1. Início
  2. Agronegócio
  3. Vendiam mudas sem comprador no interior do RS, decidiram fazer o próprio azeite para provar o valor da fruta e criaram a marca mais premiada do Brasil, com 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões em 2026
Faça um comentário 10 min de leitura

Vendiam mudas sem comprador no interior do RS, decidiram fazer o próprio azeite para provar o valor da fruta e criaram a marca mais premiada do Brasil, com 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões em 2026

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 28/06/2026 às 18:03 Atualizado em 28/06/2026 às 18:06
No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.
No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

No Rio Grande do Sul, a família Marchetti vendia mudas de oliveira sem comprador e decidiu fazer o próprio azeite para provar o valor da fruta. Treze anos depois, a Prosperato virou a marca de azeite mais premiada do Brasil, com 330 prêmios, e mira R$ 12 milhões no agronegócio.

Tem negócio que nasce torto e endireita do jeito mais inesperado. No interior do Rio Grande do Sul, uma família tentava vender mudas de oliveira, mas quase ninguém entendia para que serviam, então ela resolveu plantar as próprias árvores e fazer azeite só para provar que a fruta valia a pena. A história foi contada pela revista Exame.

O improviso virou referência nacional. Treze anos e 330 prêmios depois, a Prosperato, de Caçapava do Sul, se tornou a marca de azeite de oliva mais premiada do Brasil, e agora quer dobrar de tamanho. A meta da empresa da família Marchetti é faturar R$ 12 milhões em 2026, apoiada numa nova linha de produtos e na melhor safra da sua história.

O caso é uma daquelas reviravoltas que só o agronegócio brasileiro entrega. De um viveiro de mudas sem clientes a um azeite coberto de medalhas, a Prosperato mostra como uma aposta de teimosia pode redesenhar o destino de uma família e abrir um mercado que muita gente nem sabia que existia no país.

De mudas de oliveira sem comprador a azeite premiado

No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.
No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.

O começo foi de pura dificuldade comercial. Por volta de 2011, a família Marchetti, de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, produzia mudas de oliveira para vender a quem quisesse plantar.

O problema era simples e grande: quase ninguém comprava, porque o brasileiro mal conhecia a cultura da oliva e não sabia o que fazer com aquelas árvores.

A solução foi provar na prática. “A gente estava querendo oferecer as mudas, mas as pessoas sequer sabiam para que produzia”, contou Rafael Marchetti à Exame, explicando por que a família decidiu plantar as próprias oliveiras e extrair azeite. Em vez de só vender a planta, eles passariam a mostrar o resultado dela na garrafa.

O primeiro lote saiu em 2013 e mudou tudo. Ao transformar a fruta em azeite, os Marchetti deram um motivo concreto para alguém se interessar pela oliveira, e o que era argumento de venda virou o coração do negócio. A muda que ninguém queria abriu caminho para um dos azeites mais celebrados do país.

Essa virada é o que torna a história tão forte. A Prosperato não nasceu de um grande plano de marketing, e sim da necessidade de convencer o cliente, o que obrigou a família a buscar qualidade desde o primeiro dia. Foi essa origem, meio acidental, que plantou a semente da obsessão por azeite premiado.

A família Marchetti e o nascimento da Prosperato

No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.
No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.

Por trás da marca está um negócio familiar de raiz. Rafael Marchetti entrou no projeto em 2013, ao lado do pai, Eudes, e juntos tocaram a transição de viveirista para produtor de azeite. A Prosperato cresceu como empresa de família, com decisões tomadas em casa e um cuidado quase artesanal com cada safra.

O crescimento foi deliberadamente cauteloso. “A gente sempre andou com muita cautela. Nosso foco em alguns anos foi não deixar faltar azeite”, afirmou Rafael, ao descrever a estratégia de não crescer rápido demais a ponto de comprometer a qualidade ou ficar sem produto para vender. Era melhor faltar ambição do que sobrar promessa sem entrega.

Essa paciência tem nome de método. Em vez de inundar o mercado, a Prosperato foi consolidando reputação safra após safra, deixando os prêmios e o boca a boca fazerem o trabalho de divulgação. Quando decidiu acelerar, a marca já tinha um lastro de credibilidade construído com anos de consistência no azeite.

A transição exigiu aprender quase tudo do zero. Sair da produção de mudas para a fabricação de azeite significou dominar colheita, prensagem e armazenamento, áreas em que a família não tinha tradição. Cada safra virou uma aula prática, e os acertos e erros foram moldando o padrão de qualidade que renderia os primeiros prêmios.

