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Luciano Hang, dono da Havan, vira empresário modelo no Brasil, mas dura realidade poucas vezes é contada: cada nova megaloja exige até R$ 100 milhões, leva cerca de 5 anos para se pagar e pode gerar R$ 14 milhões anuais por unidade

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 03/06/2026 às 14:31 Atualizado em 03/06/2026 às 14:39
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Megaloja da Havan pode exigir até R$ 100 milhões, levar cerca de 5 anos para se pagar e gerar R$ 14 milhões por ano.
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Expansão da Havan envolve cifras bilionárias, retorno de longo prazo e uma conta operacional que ajuda a explicar por que cada megaloja exige planejamento financeiro antes de virar resultado concreto para a rede comandada por Luciano Hang.

A expansão da Havan exige desembolsos elevados antes de uma nova megaloja começar a gerar retorno relevante, conforme estimativas atribuídas ao empresário e investidor Wisley Anderson Vieira e ao especialista em gestão Roger Toshi.

De acordo com essas análises, uma unidade da rede pode custar entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões, com média próxima de R$ 70 milhões, considerando a estrutura necessária para colocar a loja em operação.

No cálculo apresentado pelos especialistas, entram despesas com terreno ou implantação imobiliária, construção, estrutura física, equipamentos, estoque inicial, contratação, treinamento e preparação operacional da unidade antes da abertura ao público.

Embora a marca tenha ampliado sua presença nacional nos últimos anos, cada nova abertura depende de capital elevado e de um período de maturação até que a unidade passe a contribuir para o resultado da companhia.

A Havan, comandada por Luciano Hang, tinha 189 lojas em fevereiro de 2026, segundo entrevista publicada pela Forbes, e projetava chegar a 200 unidades até dezembro do mesmo ano.

Dados do portal oficial de lojas indicavam unidades em 24 estados e no Distrito Federal, com presença mais concentrada em Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Quanto custa abrir uma megaloja da Havan

O custo estimado de até R$ 100 milhões por unidade mostra, segundo analistas de mercado, o peso financeiro da estratégia de expansão adotada pela rede em diferentes regiões do país.

Em 2026, a companhia anunciou investimento de até R$ 1,2 bilhão para abrir 15 lojas, o que indicava desembolso médio próximo de R$ 80 milhões por unidade, dentro da faixa citada nas projeções.

Megaloja da Havan pode exigir até R$ 100 milhões, levar cerca de 5 anos para se pagar e gerar R$ 14 milhões por ano.
Megaloja da Havan pode exigir até R$ 100 milhões, levar cerca de 5 anos para se pagar e gerar R$ 14 milhões por ano.

Essa média, porém, não significa que todas as unidades tenham o mesmo custo, já que o valor final depende das características de cada cidade, do terreno, do projeto e das exigências locais.

Também influenciam a conta o tamanho da área construída, a estrutura logística, o padrão da obra, o volume de mercadorias colocado inicialmente à venda e as condições comerciais de implantação.

Além da construção, a operação precisa absorver custos de pessoal, tecnologia, segurança, energia, manutenção e capital de giro, elementos que compõem a rotina de uma loja de grande porte.

Pelo formato de megaloja adotado pela Havan, com áreas amplas de venda e sortimento diversificado, a necessidade de capital tende a ser maior do que em operações varejistas de menor escala.

Resultado operacional por loja da Havan

As estimativas citadas por analistas indicam que cada loja da Havan pode gerar, em média, cerca de R$ 14 milhões por ano em resultado operacional, tomando como base projeções consolidadas.

Esse número não foi divulgado pela empresa como dado individual de loja, mas aparece em análises que relacionam informações públicas, indicadores operacionais e projeções sobre o desempenho médio das unidades.

O indicador usado nesse tipo de cálculo é o EBIT, sigla em inglês para lucro antes de juros e impostos, métrica comum para avaliar o desempenho operacional de uma empresa.

Na prática, o EBIT mede o resultado da atividade principal do negócio, sem incluir despesas financeiras, efeitos tributários ou outras variações que possam alterar o lucro líquido final.

A distinção entre EBIT e lucro líquido é relevante porque uma megaloja pode registrar desempenho operacional positivo e, ainda assim, ter seu resultado final impactado por juros, tributos ou custos não recorrentes.

Por esse motivo, o valor estimado de R$ 14 milhões funciona como referência de capacidade operacional, e não como demonstração pública do caixa livre gerado por cada unidade.

Payback da Havan pode chegar a cinco anos

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Quando se compara um investimento médio de R$ 70 milhões com resultado operacional anual estimado em R$ 14 milhões, o prazo simples de retorno fica próximo de cinco anos.

