O BID, com recursos do Japão, vai financiar um projeto de US$ 890 mil para mapear depósitos de terras raras, lítio e grafite na Bahia e em Minas Gerais. A iniciativa busca reduzir riscos para investidores e ampliar o conhecimento geológico do Brasil em minerais críticos.
O Brasil vai receber um novo projeto para mapear depósitos de terras raras, lítio e grafite em regiões consideradas estratégicas para a transição energética global. A iniciativa, financiada pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) com recursos do governo do Japão, prevê investimento de US$ 890 mil em levantamentos geológicos e geoquímicos na Bahia e no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, ao longo de 36 meses.
O projeto foi solicitado pelo governo brasileiro por meio do Ministério de Minas e Energia e do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que conduzirá os trabalhos em campo. O objetivo é identificar novos depósitos de terras raras e outros minerais críticos, gerar dados públicos que reduzam riscos para investidores privados e ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral brasileiro, considerado ainda limitado em relação à real riqueza do subsolo nacional.
O que prevê o projeto de mapeamento de terras raras financiado pelo BID
O projeto, identificado como BR-T1690, será executado com orçamento direto do BID e terá duração de 36 meses. Os recursos vêm do governo do Japão, que tem experiência consolidada em tecnologias avançadas de mineração e interesse estratégico no acesso a minerais críticos para sua indústria tecnológica.
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O programa está dividido em quatro frentes principais. A primeira prevê um estudo eletromagnético na província grafítica Minas-Bahia para identificar novas mineralizações de grafite. A segunda etapa será voltada para terras raras na Bahia, com levantamentos geoquímicos e criação de um mapa de favorabilidade mineral, ferramenta usada por empresas para direcionar investimentos exploratórios. A terceira frente terá foco no lítio no Vale do Jequitinhonha, com coleta de amostras de solo e geração de dados geológicos para apoiar a descoberta de novos depósitos.
Por que o Japão está investindo na busca por terras raras no Brasil
O interesse do Japão em financiar o mapeamento de terras raras no Brasil não é casual. O país asiático é uma das economias mais dependentes de minerais críticos para sua indústria, especialmente para a fabricação de semicondutores, baterias de veículos elétricos e equipamentos eletrônicos. A concentração do fornecimento global desses materiais na China tem levado o Japão a buscar fontes alternativas em outros continentes.
O Brasil abriga uma das maiores reservas de minerais críticos do planeta, mas grande parte do território ainda não foi mapeada em escala adequada para atrair investimentos. Cerca de 55% das áreas de embasamento cristalino, onde normalmente se concentram depósitos de terras raras e outros minerais, ainda não foram levantadas na escala 1:100.000, considerada a mais adequada para avaliação de potencial mineral. A parceria com o Japão busca preencher essa lacuna.
As regiões escolhidas para o mapeamento de terras raras e lítio
O projeto concentra seus esforços em duas regiões estratégicas: a Bahia e o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Na Bahia, os levantamentos buscarão novas mineralizações de grafite na província grafítica Minas-Bahia e novos alvos de terras raras por meio de estudos geoquímicos detalhados. O estado tem potencial reconhecido, mas ainda carece de dados geológicos em escala suficiente para atrair investimentos expressivos.
No Vale do Jequitinhonha, o foco será o lítio, mineral essencial para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. A região vem se consolidando como um dos principais polos de lítio do Brasil, e o projeto prevê coleta de amostras de solo e geração de dados que permitam identificar novos depósitos além dos já conhecidos. A quarta frente do programa será voltada ao fortalecimento institucional, com transferência de tecnologia japonesa para aprimorar a capacidade do Serviço Geológico do Brasil em mapear e gerir recursos minerais estratégicos.
O problema do mapeamento geológico no Brasil
Autoridades brasileiras, incluindo o presidente Lula, costumam afirmar que apenas 30% do território nacional está mapeado na escala 1:100.000. O dado é correto do ponto de vista técnico, mas inclui áreas como grandes bacias sedimentares, onde a probabilidade de encontrar depósitos de terras raras ou outros minerais economicamente relevantes é baixa.
Quando a análise se concentra apenas no embasamento cristalino, domínio geológico que abriga a maioria das províncias minerais do país, a cobertura sobe para cerca de 45%. Em regiões com tradição mineral consolidada, como Minas Gerais, o nível de mapeamento é ainda maior.
O Quadrilátero Ferrífero, por exemplo, já conta com praticamente 100% de cobertura na escala 1:100.000 e, em algumas áreas, levantamentos em escalas mais detalhadas, como 1:25.000. O desafio está justamente nas regiões menos exploradas, onde o novo projeto financiado pelo BID pretende atuar.
O que o Brasil pode ganhar com dados públicos sobre minerais críticos
O BID afirma que todos os dados gerados pelo projeto serão pré-competitivos e públicos, o que significa que qualquer empresa ou investidor poderá acessá-los. Essa transparência é considerada fundamental para reduzir o risco exploratório no setor mineral. Quando uma empresa sabe com maior precisão onde há probabilidade de encontrar terras raras, lítio ou grafite, o custo e o tempo de exploração diminuem significativamente.
A iniciativa ocorre em meio à corrida global por minerais críticos, usados em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e equipamentos eletrônicos.
Apesar do potencial, o Brasil ainda enfrenta desafios como preços baixos das terras raras no mercado internacional, complexidade técnica dos projetos e cautela de investidores. O BID avalia que, com maior conhecimento geológico, o país pode acelerar a descoberta de novos depósitos e ampliar sua participação no mercado global de minerais estratégicos.
O projeto financiado pelo BID com recursos do Japão coloca o Brasil em posição de avançar no mapeamento de terras raras, lítio e grafite em regiões com potencial ainda inexplorado.
Se os levantamentos confirmarem novos depósitos na Bahia e no Vale do Jequitinhonha, o país pode se tornar um protagonista no fornecimento global de minerais críticos para a transição energética.
Com informações do portal da CNN Brasil.
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