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Lojas de moedas ficam abarrotadas de ouro e prata, preços disparam, vendas explodem e comerciantes são obrigados a limitar compras para não quebrar com tanta volatilidade

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/02/2026 às 09:53
Atualizado em 10/02/2026 às 10:03
Excesso de ouro e prata, após forte volatilidade, obriga lojas de moedas a limitar compras para evitar riscos financeiros.
Excesso de ouro e prata, após forte volatilidade, obriga lojas de moedas a limitar compras para evitar riscos financeiros.
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Com preços do ouro acima de US$ 5.300 e da prata próximos de US$ 120, a forte volatilidade do mercado levou a um aumento expressivo na oferta física de metais, pressionando lojas de moedas, travando o escoamento para refinarias e forçando a adoção de limites diários de compra para preservar caixa

O mercado de metais preciosos viveu um início de 2026 marcado por forte volatilidade, com reflexos diretos nas lojas de moedas locais, que agora lidam com excesso de ouro e prata, margens pressionadas e dificuldade para escoar o material acumulado, apesar de preços ainda muito acima dos níveis de um ano atrás.

Volatilidade recente muda dinâmica das lojas de moedas

Depois de um janeiro descrito como uma “festa” para o mercado de metais preciosos, fevereiro começou com um cenário de acomodação e ressaca. A onça de ouro chegou a ultrapassar US$ 5.300, enquanto a prata alcançou quase US$ 120 no fim de janeiro, antes de cair de forma acentuada e se estabilizar no início de fevereiro.

Segundo James Steel, analista de metais preciosos do HSBC, as oscilações sucessivas de ganhos e perdas causaram danos relevantes em toda a cadeia.

Um dos segmentos mais afetados foi o das lojas de moedas locais, pontos tradicionais onde pessoas negociam ouro e prata físicos.

Os preços elevados estimularam um fluxo intenso de vendedores. Como resultado, diversas lojas relataram dificuldades para encontrar canais capazes de absorver o volume excessivo de metais adquiridos.

Esse desequilíbrio colocou comerciantes em uma posição desconfortável, na qual a rapidez das variações nos preços à vista passou a corroer margens de lucro.

Negócios fechados em meio a quedas rápidas de preços

Mesmo durante momentos de forte instabilidade, algumas lojas continuaram operando. Tim Heuer, responsável pela University Coin & Jewelry, em Madison, Wisconsin, afirmou que a empresa seguia fechando negócios enquanto o mercado entrava em queda livre.

Ele relatou que um cliente entrou para vender prata quando o preço à vista estava em US$ 98 a onça e em trajetória descendente. Ao final do processo de emissão do cheque, o valor da prata já havia caído US$ 3,50 desde a entrada do cliente na loja, evidenciando a velocidade das mudanças de preço.

Esse tipo de situação ilustra como a volatilidade recente afeta diretamente o dia a dia das lojas de moedas, que precisam precificar compras em tempo real enquanto assumem riscos relevantes de curto prazo.

Papel das lojas de moedas na circulação física de metais

As lojas de moedas desempenham função essencial na circulação física de ouro e prata. Elas oferecem um meio confiável para que indivíduos vendam barras, moedas ou sucata metálica, conectando o público ao restante da cadeia do mercado de metais preciosos.

Um exemplo citado é o de consumidores que adquiriram barras de ouro em grandes varejistas, como o Costco, e depois buscam converter esses ativos em dinheiro.

Nesses casos, uma loja de moedas local costuma ser o primeiro destino.

Embora parte do material adquirido seja revendida diretamente, a maior parcela é enviada a refinarias, onde o metal é derretido e transformado em novas barras ou moedas. Esse fluxo, no entanto, sofreu interrupções relevantes nos últimos meses.

Refinarias enfrentam acúmulo e interrompem compras

A disparada nos preços do ouro e da prata incentivou mais pessoas a negociar seus metais, resultando em um acúmulo significativo de matéria-prima nas refinarias.

Esse congestionamento gerou atrasos no fornecimento e levou algumas empresas a suspender temporariamente novas aquisições.

Jarret Niesse, presidente da Precious Metal Refining Services, em Chicago, afirmou que sua empresa parou de comprar prata para reciclagem em outubro, quando o preço ultrapassou US$ 50 por onça.

A alta desencadeou uma onda de trocas de talheres, travessas e outros objetos antigos que estavam guardados havia anos.

Segundo Niesse, o mercado se tornou ainda mais descontrolado desde então. Ele afirmou que, durante a intensa movimentação associada aos chamados “jogadores de prata”, sua empresa optou por ficar de fora.

Essas refinarias representam apenas uma etapa do processo. Grande parte do metal fundido segue para outras casas da moeda e depois é exportada, sobretudo para mercados asiáticos, onde a demanda por barras e moedas é maior.

Com excesso de material para processar, essas etapas finais também reduziram compras, afetando diretamente o fluxo de caixa das lojas de moedas locais.

Um ato de equilíbrio no balanço patrimonial

Diante desse cenário, as lojas de moedas não podem simplesmente interromper todas as compras, pois exercem um papel central nos mercados locais. Para continuar operando, estão adotando estratégias de adaptação que exigem equilíbrio financeiro constante.

Tom Spoerl, gerente do Rick’s Olde Gold, também em Madison, afirmou que erros nesse processo podem levar à perda rápida de capital.

Segundo ele, não se trata de um tipo de negócio em que recorrer a empréstimos ou crédito bancário faça sentido.

James Steel, do HSBC, reforçou que não é aconselhável manter grandes estoques de metais financiados por longos períodos. Como resposta, lojas como as de Spoerl e Heuer passaram a impor limites à quantidade de dinheiro que compram de uma mesma pessoa por dia.

De acordo com os comerciantes, a medida permite atender um número maior de clientes e fornecer recursos para necessidades imediatas, como pagamento de impostos anuais ou contas médicas, sem comprometer excessivamente os balanços.

Perspectivas ainda incertas para preços e negócios

Apesar das limitações adotadas, Spoerl e Heuer afirmaram ser impossível prever o comportamento dos preços nas próximas semanas. Ainda assim, ambos disseram que continuarão tentando equilibrar o atendimento aos clientes com a preservação da saúde financeira de suas empresas.

Para Spoerl, interromper totalmente as compras agora seria estranho, já que se trata de uma situação inédita. Ele afirmou que a estratégia atual é acompanhar o fluxo do mercado e tomar decisões conforme os acontecimentos se desenrolam.

Heuer, por sua vez, observa o cenário com uma visão de longo prazo. Segundo ele, o ouro ainda está 76% acima do valor de mercado de um ano atrás, enquanto a prata permanece 147% acima do mesmo período.

Mesmo considerando um horizonte de um ano, ele destacou que o retorno continua elevado, mantendo atrtatividade para muitos investidores, apesar da volatilidade.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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