Esse cálculo, chamado de payback, indica em quanto tempo o capital aplicado em um projeto seria recuperado a partir dos resultados gerados pela própria operação.

A métrica, no entanto, é simplificada e não substitui avaliações mais completas sobre fluxo de caixa, custo de capital, inflação, depreciação, tributos, despesas financeiras e riscos de execução.

Ainda assim, segundo analistas, o payback ajuda a explicar por que a abertura de lojas pode ser tratada pela companhia como uma alternativa de reinvestimento dentro do próprio negócio.

Na avaliação citada, o retorno sobre o capital empregado, conhecido como ROCE, ficaria em torno de 20%, quando se compara o resultado operacional ao capital investido.

Esse indicador mede a eficiência do dinheiro aplicado na operação e permite observar quanto retorno a empresa consegue gerar em relação aos recursos empregados na expansão física.

Selic entra na comparação com o retorno das lojas

O ROCE estimado de 20% foi comparado, nas análises citadas, à taxa básica de juros brasileira, usada como referência para investimentos financeiros e custo de capital no país.

O Banco Central reduziu a Selic para 14,50% ao ano na reunião do Copom de abril de 2026, após corte de 0,25 ponto percentual.

Pela comparação direta dos indicadores, a expansão física teria retorno operacional superior ao rendimento bruto associado à Selic, segundo a leitura apresentada pelos analistas.

A interpretação, entretanto, exige diferença de contexto, pois o retorno de uma loja envolve risco operacional, prazo de maturação, execução de obra, demanda local e custos permanentes.

Aplicações financeiras vinculadas à taxa básica de juros possuem dinâmica distinta, enquanto uma megaloja depende de vendas, gestão de estoque, equipes numerosas e adaptação ao mercado de cada cidade.

Por isso, a comparação pode servir como referência de análise, mas não representa uma conclusão automática sobre vantagem financeira entre alternativas de investimento de naturezas diferentes.

Expansão da Havan depende de caixa e execução

O Banco Safra avaliou, em abril de 2026, que a Havan mantinha perfil de crédito de baixo risco, caixa líquido confortável e capacidade de financiar a expansão sem elevar de forma relevante a alavancagem.

Na mesma análise, execução, margens e consumo das famílias foram apontados como pontos de acompanhamento para a varejista, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados.

Segundo a avaliação, a receita líquida consolidada da Havan somou R$ 13,7 bilhões em 2025, enquanto o EBITDA chegou a R$ 3 bilhões no mesmo período.

O relatório também registrou queda da margem EBITDA para 21,9%, movimento relacionado a mudanças no mix de vendas e ao aumento de despesas comerciais.

Em 2024, o grupo havia registrado lucro líquido de R$ 2,69 bilhões e faturamento de R$ 15,99 bilhões, conforme balanço divulgado pela companhia e noticiado pelo Poder360.

Naquele exercício, a rede passou de 172 para 177 lojas físicas, mantendo a expansão gradual da base de unidades antes do novo ciclo de investimentos anunciado para 2026.

Havan não divulga retorno individual por megaloja

Apesar das projeções sobre custo, payback e resultado operacional, a Havan não divulga publicamente uma abertura completa de retorno financeiro por unidade.

Também não há detalhamento público padronizado de custos operacionais loja a loja, o que limita a verificação independente dos cálculos atribuídos aos analistas.

As informações disponíveis permitem acompanhar o desempenho consolidado da companhia, os planos de expansão e algumas métricas de crédito divulgadas por instituições financeiras e pela própria empresa.

A rentabilidade exata de cada megaloja, porém, depende de dados internos, como vendas locais, despesas de ocupação, folha de pagamento, estoque, perdas, inadimplência e maturação da praça.

Luciano Hang afirmou à Forbes que a reestruturação financeira permitiu acelerar a abertura de lojas e disse que a meta era chegar a 200 unidades até dezembro de 2026.

Na mesma entrevista, o empresário declarou que cerca de 95% das vendas da Havan ainda vinham das lojas físicas, enquanto o comércio eletrônico respondia por 5%.

O modelo de expansão da Havan reúne escala nacional, presença regional e investimento inicial elevado, de acordo com os dados públicos disponíveis e as projeções apresentadas por analistas.

A estimativa de retorno em cinco anos ajuda a contextualizar a estratégia de abertura de lojas, mas os números devem ser lidos como projeções de mercado, não como dados oficiais de rentabilidade individual divulgados pela empresa.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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