A taxa das blusinhas arrecadou R$ 1,28 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,8% em relação ao mesmo período de 2025. A menos de seis meses das eleições, a ala política do governo defende revogar o imposto, enquanto os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento são contra. Empresários de 67 associações enviaram ofício a Lula pedindo a manutenção da taxa das blusinhas.
Ataxa das blusinhas voltou ao centro do debate político no Brasil em um momento que não é coincidência. A menos de seis meses das eleições, representantes da ala política do governo federal passaram a defender a revogação do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, o mesmo imposto que o presidente Lula chamou de “irracional” antes de sancioná-lo no dia 26 de junho de 2024, durante uma entrevista ao portal UOL e que de janeiro a março de 2026 arrecadou R$ 1,28 bilhão aos cofres públicos. O número representa um avanço de 21,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando a arrecadação com a taxa das blusinhas somou R$ 1,05 bilhão, segundo dados da Receita Federal. A questão que divide o governo é simples de formular e difícil de responder: vale mais manter a arrecadação e proteger a indústria nacional ou ganhar popularidade revogando um imposto impopular entre consumidores?
O cenário é de divisão aberta dentro do próprio governo. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse que achava “uma boa” revogar a taxa das blusinhas, sinalizando a posição da ala política que olha para as eleições. Na direção oposta, os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio são contra o fim da tributação, e Geraldo Alckmin, que até o mês passado chefiava o Mdic, defendeu publicamente o imposto e afirmou que não há decisão do governo sobre revogar a taxa das blusinhas. Enquanto isso, empresários e trabalhadores de 67 associações enviaram ofício a Lula pedindo a manutenção da tributação.
A história conturbada da taxa das blusinhas desde a aprovação
Segundo informações do portal do G1, a trajetória da taxa das blusinhas é marcada por contradições que agora voltam à tona. O imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 foi aprovado pelo Congresso Nacional em junho de 2024 após intenso debate e recuos, atendendo a um pleito da indústria nacional que pedia igualdade de condições no comércio exterior. Até então, essas compras eram isentas, o que permitia que consumidores brasileiros comprassem produtos em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress sem pagar imposto de importação.
-
Grupo russo de franquias escolheu o Brasil para expandir a sua cafeteria autônoma temática de capivara porque o brasileiro bebe quatro vezes mais café que o russo, e a empresa tem a meta de chegar a 600 unidades até dezembro de 2026, embora hoje opere apenas 15 pontos
-
iFood lança programa para ajudar entregadores a conquistar a primeira CNH; veja como participar
-
Elon Musk fatura US$ 165 bilhões em um único dia e sua fortuna dispara ainda mais; como?
-
Fila de caminhões no litoral do Piauí antecipa operação histórica no Porto de Luís Correia, onde 120 mil toneladas de minério de ferro extraídas em Piripiri devem seguir para a China e marcar o início de uma estrutura portuária esperada há décadas
O presidente Lula chegou a declarar publicamente que taxar compras internacionais era “irracional”, mas acabou sancionando a lei mesmo assim. O então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi a público repetidas vezes dizer que a taxa das blusinhas não traria impactos relevantes aos consumidores, um argumento que foi contestado por organizações de defesa do consumidor e por milhões de brasileiros que viram os preços das compras internacionais subir imediatamente após a entrada em vigor da tributação. A contradição entre o discurso de Lula e a assinatura da lei criou uma ferida política que nunca cicatrizou completamente.
Quanto a taxa das blusinhas já arrecadou para o governo federal
Os números de arrecadação mostram que a taxa das blusinhas se tornou uma fonte de receita significativa para o governo federal. No primeiro trimestre de 2026, a Receita Federal registrou R$ 1,28 bilhão em arrecadação com o imposto de importação sobre encomendas internacionais, um crescimento de 21,8% sobre os R$ 1,05 bilhão do mesmo período de 2025. Se o ritmo se mantiver, a arrecadação anual com a taxa das blusinhas pode ultrapassar R$ 5 bilhões em 2026.
