História que saiu da periferia de Salvador e chegou ao topo de um dos cursos mais disputados do país chama atenção pela disciplina, pela falta de recursos e pelo desafio de transformar a aprovação histórica em permanência real na universidade.
O apresentador Luciano Huck publicou, em 2 de fevereiro de 2026, uma homenagem ao estudante baiano Wesley de Jesus, aprovado em 1º lugar em Medicina na Universidade de São Paulo (USP) por meio da nota do Enem 2025.
A trajetória do jovem ganhou repercussão nacional não apenas pelo desempenho acadêmico, mas também pelas condições em que ele se preparou para a prova.
Sem computador em casa, Wesley mantinha uma rotina de estudos iniciada ainda de madrugada, utilizando um celular antigo como principal ferramenta de acesso ao conteúdo.
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Apesar da conquista histórica, o resultado trouxe um novo desafio imediato para a família, que passou a buscar alternativas para viabilizar a mudança e garantir a permanência do estudante em São Paulo.
A publicação de Huck destacou a origem do jovem e o peso simbólico do resultado alcançado em uma das seleções mais concorridas do país.
“Da periferia de Salvador ao 1º lugar em Medicina na USP, Wesley chegou lá com esforço, persistência e confiando no poder transformador do conhecimento.
Que essa conquista inspire outros jovens a acreditarem: dá, sim, pra sonhar alto e chegar longe através da educação”, escreveu o apresentador.
Reconhecimento público amplia alcance da trajetória

Ao comentar o caso, Luciano Huck afirmou que histórias como a de Wesley ajudam a renovar a confiança na educação e no futuro, reforçando o papel transformador do ensino quando aliado à persistência. “Tem histórias que renovam a nossa esperança na educação, na juventude e no futuro”, disse.
“Parabéns Wesley! Parabéns pra essa família e que venham muitas outras oportunidades e conquistas”, completou.
A repercussão ampliou rapidamente a visibilidade do estudante baiano, que já vinha sendo citado em reportagens e compartilhamentos nas redes sociais desde a divulgação do resultado do exame.
O caso chamou atenção tanto pela nota obtida quanto pela preparação realizada em condições adversas.
Origem familiar ajuda a dimensionar a conquista
Natural de Salvador, Wesley de Jesus tem 23 anos e mora no bairro de Águas Claras, na região de Cajazeiras. Filho de um pedreiro e de uma trabalhadora doméstica, ele se tornou o primeiro integrante da família a ingressar no ensino superior.
Os pais são oriundos do sertão baiano, dos povoados de Lamarão e Água Fria, na região do Sisal. Esse contexto social ajuda a dimensionar a distância entre o ponto de partida e o resultado obtido em um curso que figura entre os mais disputados do país.
Disciplina diária marcou a preparação para o exame
Durante o período de estudos, a disciplina foi tratada como prioridade absoluta. De acordo com Wesley, o dia começava cedo, antes do amanhecer, para que fosse possível manter uma rotina constante ao longo da preparação.
“Acordava cedo pra estudar, 5h da manhã já estava acordado. Sempre reconheci, desde pequeno, que a educação é um fator primordial para a mudança de realidade. Eu me via como um atleta de grande desempenho para poder me preparar para a prova”, relatou.
Sem acesso a computador, o celular antigo se tornou a principal ferramenta para assistir aulas e organizar materiais. Além disso, o próprio estudante montou um cronograma de estudos adaptado à sua realidade, mantendo constância mesmo diante das limitações.
Surpresa e alívio ao ver o nome na lista
O momento da divulgação do resultado foi descrito por Wesley como inesperado. Segundo ele, a reação foi de incredulidade ao perceber o próprio nome na primeira colocação da lista de aprovados.
“Conseguir o que eu sempre quis foi mirabolante.
Quando eu abri a primeira chamada e vi meu nome lá, ainda bem que eu estava sentado, ou teria caído para trás”, afirmou.
A aprovação representou uma virada decisiva em sua trajetória acadêmica e pessoal, traduzindo anos de preparação focada em um resultado inédito para o estudante.
Custos da mudança colocam permanência em pauta
Embora a vaga na USP represente um marco, a mudança para São Paulo envolve custos elevados. Entre as despesas previstas estão moradia, alimentação, transporte e materiais exigidos pelo curso.
Para uma família sem margem financeira, esses gastos se tornaram uma preocupação imediata. Diante desse cenário, Wesley iniciou uma campanha de arrecadação on-line com o objetivo de viabilizar a mudança e garantir condições mínimas para permanecer no curso.
Acesso garantido não resolve todos os obstáculos
A história do estudante evidencia um ponto recorrente no ensino superior público. Conquistar a vaga é apenas o primeiro passo de um processo que depende, na sequência, de apoio financeiro, políticas públicas e redes de suporte.
Cursos integrais, como Medicina, exigem dedicação quase exclusiva, especialmente nos primeiros anos, o que pode limitar oportunidades de trabalho e renda paralela. Embora o reconhecimento público amplie a visibilidade do caso, ele também expõe desafios estruturais que seguem presentes.
Com a vaga assegurada e a mudança em curso, a trajetória de Wesley levanta uma reflexão sobre permanência e equidade no ensino superior público. O que precisa mudar para que estudantes aprovados em universidades públicas consigam permanecer nelas sem depender de mobilizações individuais?


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