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Holtec e EDF submeteram proposta conjunta para instalar quatro reatores SMR-300 em Cottam, na Inglaterra, com capacidade combinada de 1,3 GW

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/06/2026 às 16:40 Atualizado em 29/06/2026 às 16:42
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A americana Holtec International e a francesa EDF submeteram ao governo do Reino Unido proposta conjunta para a construção de até quatro reatores nucleares de pequeno porte SMR-300 no site da antiga usina termelétrica de Cottam, em Nottinghamshire, norte da Inglaterra, em projeto que totaliza capacidade combinada de 1,3 gigawatts elétricos e integra o programa britânico de expansão nuclear.

O SMR-300 e as especificações técnicas do projeto

O SMR-300 é o reator modular de pequeno porte desenvolvido pela Holtec International, com capacidade nominal de aproximadamente 300 megawatts elétricos por unidade. O design utiliza tecnologia de reator de água pressurizada com módulo compacto, projetado para fabricação em fábrica e montagem no local, com o objetivo de reduzir custos e prazos de construção em comparação com usinas nucleares convencionais.

Quatro reatores no site de Cottam totalizariam 1,3 GW de capacidade instalada — equivalente à demanda elétrica de aproximadamente 1 milhão de residências britânicas. O site de Cottam possui infraestrutura de conexão à rede elétrica existente, vantagem significativa que reduz custos e o tempo necessário para licenciamento ambiental e de rede.

A parceria com a EDF, que já opera oito usinas nucleares no Reino Unido e é responsável pela construção da usina de Hinkley Point C, confere ao projeto experiência operacional nuclear no país e acesso à cadeia de suprimentos licenciada pelo regulador nuclear britânico (ONR).

O programa nuclear britânico e a demanda do setor elétrico

O Reino Unido fixou meta de descarbonização total do setor elétrico até 2030 e incluiu a energia nuclear como pilar da transição, ao lado de eólica offshore e solar. O governo britânico criou a Great British Nuclear (GBN) para coordenar o desenvolvimento de novos projetos nucleares, com foco em SMRs como alternativa mais rápida de implantar do que grandes reatores convencionais.

A demanda por eletricidade no Reino Unido é crescente devido à eletrificação do transporte e do aquecimento residencial, além da expansão de data centers. As usinas nucleares existentes no país estão em processo gradual de desativação, com os reatores da Hinkley Point C representando a única nova grande usina em construção até 2026.

A proposta de Cottam compete com outros projetos de SMR submetidos ao processo britânico de seleção, incluindo o Rolls-Royce SMR (470 MW por unidade), que anunciou parceria com a Videberg Kraft para três reatores na Suécia e planejou a abertura de centro de manufatura em Derby no quarto trimestre de 2026.

Processo de aprovação e próximos passos

A aprovação do projeto de Cottam depende da avaliação do governo britânico no âmbito do processo da GBN, seguida de licenciamento técnico pelo ONR e pela Environment Agency. O processo de aprovação regulatória de novos projetos nucleares no Reino Unido pode levar entre cinco e dez anos.

A Holtec International também desenvolve o reator SMR-300 para outros mercados, com projetos em avaliação no Canadá, Polônia e República Checa. Nos Estados Unidos, a Kairos Power iniciou em 2025 a construção do reator de demonstração Hermes em Oak Ridge, Tennessee — o primeiro reator nuclear de demonstração licenciado pela NRC americana em mais de 50 anos.

O mercado global de SMRs atraiu investimentos crescentes em 2025 e 2026, impulsionado pela demanda de data centers de inteligência artificial e pela busca por geração de energia de base sem emissões de carbono.

Posição do Brasil no contexto nuclear internacional

O Brasil opera as usinas de Angra 1 e Angra 2 e mantém Angra 3 em construção no estado do Rio de Janeiro. A Eletronuclear acompanha o desenvolvimento de SMRs internacionais e avaliou propostas de diferentes fabricantes, incluindo a GE Vernova Hitachi com o BWRX-300, como alternativa a novos grandes reatores convencionais. O setor energético brasileiro debate o papel do nuclear na expansão da capacidade instalada prevista para a próxima década.

A demanda crescente por eletricidade de base, decorrente da eletrificação da indústria e do avanço dos data centers de inteligência artificial no Brasil, reforça o interesse estratégico no nuclear como complemento às fontes intermitentes, como solar e eólica, que já representam parcela relevante da matriz elétrica brasileira.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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