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Luz ultravioleta revela escorpiões neon e biofluorescência em animais como sapos, esquilos voadores e ornitorrincos: parece ficção científica mas é biologia

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 28/01/2026 às 10:52
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Luz ultravioleta revela fotoluminescência em escorpiões e outros animais e ciência investiga funções como comunicação e camuflagem.
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Escorpiões, esquilos voadores, ornitorrincos e até cobras revelam cores vibrantes quando iluminados por luz UV. Pesquisas recentes mostram que 95% dos mamíferos testados apresentam fotoluminescência.

Imagine caminhar por uma floresta à noite com uma lanterna ultravioleta. De repente, escorpiões azul-fluorescentes, esquilos voadores cor-de-rosa e sapos que brilham intensamente surgem ao seu redor.

O que parece cenário de ficção científica é, na verdade, um fenômeno biológico comum chamado fotoluminescência, e os cientistas estão descobrindo que ele é muito mais difundido na natureza do que se imaginava.

Diferente da bioluminescência, onde o animal produz sua própria luz como os vaga-lumes, a fotoluminescência ocorre quando a pele, pelagem ou exoesqueleto absorve luz ultravioleta e a reemite em cores vibrantes visíveis.

Segundo informações publicadas pela National Geographic em maio de 2025, esse fenômeno está presente em praticamente toda a cadeia animal.

Escorpiões lideram o espetáculo fluorescente desde 1954

Os escorpiões são os protagonistas desse fenômeno natural. Todas as espécies de escorpiões fluorescem quando expostas à luz ultravioleta, segundo o Portal de Zoologia de Pernambuco. A característica foi observada pela primeira vez em 1954 e, desde então, lanternas UV tornaram-se ferramentas essenciais para detectar esses aracnídeos em seus habitats naturais.

O brilho azul-esverdeado fantasmagórico dos escorpiões tem origem em uma camada ultrafina do exoesqueleto chamada exocutícula hialina, rica em mucopolissacarídeos e lipoproteínas.

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De acordo com pesquisas da Universidade Estadual da Califórnia, o professor Carl Kloock sugere que esse brilho funciona como um sensor de luz rudimentar. O exoesqueleto agiria como um coletor de fótons de corpo inteiro, ajudando o animal a detectar se está exposto ou em local seguro.

Curiosamente, essa característica aparece em fósseis com 430 milhões de anos. Escorpiões jovens ou que acabaram de fazer a muda do exoesqueleto não apresentam fluorescência, pois a cutícula precisa estar completamente endurecida para o fenômeno ocorrer.

Mamíferos surpreendem com números impressionantes de fluorescência

A grande revelação veio com estudos recentes sobre mamíferos. Linda Reinhold, zoóloga da James Cook University na Austrália, testou peles de 141 espécies de mamíferos australianos em 2023 e descobriu que 95% apresentavam propriedades fotoluminescentes. Os resultados foram publicados no Australian Journal of Zoology.

“Os artigos recentes dão a entender que se trata de algo realmente raro e especial. Mas é a norma, não a exceção”, afirmou Reinhold em entrevista à National Geographic. A pesquisadora relata que ao parar na beira da estrada e iluminar animais atropelados com lanterna UV, o resultado era simplesmente deslumbrante.

Os ornitorrincos entraram para esse seleto grupo em 2020. Pesquisadores da bióloga Paula Spaeth Anich, do Northland College em Wisconsin, descobriram que esses animais já peculiares emitem um brilho azul-esverdeado sob luz ultravioleta. A descoberta aconteceu por acidente quando a equipe testava esquilos voadores preservados no Museu Field de História Natural em Chicago e, por curiosidade, iluminaram um espécime de ornitorrinco armazenado no local.

Esquilos voadores revelam segredo rosa brilhante

Os esquilos voadores são outro caso fascinante. As três espécies americanas brilham em um tom rosa intenso sob luz UV, segundo estudo publicado no Journal of Mammalogy em janeiro de 2025. A bióloga Paula Anich descobriu o fenômeno durante uma exploração noturna em Wisconsin quando seu colega Jon Martin examinava líquens com lanterna UV.

A fluorescência estava presente em espécimes do século 19 ao 21, da Guatemala ao Canadá, em machos e fêmeas coletados em todas as estações.

Acredita-se que o brilho rosa tenha relação com percepção e comunicação noturnas, especialmente em ambientes com neve, onde a alta reflexão de UV pode amplificar o sinal visual.