330 prêmios: a marca de azeite mais premiada do Brasil

No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.
No Rio Grande do Sul, mudas de oliveira viraram a Prosperato, o azeite mais premiado do Brasil: 330 prêmios e meta de R$ 12 milhões no agronegócio.

O reconhecimento veio em forma de medalhas, muitas medalhas. Ao longo de 13 anos, a Prosperato acumulou 330 prêmios e se firmou como a marca de azeite de oliva mais premiada do Brasil, segundo a Exame. Para um produto que começou como argumento para vender muda, é um salto e tanto.

A coleção de troféus cruzou fronteiras. Além dos concursos nacionais, o azeite da família Marchetti foi premiado em competições internacionais, inclusive na Europa, berço da cultura da oliva, e passou a figurar entre os melhores do Hemisfério Sul em rankings do setor. Levar prêmio para casa no quintal dos italianos e espanhóis tem um peso simbólico enorme para um azeite gaúcho.

Cada prêmio funciona como um selo de confiança para o consumidor. Num mercado em que o brasileiro ainda aprende a diferenciar um bom azeite de um ruim, a fileira de medalhas da Prosperato vira atalho de qualidade na hora da compra. Os prêmios, no fim, são o argumento de venda que a família não tinha lá no começo, quando só oferecia mudas.

Por que o azeite do Rio Grande do Sul ganha tantos prêmios?

A resposta começa no clima e no solo. O Rio Grande do Sul tem invernos frios, verões quentes e amplitude térmica, condições parecidas com as de regiões tradicionais de oliva no Mediterrâneo, o que favorece azeitonas de boa qualidade. Não por acaso, o estado se tornou o maior produtor de azeite de oliva do Brasil.

A juventude da produção, curiosamente, joga a favor. Como a olivicultura gaúcha é recente, ela já nasceu com tecnologia moderna, variedades selecionadas e colheita no ponto certo, sem vícios de séculos. Isso permite extrair azeites extravirgens muito frescos, que se saem bem nos concursos internacionais, onde frescor e baixa acidez valem ouro.

Há também o fator gente. Produtores como os Marchetti tratam o azeite como produto de alto padrão, e não como commodity barata, investindo em qualidade do início ao fim. Essa mentalidade de excelência, somada ao terroir gaúcho, é o que explica a chuva de prêmios que o azeite do Rio Grande do Sul vem conquistando.

A olivicultura gaúcha, aliás, é uma história recente e em plena expansão. O cultivo de oliveiras ganhou força no Rio Grande do Sul nas últimas duas décadas, com produtores apostando num produto antes considerado impossível em solo brasileiro. Hoje, o estado concentra a maior parte do azeite nacional e virou a vitrine desse novo capítulo do agronegócio do país.

O que torna um azeite “extravirgem” premiado?

Vale entender o que está em jogo na taça dos jurados. Azeite extravirgem é a categoria mais alta, feita só com o suco da azeitona extraído de forma mecânica, sem química, e com acidez muito baixa. Qualquer defeito de sabor ou aroma já tira o azeite dessa classificação, então alcançar o nível extravirgem premium é difícil.

O segredo está em detalhes do campo à prensa. Colher a azeitona no ponto certo, processá-la poucas horas após a colheita e controlar a temperatura na extração são passos que preservam os compostos que dão sabor, aroma e benefícios à saúde. É esse cuidado obsessivo que separa um azeite comum de um azeite de concurso.

Nos grandes prêmios, jurados provam às cegas e avaliam frescor, equilíbrio e complexidade. Um azeite que lembra erva fresca, com amargor e ardência na medida, pontua alto, porque esses traços indicam um produto saudável e bem-feito. Foi nesse jogo exigente que a Prosperato aprendeu a brilhar, prêmio após prêmio.

A meta de R$ 12 milhões e a linha global

Agora a Prosperato decidiu acelerar de vez. O plano da marca é dobrar de tamanho e faturar R$ 12 milhões em 2026, segundo a Exame, deixando para trás a cautela dos primeiros anos. A virada de chave veio de duas frentes: uma safra recorde e uma nova linha de produtos pensada para escalar.

A safra de 2024 deu o fôlego que faltava. Naquele ano, a empresa colheu cerca de 400 toneladas de azeitonas e produziu por volta de 54 mil litros de azeite, a melhor colheita da sua história, contra 25 mil litros em 2023. “Com essa última safra que foi muito boa, mais a entrada dos global, a gente já consegue ir para o mercado com menos medo de oferecer”, disse Rafael Marchetti.

