Estreia da Kia Tasman na Austrália amplia a pressão sobre a marca sul-coreana, que mira vendas anuais ambiciosas, mas enfrenta reação dividida ao visual da picape, disputa dura com rivais tradicionais e necessidade de ajustes para sustentar o projeto.
Na Austrália, a Kia Tasman acendeu um alerta dentro da marca sul-coreana ao registrar 320 unidades vendidas em abril de 2026, volume distante da meta inicial de aproximadamente 20 mil entregas anuais no país.
Mesmo com motor 2.2 turbodiesel, câmbio automático de oito marchas, versões 4×4 e capacidade de reboque com freio de até 3,5 toneladas, a picape ficou longe do desempenho imaginado para sua estreia comercial.
Desenvolvida para enfrentar Ford Ranger, Hilux, Isuzu D-Max, Mitsubishi Triton e outras utes tradicionais, a Tasman entrou em um dos mercados mais relevantes para picapes médias fora dos Estados Unidos.
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Na projeção original da Kia, o modelo teria força para alcançar entre 8% e 10% do segmento local de comerciais leves desse tipo, uma participação considerada agressiva para uma marca estreante na categoria.
O retrato das vendas, porém, mostrou outro cenário: enquanto a Tasman somou 320 emplacamentos em abril, a Ford Ranger registrou 3.661 unidades e a Hilux chegou a 2.835 unidades no mesmo período.
Vendas da Kia Tasman ficam distantes da meta anual

A diferença em relação às líderes evidenciou a dificuldade da Tasman para converter curiosidade em compra, sobretudo em um segmento no qual consumidores costumam valorizar tradição, pós-venda, reputação mecânica e histórico de uso profissional.
Ao mirar 20 mil unidades por ano, a Kia elevou a cobrança sobre o projeto e colocou a picape em uma disputa direta com rivais que acumulam décadas de presença entre frotistas, empresas e compradores particulares.
Até abril de 2026, o ritmo comercial ainda não sustentava essa ambição, embora a Tasman estivesse em fase inicial de mercado e ainda buscasse formar uma base própria de clientes na Austrália.
Durante um encontro com a imprensa australiana na Coreia do Sul, Spencer Cho, vice-presidente sênior e chefe de planejamento global de negócios da Kia, reconheceu a frustração com os primeiros resultados.
Segundo o executivo, a empresa “ainda não está satisfeita” com o desempenho e vê a recepção inicial como uma oportunidade de aprendizado, especialmente porque o mercado australiano participou do desenvolvimento da picape.
Comentários de clientes, concessionárias, imprensa especializada e canais digitais estão sendo reunidos pela Kia para alimentar áreas como engenharia, design, compras e produção, em busca de respostas mais rápidas para os pontos criticados.
Visual da Tasman vira ponto sensível no mercado australiano
Desde a apresentação global, o desenho da Tasman passou a concentrar parte importante do debate, por combinar proporções, faróis, para-lamas e soluções visuais pouco alinhadas ao padrão dominante entre picapes médias vendidas na Austrália.

A reação dividida ao estilo não representa rejeição total ao projeto, mas criou uma barreira inicial para um produto que precisava conquistar compradores habituados à aparência mais convencional de Ranger, Hilux e D-Max.
Como uma reestilização profunda exige prazo maior, a Kia tende a priorizar mudanças de curto e médio prazo antes de um facelift amplo, previsto por publicações especializadas para uma etapa posterior do ciclo de vida.
Entre as alternativas avaliadas aparecem ajustes de acabamento, novas combinações de cores, mudanças em elementos externos e possíveis alterações em peças de aparência, como molduras, apliques e componentes ligados à percepção da carroceria.
Cho não detalhou quais mudanças serão adotadas, mas afirmou que a empresa prepara “contramedidas” para elevar a competitividade da Tasman nos próximos anos, incluindo áreas ligadas a design, tecnologia e oferta de versões.
Motor 2.2 turbodiesel entra na análise da Kia
Outro ponto acompanhado pela Kia é a motorização, já que a Tasman vendida na Austrália usa um motor 2.2 turbodiesel de 154 kW, equivalente a cerca de 210 cv, com 440 Nm de torque.
Combinado ao câmbio automático de oito marchas, esse conjunto atende à proposta de uma picape média de uma tonelada, mas enfrenta concorrentes que oferecem alternativas mais variadas em desempenho, eletrificação e configuração mecânica.
No segmento australiano, parte dos rivais já aposta em motores V6, versões híbridas plug-in ou soluções eletrificadas em expansão, o que aumenta a pressão sobre a Kia para ampliar a gama no futuro.

A própria marca indicou que avalia outras possibilidades de trem de força, embora ainda não tenha confirmado oficialmente uma versão híbrida, elétrica ou com motor maior para a linha comercializada na Austrália.
Questionado sobre novas opções mecânicas, Cho afirmou que “todas as opções estão na mesa”, sinalizando que a estratégia da Tasman não precisa permanecer restrita ao atual motor turbodiesel.
Esse movimento ganha peso porque o mercado australiano passou a registrar avanço expressivo de híbridos, híbridos plug-in e elétricos, enquanto veículos movidos apenas a gasolina ou diesel perderam espaço em parte das estatísticas recentes.
Descontos na Kia Tasman tentam reaquecer a procura
Com a procura abaixo do esperado, a Kia passou a recorrer a incentivos comerciais para tornar a Tasman mais competitiva, incluindo ofertas financeiras, pacotes de acessórios e cortes no preço final de versões mais caras.
Na linha 2026 vendida na Austrália, publicações especializadas apontaram reduções relevantes, com destaque para a versão X-Pro, anunciada em campanhas por A$ 64.990 drive-away após desconto próximo de A$ 13 mil.
Esse reposicionamento aproximou a configuração topo de linha de faixas ocupadas por versões mais simples de rivais, estratégia usada para melhorar a percepção de valor e acelerar a saída de unidades nas concessionárias.
Ainda assim, a adoção de descontos logo no início da trajetória comercial mostra que a marca precisou agir antes do previsto para conter o impacto do desenho polêmico e das vendas tímidas.

Picape média segue como aposta estratégica da Kia
Apesar do começo difícil, a Tasman continua sendo uma aposta estratégica da Kia, pois marca sua entrada em um dos segmentos mais importantes da Austrália e pode servir de vitrine para outros mercados de picapes médias.
A linha foi estruturada com diferentes versões, opções de carroceria e configurações voltadas tanto ao uso profissional quanto ao consumidor que procura uma picape para lazer, reboque, viagens e condução fora de estrada.
Entre os argumentos técnicos mantidos pela Kia estão a capacidade de reboque, a carga útil próxima de uma tonelada, a tração 4×4 em parte da gama e os recursos pensados para terrenos mais exigentes.
O comportamento do público australiano, porém, mostrou que especificações competitivas não bastam quando um produto novo tenta entrar em uma categoria marcada por fidelidade, comparação direta intensa e rivais com reputação consolidada.
A evolução da Tasman dependerá da velocidade com que a Kia conseguir transformar as críticas do mercado em mudanças perceptíveis ao consumidor, sem descaracterizar um projeto criado para disputar espaço em uma categoria resistente a estreantes.

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