De acordo com a National Geographic, apenas cerca de duas dúzias de espécies de gambás eram conhecidas por terem pelagem fluorescente antes dessa descoberta. Esses marsupiais, espalhados pelas Américas, brilham em tons roxo-rosados sob luz ultravioleta.

Cobras e répteis entram na lista com função de camuflagem

Em 2024, pesquisadores acrescentaram as cobras à longa lista de animais fotoluminescentes. Cerca de 110 espécies de cobras, do Colorado ao Peru, foram analisadas e aproximadamente 90% mostraram sinais de coloração ultravioleta ou reflexão de luz UV, segundo a National Geographic.

O estudo revelou padrões interessantes relacionados ao habitat. Cascavéis da pradaria, que vivem ao ar livre, quase não apresentam coloração UV, parecendo “fantasmas na paisagem”. Já suas primas tropicais do gênero Bothrops exibiam coloração UV total. Para cobras que vivem em árvores, o brilho UV pode servir como camuflagem, já que muitas plantas também refletem essa luz.

Os dados sobre anfíbios são igualmente impressionantes: 92% de 187 espécies de sapos analisadas tinham pele fotoluminescente, conforme informações divulgadas em maio de 2025.

Oceanos guardam comunicação secreta invisível aos humanos

No ambiente marinho, a fotoluminescência desempenha papel crucial na comunicação. Pesquisadores identificaram 95 espécies de peixes de recife de coral que brilham em ultravioleta.

Tubarões ganham tons verde neon, enquanto tartarugas marinhas de pente se transformam em verdadeiras decorações de Natal subaquáticas com verdes e vermelhos dispostos em padrões geométricos.

A luz azul é a que mais penetra nas profundezas oceânicas. Segundo fontes científicas, peixes, tubarões e tartarugas usam o brilho UV para se comunicar em um “portal visual” invisível para humanos, mas perfeitamente claro para seus pares. Essa comunicação subaquática representa um canal sensorial completamente oculto da percepção humana.

Funções evolutivas ainda intrigam cientistas

O mistério sobre as funções adaptativas da fotoluminescência permanece sem resposta definitiva, especialmente nos mamíferos. Reinhold e colegas testaram como a vida selvagem interagia com modelos de ratos com e sem brilho UV em diferentes fases lunares. O resultado foi decepcionante: não houve preferência por nenhum dos modelos, nem entre herbívoros e carnívoros, nem entre diferentes grupos de mamíferos.

As hipóteses variam conforme o grupo animal. Para escorpiões, além do sensor de luz, acredita-se que o brilho facilite o reconhecimento entre indivíduos da mesma espécie e possa desorientar pequenos insetos, tornando-os presas mais fáceis. Alguns compostos responsáveis pelo brilho podem ainda desempenhar papel na proteção contra radiação UV solar e possuir propriedades antifúngicas e antiparasitárias.

Para aves, foram identificadas 181 espécies com plumagem fotoluminescente. A coloração UV parece estar envolvida no processo de seleção de parceiros, como evidenciado pelos bicos de neon dos papagaios-do-mar.

Ciência cidadã amplia descobertas de forma democrática

Em 2024, cientistas cidadãos fizeram descobertas importantes usando lanternas UV em seus próprios quintais. Lagartixas e milípedes brilhantes foram documentados, expandindo ainda mais o conhecimento sobre a distribuição do fenômeno. Essa democratização da pesquisa mostra que qualquer pessoa com uma lanterna ultravioleta pode contribuir para a ciência.

A característica de fósseis de escorpiões com 430 milhões de anos brilharem sugere que a fotoluminescência é um traço evolutivo extremamente antigo. Pode ser uma peculiaridade ancestral mantida ao longo de milhões de anos ou ter funções adaptativas que ainda não compreendemos completamente.

Os pesquisadores agora possuem as ferramentas para “enxergar” o mundo sob uma nova luz. A natureza se revela muito mais colorida do que nossos olhos conseguem perceber, operando em frequências invisíveis que criam toda uma dimensão paralela de comunicação visual e interação ecológica. O mundo noturno, quando iluminado por luz UV, transforma-se em um caleidoscópio neon que existe há milhões de anos, mas permaneceu oculto da humanidade até recentemente.

E você, já imaginou quantos animais ao seu redor podem estar brilhando neste exato momento sem que você perceba? A fotoluminescência levanta questões fascinantes sobre as limitações da percepção humana e o que mais pode estar acontecendo na natureza além do alcance dos nossos sentidos. Será que a função desse brilho em mamíferos permanecerá um mistério ou novos estudos trarão respostas definitivas? Deixe sua opinião nos comentários.

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Geovane Souza

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