Lockheed Martin revelou ao mundo um veículo submarino que gruda no casco de navios como um parasita, recarrega sozinho, lança torpedos, drones aéreos e iscas eletrônicas e faz tudo isso sem um único ser humano a bordo. Conheça o LampreyMMAUV!
Imagine um dispositivo militar do tamanho de um armário grande que se prende debaixo de um navio de guerra como uma lampreia se prende a um tubarão. Ele viaja de carona, roubando energia do movimento da água. Quando chega ao campo de batalha, se solta, mergulha nas profundezas e começa a espionar, enganar e atacar frotas inteiras tudo sozinho, sem controle remoto, sem tripulação e, segundo seus criadores, sem que nenhum sonar consiga detectá-lo.
Esse dispositivo existe. Seu nome é LampreyMMAUV. sigla para Lamprey Multi-Mission Autonomous Undersea Vehicle e foi revelado oficialmente pela Lockheed Martin em 9 de fevereiro de 2026.
O nome já diz tudo: um parasita militar das profundezas
A lampreia é um peixe sem mandíbula, apelidado de “peixe vampiro“. Ela se fixa em animais maiores com uma boca em formato de ventosa cheia de dentes, alimentando-se do hospedeiro enquanto viaja protegida. A Lockheed Martin transformou esse conceito da natureza em tecnologia de guerra submarina.
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O LampreyMMAUV possui um sistema de ancoragem que permite que ele se acople ao casco de qualquer navio de superfície ou submarino, sem que o navio hospedeiro precise de nenhuma modificação.
Uma vez grudado, ele ativa seus hidrogeradores internos, que funcionam como pequenas turbinas movidas pelo deslocamento da água.
Resultado: quando o drone submarino chega à zona de operação, suas baterias estão 100% carregadas e prontas para a missão.
Isso resolve o maior problema dos veículos submarinos autônomos: a autonomia de bateria. Enquanto outros drones gastam boa parte da carga apenas para chegar ao destino, o Lamprey chega com energia total — porque viajou de graça.
Um compartimento de carga que carrega de tudo
O design do LampreyMMAUV é retangular e modular, com um compartimento de carga de 24 pés cúbicos (cerca de 680 litros) de espaço interno. Esse espaço pode ser configurado para carregar praticamente qualquer coisa que a missão exigir:
- Torpedos leves para guerra antissubmarina
- Tubos de lançamento de drones aéreos (UAVs) para vigilância ou ataque
- Iscas eletrônicas e decoys que confundem sonares e radares inimigos, criando alvos fantasmas
- Sonoboias, sensores passivos de radiofrequência e sonares para coleta de inteligência
- Equipamentos para instalação no leito oceânico, transformando o fundo do mar em uma rede de sensores permanente

A arquitetura é aberta e modular, o que significa que novos tipos de carga podem ser desenvolvidos e encaixados sem redesenhar o veículo inteiro. A Lockheed Martin chama isso de design “plug-and-play”.
Dois modos de operação que mudam o jogo naval
O Lamprey opera em dois modos distintos que podem ser alternados conforme a necessidade do comando:
Modo Acesso Garantido (Assured Access): o drone se infiltra silenciosamente em áreas contestadas, coleta inteligência, faz vigilância persistente e, se necessário, executa ataques de precisão. É o modo espião — invisível, paciente e letal quando precisa ser.
Modo Negação Marítima (Sea Denial): aqui o Lamprey se transforma em uma máquina de caos controlado. Ele lança iscas eletrônicas para confundir sensores inimigos, implanta decoys que simulam a presença de submarinos ou navios fantasmas, e pode executar ataques cinéticos diretos. O objetivo é impedir que o inimigo se mova livremente em determinada área do oceano.
Um único veículo que espia E ataca. Que se esconde E engana. Que coleta dados E lança torpedos. Essa versatilidade em uma plataforma compacta e autônoma é o que torna o LampreyMMAUV diferente de tudo que já foi apresentado na guerra submarina.
Ele não apenas coleta informação, ele a transmite em tempo real
O LampreyMMAUV possui um mastro retrátil que permite comunicação tanto na superfície quanto em ambiente submarino. Com esse sistema, o drone pode transmitir tudo o que detecta diretamente para navios aliados, outras embarcações não tripuladas ou até aeronaves.

