O jovem Cauan de Lima, de 20 anos, de Três Barras (SC), ficou paraplégico após acidente de moto na véspera de Natal e recebeu aplicação de polilaminina no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio. Dias depois, já movimenta os pés, resultado que a fisioterapeuta descreveu como “de arrepiar”. O tratamento com polilaminina ainda é experimental e depende de autorização da Anvisa.
O jovem Cauan de Lima, de 20 anos, morador de Três Barras, no norte de Santa Catarina, ficou paralisado da cintura para baixo após um grave acidente de motocicleta na véspera de Natal do ano passado. Diagnosticado com lesão medular completa, ele não tinha sensibilidade nem conseguia mover as pernas. Há cerca de uma semana, Cauan recebeu uma aplicação de polilaminina no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, e os primeiros sinais de recuperação já começaram a aparecer: o jovem conseguiu mexer os pés, um resultado que a fisioterapeuta Veridiane Nayzer, que acompanha o caso, descreveu como “de arrepiar”. A polilaminina é uma substância experimental que vem ganhando destaque por resultados promissores na regeneração de conexões nervosas comprometidas por lesões medulares.
O caso de Cauan não é isolado. Desde março, o Hospital Dom Joaquim já realizou quatro aplicações de polilaminina sob responsabilidade do médico Angelo Formentin, e outro paciente, Kauan Lori Toledo de Aguiar, de 24 anos, morador de Imbituba, também passou pelo procedimento no mesmo dia. A jovem Eduarda Atkinson, outro caso de lesão medular tratado com polilaminina em Santa Catarina, publicou nas redes sociais um vídeo em que movimenta uma das pernas nove dias após a aplicação, emocionando seguidores. Os resultados animam, mas é importante ressaltar que a polilaminina ainda está em fase de pesquisa e depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso amplo em pacientes.
O acidente que deixou Cauan paralisado e a busca pela polilaminina

Segundo informações do portal ndmais, o acidente aconteceu na véspera de Natal, no bairro Vila Nova, em Três Barras. Cauan foi encontrado pelos bombeiros caído às margens da via, consciente, mas desorientado, com escoriações nas pernas, suspeita de fratura no joelho direito e indícios de lesão na coluna que foram confirmados posteriormente. Ainda no local, as equipes realizaram estabilização da coluna cervical e imobilização para transporte. No hospital, o diagnóstico foi de lesão medular completa, que o deixou sem sensibilidade e sem movimentos da cintura para baixo.
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Após cirurgia de estabilização no Hospital São Vicente, em Mafra, a família começou a buscar alternativas. A fisioterapeuta Veridiane Nayzer entrou em contato com equipes médicas e descobriu o tratamento com polilaminina, que inicialmente era indicado apenas para pacientes com até 72 horas de lesão. Cauan já estava há um mês com a lesão, fora dos critérios iniciais. Mesmo assim, Veridiane não desistiu: entrou em contato com uma equipe do Rio de Janeiro, descobriu que precisaria de recomendação médica e encontrou o primeiro registro de aplicação de polilaminina em Sombrio, o que abriu caminho para o tratamento.
Como a polilaminina funciona e por que ela gera tanta esperança
A polilaminina é produzida em laboratório a partir da proteína laminina e aplicada diretamente na medula espinhal. O objetivo é estimular a regeneração de conexões nervosas que foram comprometidas pela lesão, criando um ambiente favorável para que as células nervosas reconstruam os caminhos de comunicação entre o cérebro e as partes do corpo abaixo do ponto da lesão. Em termos simples, a polilaminina tenta consertar a “fiação” que foi rompida quando a medula foi danificada.
O mecanismo é promissor porque a medula espinhal, diferentemente de outros tecidos do corpo, tem capacidade muito limitada de regeneração natural. Lesões medulares completas como a de Cauan normalmente resultam em paralisia permanente, e até recentemente não havia tratamento capaz de reverter esse quadro de forma significativa. A polilaminina representa uma das poucas linhas de pesquisa que mostra resultados em pacientes humanos, embora ainda esteja longe de ser considerada um tratamento consolidado pela comunidade médica.
Os primeiros resultados da polilaminina em Cauan e em outros pacientes
Os sinais de recuperação observados em Cauan poucos dias após a aplicação de polilaminina são considerados notáveis pela equipe que o acompanha. Conseguir mexer os pés após um diagnóstico de lesão medular completa é um resultado que surpreende, especialmente considerando que o jovem estava paralisado há meses. A fisioterapeuta Veridiane relatou o momento com emoção ao dizer que “é de arrepiar” ver os primeiros movimentos retornando.
O caso de Eduarda Atkinson reforça a tendência. Nove dias após receber polilaminina, Eduarda publicou um vídeo nas redes sociais em que movimenta uma das pernas, um registro que emocionou seguidores e ampliou a visibilidade do tratamento experimental. Os dois casos, somados aos dos outros pacientes que passaram pelo procedimento em Sombrio, formam um conjunto de evidências anedóticas que anima famílias de pessoas com lesão medular, embora a ciência exija estudos controlados em maior escala antes de confirmar a eficácia da polilaminina.
O caminho que a família de Cauan percorreu para chegar à polilaminina
A trajetória da família de Cauan até o tratamento revela tanto a determinação dos envolvidos quanto as barreiras que cercam um procedimento experimental como a polilaminina. A fisioterapeuta Veridiane conta que a família a procurou em janeiro, e juntas começaram a buscar informações sobre o estudo, encontrando inicialmente a limitação de que o tratamento era voltado para pacientes com até 72 horas de lesão, prazo que Cauan já havia ultrapassado em semanas.
A solução veio da persistência. Veridiane encontrou o médico Angelo Formentin pelo Instagram, enviou mensagem explicando o caso de Cauan, encaminhou a documentação necessária e conseguiu a aprovação para o procedimento com polilaminina. “Mandei mensagem no Instagram dele e falei sobre o caso do Cauan. O médico pediu a documentação. Mandei, ele deu andamento ao processo e aconteceu”, relata a fisioterapeuta. A história mostra que, em um campo onde os canais formais de acesso a tratamentos experimentais ainda são limitados, a iniciativa individual pode fazer a diferença entre ter ou não a chance de um procedimento.
O que ainda falta para a polilaminina deixar de ser experimental
Apesar dos resultados animadores, a polilaminina ainda está em fase de pesquisa e não pode ser tratada como cura para lesões medulares. O tratamento depende de autorização da Anvisa para uso ampliado e precisa passar por estudos clínicos controlados que comprovem eficácia e segurança em amostras maiores de pacientes, com acompanhamento de longo prazo. Os casos de Cauan, Eduarda e dos demais pacientes tratados em Sombrio são encorajadores, mas a ciência médica exige mais evidências antes de validar qualquer tratamento como padrão.
Para as famílias de pessoas com lesão medular, a polilaminina representa algo que há pouco tempo parecia impossível: uma chance real de recuperação. Os vídeos de pacientes movendo pés e pernas após anos ou meses de paralisia circulam nas redes sociais com milhares de compartilhamentos, criando expectativa e pressão por acesso mais amplo ao tratamento. O equilíbrio entre esperança e cautela é delicado: acelerar demais pode colocar pacientes em risco, mas esperar demais pode negar oportunidades a quem não tem tempo para aguardar o ritmo normal da pesquisa científica.
Um jovem paralisado recebeu polilaminina em Santa Catarina e já movimenta os pés. Você acredita que esse tratamento pode mudar a vida de milhares de pessoas com lesão medular? Conhece alguém que se beneficiaria dessa pesquisa? Deixe sua opinião nos comentários.
