Japão avança na reativação da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, 15 anos após Fukushima, em meio a debates sobre segurança e energia.
Quinze anos após o acidente de Fukushima, o Japão avança para a reativação da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo em capacidade instalada. A decisão envolve autoridades locais, reguladores nacionais e a operadora Tepco, além de reacender o debate sobre segurança energética no país.
Recentemente, a Assembleia da província de Niigata apoiou a decisão do governador Hideyo Hanazumi. Assim, o processo ganhou força política e institucional, aproximando o país de uma das reativações mais simbólicas desde Fukushima.
Usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa volta ao centro das decisões
Localizada no norte do Japão, a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa reúne sete reatores e capacidade total de 8,2 gigawatts. Com esse volume, a planta pode abastecer cerca de sete milhões de residências.
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Apesar disso, todas as unidades permanecem desligadas desde o acidente de Fukushima. Embora o terremoto e o tsunami de 2011 não tenham atingido diretamente a usina, o governo decidiu suspender as operações por precaução.
Histórico sísmico impulsionou reforços estruturais
Antes de Fukushima, a usina já havia passado por interrupções. Em 2007, o terremoto de Niigata-Chuetsu causou danos ao sítio da planta.
Como resultado, a Tepco reforçou a resistência da usina a abalos sísmicos. Desde então, técnicos aprimoraram sistemas estruturais e protocolos de segurança, preparando o complexo para uma possível reativação.
Tepco prioriza unidades 6 e 7 da usina nuclear
Enquanto conduz o processo de descontaminação em Fukushima Daiichi, a Tepco concentra esforços nas unidades 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa. A empresa vê nessas unidades o caminho mais rápido para a reativação.
Cada reator utiliza a tecnologia Advanced Boiling Water Reactor, com capacidade de 1.356 megawatts elétricos. Segundo estimativas da companhia, o retorno das operações pode elevar o lucro anual em cerca de US$ 638 milhões.
Autorizações regulatórias aceleram o processo
A Autoridade de Regulação Nuclear do Japão autorizou a retomada das unidades 6 e 7 ainda em dezembro de 2017. No entanto, a Tepco precisava do aval político e social da província de Niigata.
Agora, com a aprovação local, a empresa avança para a etapa operacional. Em junho, técnicos concluíram o carregamento de combustível da unidade 6, reforçando o cronograma de reativação.
Unidade 6 pode marcar retorno da Tepco após Fukushima
A Tepco tem até setembro de 2029 para implementar todas as medidas de segurança antiterrorismo exigidas. Mesmo assim, a autorização local permite que a unidade 6 opere até esse prazo.
Com isso, a unidade pode se tornar o primeiro reator da Tepco a retomar operações desde o acidente de Fukushima, um marco histórico para o setor nuclear japonês.
Governo aposta em informação para ganhar apoio popular
O governador Hideyo Hanazumi reconhece que a reativação da usina nuclear divide opiniões na província. Ainda assim, ele defende a transparência como principal ferramenta para ampliar o apoio público.
“A forma de lidar com a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa é, há muito tempo, uma grande questão para o povo da província de Niigata.
Embora as opiniões sobre a retomada da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa estejam atualmente divididas entre o público, acreditamos que, ao continuar fornecendo informações precisas sobre a geração nuclear e ao ampliar a conscientização sobre medidas de segurança e prevenção de desastres, podemos aumentar a compreensão pública sobre a retomada da usina”, disse.
Jovens demonstram maior aceitação da reativação
Segundo o governador, pesquisas recentes indicam que o apoio cresce conforme aumenta o conhecimento da população sobre segurança nuclear. Além disso, o fator geracional chama atenção.
“Além disso, a pesquisa revelou que pessoas na faixa dos 20 e 30 anos tendem a ser mais favoráveis ao reinício da usina do que as gerações mais velhas”, acrescentou.
Esse comportamento sugere uma mudança gradual na percepção da energia nuclear no Japão.
Energia nuclear volta a ganhar espaço no Japão
Antes de Fukushima, os 54 reatores do Japão respondiam por cerca de 30% da eletricidade do país. Após o acidente, o governo desligou todas as unidades e reformulou as regras de segurança.
Atualmente, dos 33 reatores considerados operáveis, 14 já voltaram a funcionar. Outros 11 seguem em processo de aprovação.
Assim, a possível reativação de Kashiwazaki-Kariwa reforça o movimento de retorno gradual da energia nuclear. Ao mesmo tempo, o Japão tenta equilibrar segurança, geração elétrica e confiança pública após Fukushima.

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