Em um vídeo conceitual divulgado pela Lockheed Martin, o cenário mostrado é revelador: o Lamprey detecta um navio inimigo, transmite as coordenadas para um F-35 Joint Strike Fighter que sobrevoa a região, e o caça dispara um míssil contra o alvo, tudo sem que o piloto do F-35 precisasse encontrar o navio sozinho. O drone submarino funcionou como os olhos invisíveis da operação.
Isso transforma o conceito de guerra naval. Não é mais um submarino contra outro submarino. É uma rede integrada onde um pequeno robô no fundo do mar pode guiar um ataque aéreo a milhares de metros de altitude.
A matemática militar que assusta: um navio, dezenas de Lampreys
Uma das implicações mais perturbadoras do LampreyMMAUV é a escala. Como ele se acopla ao casco de qualquer embarcação sem modificações, teoricamente um único navio de guerra ou submarino pode transportar múltiplos Lampreys grudados em seu casco.
Ao chegar na zona de operação, o navio-mãe solta todos eles. Cada um mergulha para uma posição diferente, executa sua missão, espionar, atacar, enganar e quando termina, pode retornar ao navio para ser recolhido e recarregado. O ciclo se repete.
Isso significa que qualquer navio aliado se torna, na prática, um porta-drones submarino. Um destruidor que antes operava sozinho agora pode liberar uma frota fantasma de robôs autônomos ao seu redor, multiplicando sua presença e seu poder de combate sem colocar uma única vida a mais em risco.
Financiado internamente: velocidade sem burocracia do Pentágono
Um detalhe que chamou a atenção de analistas militares: o LampreyMMAUV foi financiado internamente pela Lockheed Martin, sem depender de contratos do governo americano para seu desenvolvimento inicial.
“O campo de batalha moderno exige plataformas que se escondam, se adaptem e dominem”, disse Paul Lemmo, vice-presidente e gerente geral de Sensores, Efetores e Sistemas de Missão da Lockheed Martin. “O LampreyMMAUV foi financiado internamente, o que nos permitiu iterar na velocidade da luz e entregar à Marinha uma verdadeira arma multimissão que detecta, perturba, engana e engaja por conta própria.”

Essa decisão de autofinanciamento permitiu que a empresa contornasse os ciclos lentos de aquisição do Pentágono e desenvolvesse o veículo com agilidade de startup — algo raro em programas de defesa que costumam levar décadas e consumir bilhões.
O contexto global: por que isso importa agora
O lançamento do LampreyMMAUV não acontece no vácuo. A guerra submarina está passando por uma revolução silenciosa. Na Guerra da Ucrânia, veículos de superfície não tripulados já atacaram navios russos, helicópteros e até caças, demonstrando que drones marítimos podem mudar o equilíbrio de uma guerra inteira.
A China está expandindo agressivamente sua frota submarina e suas capacidades no Mar do Sul da China. A Rússia mantém uma das maiores frotas de submarinos do mundo. E os Estados Unidos precisam de soluções que permitam cobrir oceanos inteiros sem depender exclusivamente de submarinos tripulados de bilhões de dólares cada.
O Lamprey representa uma filosofia diferente: em vez de poucos ativos caríssimos e tripulados, dezenas ou centenas de robôs baratos, descartáveis e autônomos que podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. É a lógica dos drones aéreos aplicada ao fundo do mar.
O que ainda não sabemos
A Lockheed Martin não revelou especificações completas do LampreyMMAUV. Até o momento, não foram divulgados dados sobre alcance máximo de operação autônoma, velocidade submersa, profundidade máxima de operação, peso e dimensões exatas ou custo unitário estimado.
O que se sabe é que o veículo já passou por exercícios e testes no mar, comprovando suas capacidades de manobra autônoma e vigilância. Não se trata de um conceito no papel é hardware real que já operou em condições reais.
O fundo do mar nunca mais será o mesmo
A Lockheed Martin tem mais de 35 anos de experiência desenvolvendo veículos submarinos autônomos. Mas o LampreyMMAUV representa algo diferente: não é apenas mais um drone que nada. É uma plataforma que se esconde, viaja de graça, chega carregada, espia sem ser vista, lança ataques aéreos e submarinos, engana sensores inimigos com fantasmas eletrônicos e depois volta para casa.
Se cumprir o que promete, o Lamprey não é apenas uma nova arma. É uma nova categoria de guerra — onde o fundo do oceano se transforma em um campo de batalha autônomo, invisível e permanente.
E o mais assustador: você nunca vai saber que ele está lá.


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