A tal “linha global” é a aposta de crescimento. Trata-se de quatro blends, misturas de azeites de diferentes origens assinadas pela Prosperato, produzidas com azeitonas do Chile e da Espanha. Para abastecer essa linha, a marca importou 78 mil litros em 2025 e projeta 100 mil litros em 2026, combinando o azeite gaúcho premiado com produto de fora para atender mais gente sem perder qualidade.

O objetivo é democratizar sem baratear demais. “Precisamos equalizar, ter qualidade e preço competitivo”, resumiu Rafael, sobre o desafio de chegar a mais consumidores mantendo o nível que rendeu os prêmios. Com garrafas que partem de cerca de R$ 55, a Prosperato tenta ocupar a fatia premium do mercado brasileiro de azeite.

A estratégia de preço acompanha a ambição. Com os rótulos premiados de um lado e a linha global mais acessível de outro, a marca tenta atender tanto quem busca o melhor azeite quanto quem quer experimentar sem gastar muito. É a tentativa de crescer em volume sem abrir mão da imagem de qualidade construída a duras penas, prêmio a prêmio.

O viveiro que nunca parou e o “metro zero”

Curiosamente, o negócio que quase não vingou continua de pé. Mesmo virando potência do azeite, a Prosperato mantém o viveiro próprio de mudas de oliveira e atende produtores de qualquer tamanho, do fundo de quintal à grande lavoura. A atividade que parecia fracassada virou uma das pontas de um negócio completo.

A experiência no local virou atração à parte. Segundo Rafael Marchetti, os clientes gostam de visitar a propriedade, provar o azeite na origem e contar que compraram “no metro zero”, direto de onde a azeitona é colhida e prensada. Esse contato com a fazenda agrega valor e fideliza, transformando a produção rural em destino.

É a prova de que nenhuma etapa foi desperdiçada. A muda, o azeite, os prêmios e o agroturismo se encaixam como peças de um mesmo quebra-cabeça, em que cada parte reforça a outra. O viveiro que não achava comprador hoje ajuda a espalhar a cultura da oliveira pelo Brasil, vendendo a árvore que deu origem a tudo.

O que a Prosperato diz sobre o agronegócio brasileiro

A história tem um recado maior sobre o país. O azeite de oliva sempre foi sinônimo de importado no Brasil, mas casos como o da Prosperato mostram que dá para produzir aqui, com qualidade de exportação, e disputar espaço com os gigantes europeus. É substituição de importação acontecendo na prática, dentro do agronegócio.

O tamanho do mercado anima quem produz. O Brasil é um dos maiores consumidores de azeite do mundo e importa quase tudo o que usa, o que deixa um espaço gigante para o produtor nacional crescer. “No dia que tivermos um milhão de litros, só temos 1% de mercado”, disse Rafael Marchetti, dimensionando o quanto ainda há para conquistar.

Os números do setor reforçam o tamanho da oportunidade. O Brasil importa a enorme maioria do azeite que consome, gastando centenas de milhões de dólares por ano com produto de fora, sobretudo de Portugal, Espanha e Chile. Cada litro produzido aqui, dentro do agronegócio nacional, é um passo para reduzir essa conta e manter renda no país.

Para o agronegócio gaúcho e brasileiro, a Prosperato vira modelo. Ela prova que um produto de alto valor, bem-feito e bem contado, pode nascer no interior e ganhar o país e o mundo, gerando renda e orgulho regional. O azeite premiado do Rio Grande do Sul é, hoje, um símbolo de que a oliva brasileira deixou de ser sonho para virar negócio sério.

E você, já provou um azeite brasileiro premiado?

A trajetória da Prosperato prova que teimosia e qualidade podem virar o jogo: a família Marchetti vendia mudas de oliveira sem comprador no Rio Grande do Sul, decidiu fazer o próprio azeite para mostrar o valor da fruta e acabou criando a marca mais premiada do Brasil, com 330 prêmios e a meta de faturar R$ 12 milhões no agronegócio.

E você, já experimentou um azeite de oliva brasileiro premiado ou ainda acha que azeite bom só vem de fora? Conta aqui nos comentários se você toparia trocar o importado por um azeite do Rio Grande do Sul e o que mais pesa na sua escolha na hora de comprar.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x