíram possam revisar seus benefícios ou antecipar pedidos em andamento.
O caminho legislativo até virar lei
Apesar do impacto positivo esperado, o projeto ainda está em tramitação e precisa passar por várias etapas. Depois da aprovação em comissões da Câmara, ele deve seguir para análise nas áreas de Seguridade Social e Família, Finanças e Tributação, e por fim a Comissão de Constituição e Justiça. Somente então poderá ser votado no plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado.
Esse processo pode levar meses ou até anos, mas o fato de já ter sido aprovado em uma das comissões mais importantes representa um avanço considerável.
Parlamentares e especialistas em previdência social argumentam que o projeto é uma forma de justiça histórica. Afinal, se o cuidado materno é fundamental para a sociedade, ele precisa ser reconhecido também no sistema previdenciário.
Para eles, o bônus por filho não deve ser visto como privilégio, mas como uma reparação a um sistema que historicamente penalizou as mulheres pela dupla jornada de trabalho.
Um divisor de águas na aposentadoria feminina
Se implementada, a medida não apenas reduzirá o tempo de espera para aposentadoria de milhões de mulheres, mas também poderá ser o pontapé inicial de uma nova lógica previdenciária, que reconhece o trabalho invisível das mães como parte essencial da economia e da estrutura social.
Ao prever até 3 anos de bônus por filho, o PLP 122/2021 se apresenta como uma das propostas mais inovadoras dos últimos anos no campo previdenciário.
Para muitas famílias brasileiras, essa pode ser a diferença entre envelhecer com dignidade ou enfrentar a incerteza de uma aposentadoria tardia e insuficiente.