Para os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, abrir mão dessa receita em ano eleitoral seria duplamente negativo. Além de perder bilhões em arrecadação, a revogação da taxa das blusinhas eliminaria a proteção tarifária que a indústria nacional conquistou e que empresários consideram fundamental para competir com produtos importados subsidiados em seus países de origem, especialmente da China. Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), foi direto: “Não faz sentido incentivar a importação de produtos que já são bastante subsidiados em seus países de origem e prejudicar a produção, os investimentos e a geração de empregos no Brasil.”
Por que a ala política do governo quer revogar a taxa das blusinhas
A motivação é eleitoral e não há pudor em admiti-lo. Com as eleições de outubro se aproximando, a ala política do governo federal enxerga na revogação da taxa das blusinhas uma oportunidade de reconquistar a simpatia de milhões de consumidores que utilizam plataformas internacionais de compras e que se sentiram prejudicados pela tributação. O ministro José Guimarães, ao dizer que achava “uma boa” revogar a medida, verbalizou o cálculo que circula nos bastidores: o número de eleitores que compram em plataformas chinesas é muito maior do que o número de eleitores que trabalham na indústria têxtil.
O problema é que a revogação da taxa das blusinhas teria consequências que vão além do ganho político de curto prazo. A indústria nacional mobilizou 67 associações para pressionar pela manutenção do imposto, alertando que o fim da tributação destruiria empregos, fecharia fábricas e aumentaria a dependência brasileira de produtos importados. Para o governo, a decisão é um dilema clássico entre popularidade imediata e política industrial de longo prazo, e a proximidade das eleições torna a tentação de revogar quase irresistível.
O que a indústria nacional defende sobre a taxa das blusinhas
Para os empresários brasileiros, a taxa das blusinhas não é um imposto abusivo, é uma correção de uma distorção. Até a aprovação da tributação, produtos importados de até US$ 50 entravam no Brasil sem pagar imposto de importação, enquanto produtos fabricados no país carregavam uma carga tributária que podia ultrapassar 40% do preço final, criando uma competição desigual que favorecia empresas estrangeiras e prejudicava fábricas brasileiras.
O ofício enviado pelas 67 associações a Lula argumenta que a taxa das blusinhas é questão de “igualdade tributária e regulatória”. A posição da indústria é que revogar a taxa das blusinhas para ganhar votos seria sacrificar empregos brasileiros em troca de produtos mais baratos fabricados com mão de obra e subsídios de outros países, especialmente da China. Para trabalhadores de setores como têxtil, calçados e acessórios, a revogação da taxa das blusinhas pode significar demissões em massa em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro precisa de proteção.
O que pode acontecer com a taxa das blusinhas nos próximos meses
A decisão final sobre a taxa das blusinhas depende de Lula, que até agora não se posicionou oficialmente sobre a revogação. A divisão entre a ala política e a ala econômica do governo torna o desfecho imprevisível, e é possível que a solução seja uma redução da alíquota em vez de uma revogação completa, um meio-termo que permitiria ao governo dizer que aliviou a tributação sem abandonar completamente a proteção à indústria nacional.
Se a taxa das blusinhas for mantida, a arrecadação continuará crescendo e a indústria terá argumentos para investir. Se for revogada, os consumidores pagarão menos por compras internacionais, mas o governo perderá bilhões em receita e a indústria nacional enfrentará novamente a competição desigual que motivou a criação do imposto. A ironia é que Lula, que chamou a taxa das blusinhas de irracional antes de assiná-la, agora precisa decidir se foi mais racional criá-la ou se seria mais racional extingui-la. A resposta depende de quem está perguntando: o consumidor, o industrial ou o eleitor.
O governo debate revogar a taxa das blusinhas a meses das eleições. Você é a favor ou contra o imposto? Compra em plataformas internacionais? Acha que a indústria nacional precisa dessa proteção? Deixe sua opinião nos comentários.


-
-
2 pessoas reagiram a isso.